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“Operações Especiais” desmonta desconfiança e empolga

Operações Especiais é um tipo de filme, dentro do panorama do nosso cinema, que gera alguma desconfiança. Tanto pelo tema em si, que virou lugar comum em nossa cinematografia, quanto pelo percurso do diretor Tomás Portella ate aqui. Mas o filme precisa de pouco mais de meia hora para nos convencer de sua eficácia nesses dois pontos de desconfiança.

Cléo Pires interpreta (no automático) Francis, uma atendente de banco, cansada da violência no âmbito carioca, que decide prestar prova para um concurso público, passando a ser uma policial. Achando que ficaria em áreas burocráticas, logo é convocada para uma cidade interiorana fluminense, cheia de bandidos fugidos da implantação das UPPs na capital carioca. Porém, ela é desacreditada na instituição militar por ser mulher, sofrendo bullying dos seus colegas, principalmente de Roni (Thiago Martins).

Com o tempo, Francis conquista a confiança do chefe da operação, Capitão Fróes (Marcos Caruso, excelente), mostrando que não é apenas um rostinho bonito.

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Portella conduz a trama com mão firme e tanto o entrelaçamento dramático de seus personagens (ainda que sem grandes aprofundamentos), como as cenas de ações são bem conduzidas.

Mas o longa deve muito de seu condensamento à construção e interpretação de Caruso, como o sábio e frasista delegado Paulo Fróes, que merecia um filme só seu, tamanho seu poder cênico.

Operações Especiais é empolgante e, comparado aos similares do gênero (como Federal e o hediondo Segurança Nacional), revela-se um competente filme de ação, de puro entretenimento, mostrando que o o diretor lida melhor com o gênero do que com a comédia (Qualquer Gato Vira Lata) e o suspense (Isolados).

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