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"Fruitvale Station – A Última Parada" retrata uma tragédia de maneira contundente

No último dia de 2008, Oscar Grant III, um morador da Bay Area de San Francisco de 22 anos, estava disposto a mudar de vida após a passagem de ano. Ele pretendia deixar para trás o seu passado de traficante de drogas, retomar seu emprego e ser um marido, pai e filho melhor para a sua família. Tudo o que ele queria fazer, antes de começar essa nova fase, era comemorar o réveillon com a esposa e os amigos. O problema é que, na volta para casa, uma série de terríveis incidentes acabam causando uma tragédia, que interrompeu seus planos de uma forma terrível. Esta triste história real acabou sendo levada para o cinema de uma forma contundente no emocionante “Fruitvale Station – A Última Parada” (“Fruivale Station”).

FRUITVALE

Em sua primeira experiência com longas-metragens, o diretor Ryan Coolger mostra que é um nome a ser observado com atenção no futuro. Ele conduz o filme com uma ótima noção para criar um clima de tensão mesmo nas cenas mais triviais, durante a jornada de um dia de Oscar (Michael B. Jordan). O cineasta consegue causar uma apreensão no espectador sobre o que vai acontecer com o protagonista, mesmo para quem já sabe como a história vai terminar. E, quando ela acaba, a sensação que se tem é de indignação ao ver que erros causados por autoridades (no caso, a polícia), poderiam ter sido evitados se houvesse uma melhor preparação para aqueles que deveriam nos proteger, sem truculência ou mesmo preconceito. O caso de Oscar lembra, e muito, o que aconteceu com o brasileiro Jean Charles (que também virou filme, estrelado por Selton Mello), que também causou muita polêmica. Coolger é bastante feliz no terço final da trama ao provocar incômodo e reflexão para quem assiste ao filme, que mostra que, infelizmente, as questões apresentadas em “Fruitvale Station – A Última Parada” ainda estão longe de terminar e não têm limites geográficos.

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O espectador pode até reclamar de algumas pequenas falhas no roteiro (também escrito por Coogler), como criar situações para que Oscar seja visto de uma maneira mais simpática, como se ele fosse uma espécie de anjo incompreendido, como na cena em que encontra um cão abandonado após ter sido atropelado. Mesmo assim, o que realmente importa é a denúncia que o filme apresenta, de que ninguém deveria passar pelo que Oscar (ou mesmo Jean) passaram. O texto também faz uma boa caracterização dos personagens que cercam o protagonista, como a mãe Wanda (vivida por Octavia Spencer), a esposa Sophia (Melonie Diaz) e a filha Tatiana (a gracinha Ariana Neal), carinhosamente chamada de “T”. Além disso, os diálogos são bem escritos, soam reais e escapam do melodrama barato, que poderia comprometer o resultado final.

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Coogler também se revela um ótimo diretor de atores e faz o possível para o seu elenco brilhar. Michael B. Jordan, cujo maior destaque até então foi como um dos jovens que ganham habilidades incríveis em “Poder Sem Limites”, se revela um ator com grande potencial. Através de sua incrível atuação, o público se torna cúmplice em sua jornada para a redenção e deseja que ela se concretize. Além disso, não há como não sentir tristeza quando tudo é posto a perder por causa dos erros da polícia durante o evento que ocorre no terço final do filme, graças à veracidade de sua performance. Octavia Spencer, que já ganhou um Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Histórias Cruzadas”, também brilha como Wanda, especialmente num flashback em que vai visitar o filho preso na cadeia e se arrepende por isso. Melonie Diaz segura bem o seu papel e até mesmo Kevin Durand (o Blob de “X-Men Origens: Wolverine”) se destaca como o policial Caruso, um dos responsáveis pela tragédia ocorrida na estação Fruitvale.

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Numa época em que muitos filmes estão ficando desnecessariamente longos, é um alívio ver que ainda é possível lançar produções que não apelam para exageros para contar bem a sua história. Este é o caso de “Fruitvale Station – A Última Parada” e seus 85 minutos, muito bem usados para emocionar e fazer pensar neste mundo louco em que vivemos. É uma pena, no entanto, que o filme, vencedor do Prêmio Avenir  (Un Certain Regard)  do Festival de Cannes 2013, escolhido o Melhor Filme pela Audiência do Festival de Sundance 2013 e ganhador do Grande Prêmio do Júri do mesmo Festival tenha sido preterido em outras grandes premiações como o Oscar e o Globo de Ouro. Tanto o filme (produzido por Forrest Whitaker) quanto Michael B. Jordan e Octavia Spencer mereciam ser lembrados. Mas, mesmo assim, “Fruitvale Station – A Última Parada” é um filme que merece ser descoberto pelo grande público.

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