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J.J. Abrams aponta a direção certa com divulgação de Star Wars

Ultimamente tem sido assim: lançam um teaser de um filme muito esperado. Logo em seguida chega o primeiro trailer. Meses depois mais um trailer. Uma mês antes do filme outro trailer, fora os comerciais de TV. A essa altura, quem pretende assistir ao filme no cinema já sabe praticamente tudo o que vai acontecer no filme. Vai à sala de projeção apenas para conferir na tela grande o que viu na internet, na sequência em que foi montado e com uma ou outra cena inédita.

Isso se dá devido a uma condescendência a um público cada vez mais impaciente, em sintonia com a urgência da era digital, entregando o filé mignon antes mesmo de servir a mesa.

Tomemos como exemplo os inúmeros trailers e spots de “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Eletro”. Revelavam o filme inteiro, não deixavam nenhuma surpresa e certamente isso contribuiu para ter um desempenho nas bilheterias abaixo do esperado.

Vejam bem, o filme, que estreou em maio de 2014, teve um primeiro trailer de mais de dois minutos e meio em dezembro de 2013

Ganhou uma prévia de 3 minutos dois meses depois:

E ainda teve o trailer final de quase 3 minutos antes da estreia:

Outro exemplo recente é “O Exterminador do Futuro Genesis”. No trailer 2 eles simplesmente entregaram o destino de John Connor, que deveria ser a grande reviravolta do filme.

Coincidência ou não o filme foi mal nas bilheterias, mas isso se deve mais ao desgaste da franquia e a baixa qualidade do filme.

Porém, J.J. Abrams com os dois teasers e um trailer de “Star Wars: O Despertar da Força” faz exatamente o que se espera de uma prévia, mas que parecia ser um conceito ultrapassado: mostrar o suficiente para o espectador se interessar pelo filme, mas sem entregar nenhuma surpresa. Nem mesmo sobre a trama sabemos. Sim, sabemos que trinta anos se passaram desde “O Retorno de Jedi” e há uma resistência ao surgimento de um novo império. O restante, só saberemos em dezembro.

Tudo bem que acabou de sair um trailer japonês com cenas inéditas, mas nem isso maculou a proposta de divulgação. Mesmo a prévia que será exibida na rede ABC difcilmente sucumbirá à tentação de mostrar mais do que deve.

Em compensação, em “Vingadores: Era de Ultron”, que junto com o novo Star Wars foi o filme mais badalado de 2015, A sensação de ter visto o filme quase todo nos trailers incomodou um pouquinho, embora nem tanto como no quinto filme da série Exterminador do Futuro, mas a Marvel poderia ser mais contida em “Capitão América: Guerra Civil”, cuja primeira prévia deve sair junto com o lançamento de O Despertar da Força.

Olha quanta coisa foi mostrada:

O que os diretores e produtores devem saber é que entregar demais no trailer macula sim a experiência de se assistir a um filme. E J.J. sabe disso. Tanto que já anunciou que não haverá mais nenhuma prévia do novo Star Wars, apenas o filme.

Se outros títulos seguirão esse padrão, apenas se saberá se “O Despertar da Força” corresponder às expectativas de bilheteria. Se essas expectativas forem confirmadas ou mesmo superadas, certamente a forma de promover um filme pode seguir a direção apontada por Abrams: dar o mínimo, sem deixar de encher os olhos. Até porque trailers servem para nos dar uma ideia do que vem e não para estragar surpresas.

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Publicado por Cesar Monteiro

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