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Movie Tunes: Cashback

Chegando ao final do ano, a última coluna do ano com talvez um filme que provavelmente nunca foi visto pelos nossos leitores, mas que eu sinceramente recomendo desde já.

Cashback

Cashback foi um curta indicado ao Oscar em 2006 que acabou virando um longa nas mãos do mesmo diretor, Sean Ellis. Como a idéia surgiu meio que do nada, o diretor e roteirista teve de escrever o filme em questão de semana e começar a fotografia principal em menos de um mês para aproveitar o mesmo elenco do curta para pegar os 18 minutos originais e converter em um filme completo, talvez um dos mais belos que eu vi nesse ano passado, apesar de ser de 2007.

O filme mostra Ben Willis (Sean Biggerstaff), um estudante de artes que, após um rompimento traumático com a namorada, vive com insônia. Para suprir isso, ele começa a trabalhar de madrugada em um supermercado e lá sua imaginação começa a despertar novamente juntamente do poder de parar o tempo e desenhar a vontade, bem como sua vontade de amar alguém, no caso uma de suas companheiras de trabalho.

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O que mais chama a atenção (tirando o excesso de corpos femininos nús no filme) é o estilo de fotografia empregado usando uma quantidade de filtros que realçam as cores mais fortes como azul e verde, bem como o branco em alguns sets como o supermercado. Além disso, a trilha sonora, que é o principal componente desta coluna, é um caso totalmente à parte no universo do cinema. Além das músicas originais criadas por Guy Farley, temos o uso de música clássica e contemporânea para personagens e momentos do filme.

Melhor que falar é ver. Por isso, a abertura do filme com a bela atriz Michelle Ryan (dos seriados “A Mulher Biônica” e “Dr. Who”) no papel de Suzy, mostrando sua raiva em câmera lenta ao som de “Casta Diva” de Vincenzo Bellini da ópera Norma.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=cdTF3S9TWeo[/youtube]

Beleza e humor em movimentos lentos e nada delicados com uma trilha sonora perfeitamente adequada, dando a impressão que a personagem, em seu ódio em slow motion está cantando. Durante o filme todo o uso de slow motion e cenas em que todos os atores em cena ficam congelados, exceto Ben é praticamente regra. Em se tratando de um filme em que o protagonista estuda artes, com certeza iríamos ter cenas de nudez, nada agressivas diga-se de passagem, mas ainda assim, nús.

Em uma destas cenas, que se passa na sequência desta abaixo, Ben começa a descobrir seu dom de parar o tempo e usa-se disso para despir as clientes do supermercado e desenhá-las. Pena que o youtube não autoriza esse tipo de cena, senão eu postava aqui porque vale a pena. A música que acompanha a cena inicialmente é “Inside” da banda Bang Gang. A seguir, uma das músicas de Guy Farley. A sua trilha lembra muito, em alguns momentos, a trilha de “A Estrada Para Perdição” de Thomas Newman.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=FAmJyN0YKzY[/youtube]

Pena que a cena terminou né?! Hehehe, mas eu confio em meus leitores para que busquem a cena em questão, vale a pena mesmo, em qualquer sentido que possa ser dado a ela. Quem aprecia um belo corpo feminino vai gostar, quem gosta de cinema vai gostar, ninguém perde.

Após um tempo, Ben se apaixona por Sharon (Emilia Fox), mas ao que parece ela está saindo com o gerente do supermercado, que não se cansa de se gabar para Ben e os outros funcionários. A paixão dele o marca de tal forma que quando ele e seu amigo vão até um bar de strip, contratar uma moça para uma festa que eles irão, ao som de “Set it Off” de Peaches, Ben começa a ter ilusões com Sharon dançando para ele.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=C7SjDISx0ak[/youtube]

Sharon e Ben se aproximam, e marcam de ir junto à festa. Sua paixão por ela o faz criar mais e mais desenhos e pinturas, tornando-a sua musa em todos os sentidos, tirando seu fôlego, e após muitas semanas, seu sono volta com tudo, depois que ela o beija na saída do trabalho.

Na festa em questão, Ben se vê diante de Suzy novamente, na qual Sharon tinha ido atrás dele depois que os dois tiveram um momento no dia anterior. Na trilha do fundo após o tempo parar, “The Power of Love” de Frankie Goes to Hollywood.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=FXcBiQSa2-o[/youtube]

É engraçado como é feito o uso da trilha sonora incidental. Cada instante na vida de Ben ganha um tipo de trilha, é mais ou menos como se as músicas estivessem em sua cabeça e nós estivéssemos ouvindo diretamente de dentro dele. Isso nos leva ao estilo de narrativa do filme, que, é quase uma primeira pessoa, com o espectador podendo ouvir os pensamentos de Ben e ao mesmo tempo a trilha sonora. Ainda assim, a realidade e a ficção se confundem a cada instante, com Ben parando o tempo e olhando para o nada.

Fica sempre a pergunta no ar, ele pára o tempo ou simplesmente estamos vendo o tempo como ele vê? Analisando, imaginando e explorando ao máximo as possibilidades do dia a dia dele. Talvez essa seja uma das belezas do filme, ficar se indagando o quanto daquilo que vimos na tela é real ou imaginário.

Por fim, Ben e Sharon se reencontram em uma exposição dos trabalhos dele e tudo se arruma e ouvimos a bela música “She” da banda Grand Avenue.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=1ajvse9G1zM[/youtube]

Eu digo que Cashback foi uma das boas surpresas de 2007 que eu não vi nos cinemas e nem nas locadoras, ficando jogado em algum canto escondido das distribuidoras de cinema do Brasil. Ainda assim, quem puder assistir, por favor, faça e me diga se realmente eu estou sonhando ou se esse filme é tão bonito quanto eu realmente achei.

J.R. Dib

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