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Festival do Rio: “Obsessão” deixa a forma agir sobre seu frágil conteúdo

O diretor norte-americano Lee Daniels gosta de fazer dos extremos das margens sociais o ponto nevrálgico de seu cinema. No duríssimo “Preciosa”, esse exercício encontrou sentido através da desconstrução disso, resultando numa humanização irresistível e um tanto premiada.

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Em seu novo filme, “Obsessão”, no entanto, se deixou levar pela forma da coisa, em detrimento ao conceito que isso proporcionaria. Baseado no romance de Peter Dexter, que também escreve o roteiro junto com o diretor, acompanhamos Ward (Matthew McConaughey), um jornalista de um grande jornal que precisa retornar para sua pequena cidade para fazer a cobertura da prisão de Hillary Van Wetter (John Cusack), acusado e condenado à morte pelo assassinato do xerife local.
Os problemas começam quando Jack (Zac Efron), seu irmão mais novo, começa a se envolver com Charlotte (Nicole Kidman), mulher misteriosa e mais velha, que mantinha contato com o prisioneiro. O assassinato, tempo depois, acaba virando um livro que é dedicado à empregada da família, Anita (bem defendida pela cantora Macy Gray). A mesma acaba por narrar toda a história, afirmando que tudo o que está no livro é verdade, e começa a contar conforme ela lembra do que aconteceu. Diz que tudo aconteceu em 1969, durante o verão em Moat County, na Flórida.

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Kidman está interessantíssima, num daqueles papéis ordinários que atrizes buscam para galgar algum prêmio na carreira. E Zac tem a melhor atuação da sua vida, prova do talento de Lee em extrair vivacidade dos seus atores. Mas o filme cai na armadilha da tipificação. O diretor parece mais preocupado em estilizar seus extremos do que desenvolver a trama. Mesmo contando com bons protagonistas, o filme vai jogando para escanteio as boas possibilidades que gravitam em meio a estilização pretendida. Daí, acaba por sucumbir a uma pretensão, quando devia reiterar seus vários discursos.

[xrr rating=2.5/5]

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Ativista

Publicado por Renan de Andrade

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