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Festival Vivo Open Air brinda o público carioca com Exterminador do Futuro e The Jesus and Mary Chain

Quem desafiou o friozinho da beira da Marina da Glória na noite de terça não se arrependeu. O festival Vivo Open Air, que une filmes clássicos e sucessos de bilheteria recentes a shows e festas, ofereceu uma dobradinha de dois verdadeiros cults dos anos oitenta.
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O prato principal (para uns, aperitivo para outros) era O Exterminador do Futuro, película que está completando 30 anos de seu lançamento. Primeiro grande sucesso de James Cameron (que já tinha feito Piranhas), também foi o filme que consolidou a carreira hollywoodiana de Arnold Schwarzenegger. A trama todo mundo já conhece: cyborg volta no tempo para assassinar a futura mãe do futuro líder da resistência humana na guerra contra as máquinas em uma Los Angeles pós-apocalíptica. Para impedir o sucesso do plano das máquinas, um guerreiro é enviado pelos humanos para combater o cyber assassino na Los Angeles de 1984. Os efeitos especiais baratos foram feitos com tanta verdade que nem envelheceram tanto. E a cópia exibida era restaurada, dando uma sensação de que o filme fora feito há poucos dias. Apesar de ser ao ar livre, o sistema de som é potente e não se dispersa, o que é uma grata surpresa. A única coisa que não foi bem vinda foi uma inoportuna chuva que apertou ali pelos 50 minutos de exibição. Capas de chuva foram distribuídas pela produção do evento, mas muitos espectadores se dirigiram para o local coberto onde dali a pouco se iniciaria o show do The Jesus And Mary Chain.
Findo o clássico de Cameron, começava a espera pela sobremesa (para uns, prato principal para outros): o retorno do duo escocês aos palcos cariocas após 24 anos de ausência. Assim como os efeitos de O Exterminador do Futuro, a sonoridade da banda não envelheceu nesses trinta anos de carreira. Influenciados pelo Velvet Underground, Echo and the Bunnymen e cria direta do Sonic Youth, o Jesus brindou a plateia com um show curto (apenas uma hora e oito minutos), porém vigorso e com um set list que continha suas maiores pérolas. E como esperado, muita distorção, reverb e microfonia. Ao contrário do show de São Paulo, em que os irmãos Jim e William Reid estavam de mau humor e interrompendo músicas, aqui tudo fluiu bem, para alívio dos cariocas que sabiam do clima estranho da etapa paulista da turnê. Estavam de bom humor (para os padrões da dupla, claro), simpáticos e empunhando garrafas de cerveja como que propondo um brinde. Os Reid são precursores dos Gallagher na questão Caim e Abel do brit pop, tanto que a banda terminou em 1999 devido às constantes desavenças. Hoje, um mora na Grã Bretanha e o outro em Los Angeles. A reunião só foi ocorrer no festival Coachella de 2007.Outra característica em comum com os cabeças do Oasis eram as constantes declarações arrogantes, nem um pouco modestas sobre a importância da banda na cena rock britânica.
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Abrindo os trabalhos com Snake Driver, a banda adentrou o palco com um atraso de 22 minutos em relação à hora marcada (23 horas). Logo em seguida veio a matadora Head On do álbum Automatic – que ganhou até uma versão tão boa quanto dos Pixies– que levantou a plateia, formada em sua maioria por trintões e jovens freqüentadores de festinhas indie da zona sul do Rio. Aterceira da noite foi a dançante Far Gone And Out, do Álbum Honey’s Dead, de 1992. Outras que levantaram o público foram as clássicas Blues From a Gun e Cracking Up. Com a audiência completamente dominada, veio a catarse com Happy When It Rains e, após Halfway To Crazy, o que talvez tenha se tornado o maior hit da banda entre os mais novos, Just Like Honey, do debut Psycho Candy, e que fez parte da trilha sonora do filme Encontros e Desencontros de Sofia Coppola. Com direito a uma backing vocal, a música foi acompanhada em uníssono pela massa indie. Na volta para o bis, vieram The Hardest Walk, Taste of Cindy e encerraram com a épica Reverence. Apesar dos oito anos separados, dos cabelos grisalhos e quilinhos a mais (no caso do desgrenhado William, muitos quilinhos), eles ainda são capazes de fazer uma casa de show cair como no auge da carreira.
A plateia saiu de alma lavada, tanto quem os viu em 1990 quanto os que estavam vendo pela primeira vez, depois de já terem perdido as esperanças. E quem ainda tinha forças ainda encarou uma festinha com picape pilotada pelos DJs Edinho e Tito, cujo repertório era, claro, muito indie rock e brit pop. Um programão, sobretudo se levado em conta os preços módicos (40 reais a inteira e 20 a meia no primeiro lote. Para quem só foi assistir ao show, já que os ingressos para o filme se esgotaram, saiu a 80 reais (40 meia), que ainda está muito abaixo dos preços inflacionados de shows internacionais por aqui.

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Publicação Cesar Monteiro