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“O Preço do Amanhã” não leva adiante o que tem de mais interessante…

"O Preço do Amanhã" não leva adiante o que tem de mais interessante... | Ambrosia | Revista Ambrosia

Uma boa ideia as vezes pode ser um tanto perigosa. E, em se tratando de cinema, sob os mais diversos e complexos aspectos, O Preço do Amanhã só reforça esse pensamento. Vale dizer que o terreno da ficção científica é perfeitamente adubado por ideias mirabolantes de um futuro (próximo ou não) e isso, de vez em quando, vai surgindo pela seara do cinema. Principalmente o americano. Mas poucos conseguem ir além de uma pretensão “roteirística” ou oportunismo mercantilista de Holywood.

Um dos poucos a honrar o gênero é o subestimado Minority Report, de Spielberg, que não só conseguiu dar forma a uma intrincada teoria social, como conjugou muitíssimo bem suas necessidades de ser um (inteligente) Blockbuster.

O Preço do Amanhã é mais uma investida do diretor e roteirista Andrew Niccol no gênero, tendo tido bons e maus momentos em filmes como Gattaca e O Show de Truman (do qual foi roteirista). A trama tem uma interessante sacada: A vida de um indivíduo no futuro é a moeda de troca da sociedade. E todos param de envelhecer ao fazer 25 anos. Quantos mais anos você tem – num vistoso holograma no braço – mais rico você é. O herói Will Salas (Justin Timberlake, cada vez mais presente) não faz parte dos abastados e sofre perdas significativas por esse apartheid, até que num lance de sorte, salva um ricaço da morte e com isso, obtêm muitos anos de vida, mas acaba pagando um preço bem alto por isso.

"O Preço do Amanhã" não leva adiante o que tem de mais interessante... | Ambrosia | Revista Ambrosia

O roteiro começa bem e vai se fragilizando no decorrer da projeção. Como se levantasse uma reflexão e abandonasse a discussão em nome dos ditames da pecha de “filme de ação”. É tanta correria que começam a aparecer os buracos na história, inclusive afetando seu clímax.

Por outro lado, os bons momentos da história são firmes na implementação daquela realidade, além do fato da direção de arte não se deslumbrar no dito futurismo e focar numa ambientação mais realista, ajuda muito. Amanda Seyfried e Cillian Murphy defendem com correção seus papéis, e Justin vem se firmando como o astro do momento (e até convence). Se Niccol levasse mais a sério sua ideia brilhante, teríamos um filme espetacular. Porém, por se perder nela ou tentar adequá-la às aritméticas dos dólares, acabou sendo apenas mais um “filme de correria” que se repetirá incessantemente nas tardes de domingo da nossa TV.

[xrr rating=2.5/5]

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