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Festival do Rio: "Prometo um dia deixar essa cidade" e suas interrogações

E a Première Brasil do Festival do Rio 2014 segue apresentando um panorama da produção cinematográfica atual, e agora veio com Prometo um dia deixar essa cidade, segundo longa do diretor pernambucano Daniel Aragão. Mas, diferente de grande parte da safra pernambucana, esse exemplar não cativa ou faz refletir, numa história mal contada e até mesmo elaborada.  O filme conta a história de Joli (Bianca Joy Porte), filha do deputado Antônio Dornelles (Zécarlos Machado), que está retornando para casa após passar um longo período em uma clínica de reabilitação. Seu pai, que concorre a prefeito, precisa cuidar da instabilidade da filha e da sua campanha, ao mesmo tempo que ela vive na linha tênue entre a lucidez e o delírio.
prometoNa apresentação do longa, o diretor pedia que entrássemos na trama, num exercício quase sensorial. Confesso que logo ali, já temi pelo pior. E eu tinha razão: a trama é confusa e pretensiosa, mas só expõe que o diretor – e roteirista – via sensorialidade, na verdade não passava de um devaneio vil. E ainda estabeleceu um relação quase fetichista com sua protagonista (e a atriz faz o que pode, com dignidade). No início do filme, estranhei que logo depois do crédito inicial que finalizaria com “Um filme de Daniel Aragão“, veio um deslocado “Trilha de Bernie Worrell“, mas logo compreendi: a trilha é irritantemente presente, quase que como pontuando a estética buscada. O que só esvazia o intuito do diretor. Até agora me pergunto o que o diretor queria dizer com seu filme. Suscitar um “complexo de Electra” entre filha e pai? Fazer crítica política por psicologismos? Nada disso fez sentido. Nem o próprio filme.
nota 1

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