Ambrosia Críticas Não há limites geográficos para Asghar Farhadi em "Todos Já Sabem"

Não há limites geográficos para Asghar Farhadi em "Todos Já Sabem"

Asghar Farhadi é um dos diretores que mais se aproximam da noção do poder do cinema quando ele efetivamente consegue ser universal. Seus filmes, demasiadamente humanos, chegam ao paroxismo dessa potencialidade, ou será que alguém conseguiu ficar indiferente às suas cronicas humanistas e cotidianas como O Passado ou A Separação? Agora o cineasta mergulha na Espanha profunda, em seus signos mais significativos – entre eles os atores Penélope Cruz e Javier Barden– em seu novo trabalho, Todos Já Sabem. E sim, seu talento em extrair conflitos da construção de seus personagens continua tinindo.

Na trama, passada em um pacato povoado espanhol cercado por vinhedos, testemunhamos um misterioso sequestro durante as comemorações do casamento de Ana (Inma Cuesta), irmã de Laura (Penélope) – que partiu da Argentina com seus filhos para prestigiar a cerimônia ao lado dos familiares do vilarejo.

Quando a família começa a investigar o sequestro, traumas e segredos envolvendo a vida de Laura, de seu atual esposo, Alejandro (Ricardo Darín), e do seu antigo namorado, Paco (Javier), vêm à tona. O que essas relações representam como motivação para o desaparecimento é o que move a narrativa e reconfigura laços familiares.

Farhadi trafega aqui num sutil híbrido de suspense com melodrama prestando sempre bastante atenção na dimensão que seus personagens trazem em si para contar sua história. Vamos sendo envoltos por aquele vilarejo e quando vemos já estamos imersos na tensão que o roteiro vai criando através de diapasões que envolvem a controvérsia de uma família patriarcal, discrepâncias sociais e o passado ainda veemente no presente.

Tudo isso trabalhado de maneira sutil, com uma câmera observativa que tanto privilegia seus indivíduos, quanto expõe as fraquezas de sua própria construção dramática, como o mal aproveitamento do personagem de Darin na história. Esse ponto de vista íntimo e pessoal do diretor, uma marca, torna a experiência de assistir seu trabalho cada vez mais sofisticada em seus efeitos, e universal em seu alcance emocional. Ou seja, ele conseguiu mais uma vez. 

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