Por anos podemos ver o aumento do mercado de salas de cinema no Brasil e no mundo e, com isso, uma queda na prestação de serviços e no público das salas, talvez até por uma mudança no status social das salas de cinema. Já falei disso antes em algumas resenhas, quando fiz reclamações da massificação dos cinemas e qualidade das salas em que assistimos os filmes.

A cada dia que passa, há uma clara deterioração da cultura cinéfila, levando às salas de cinema certos indivíduos que sequer deveriam sair de casa, muito menos estar dentro de uma sala de cinema. Ver essa cena da foto acima é praticamente impossível hoje em dia.
Mesmo Tim League, dono do Alamo Drafthouse, um cinema de Austin, Texas que fez e faz história até hoje, sendo o ponto focal de diversos eventos anuais, bem como, uma das salas no qual Quentin Tarantino gosta de apresentar seus filmes em primeira mão, apresentou sua reclamação sobre a baixa qualidade do público que se encontra nos cinemas.
É cada dia maior a quantidade de reclamações que se escuta ou vê em uma sessão de cinema, especialmente relacionada ao público, à apresentação do filme, à falta de respeito com os horários e o amadorismo das redes do mundo. Aqui no Brasil a situação parece ser ainda mais crítica.

A situação apresentada a seguir aconteceu com casal de amigos, mas é comum para qualquer frequentador de cinema: Numa sessão do filme “Lua Nova” na rede UCI, havia um grupo de jovens moças e um rapaz falando bastante antes do filme começar. Até aí, nada demais, mas ao começar os trailers, uma das garotas resolveu que tinha que ligar para a mãe e chegou ao ponto de pedir o celular deste meu amigo. Após o filme ter início as pessoas ainda conversavam e, mesmo ao som do “shhh”, não houve resposta. As pessoas só pararam de falar quando, após um ataque de raiva, o rapaz que conversava com as meninas recebeu uma chuva de pipocas pelas mãos do meu amigo. A atitude foi irracional? Provavelmente. Descabida? Não sei. Mas foi, acredito, mais do que merecida.
Parece que cada dia que passa as salas de cinema são tomadas por pessoas mal educadas e que simplesmente acham que podem ir em um cinema e ficar de papo como se estivessem em um bar. Pior que que isso são as pessoas que não conseguem ler as legendas (ou falar inglês, ou qual for a língua do filme, fluentemente) e que ficam perguntando o que foi que o personagem disse ou, as pessoas que levam crianças pequenas para ver filmes legendados:

– “Mãããããeee, que ele tá dizendo?”
Não é preciso dizer o quanto isso é chato, irritante, deprimente e um disparate para os outros frequentadores do cinema. Ainda se aceita no caso de um filme infantil, mas como todos os filmes desse gênero hoje em dia tem versões dubladas (muito boas por sinal), eu não preciso de pessoinhas nas salas de cinema reclamando. Eu fui uma delas e sei como é irritante.
Passando para o lado de lá das projeções, empresas como UCI e Cinemark perderam e muito sua qualidade nos últimos anos. Tive o desprazer de assistir “Star Trek” este ano em um cinema Cinemark e, durante uma das cenas de batalha espacial, o som sumiu. Parecia que eu estava assistindo “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. O filme ficou assim por mais ou menos 5 minutos sem que sequer um projecionista fosse verificar o porque disso. Agora, o filme foi rebobinado para que a platéia pudesse rever a cena com clareza e som ideal? Claro que não. O pior é que este não foi um fato isolado e por diversas vezes, em salas distintas de cidades diferentes, de redes diferentes, o som sumia.
Para piorar, aparentemente quase todos os funcionários destas redes são despreparados e inaptos, demonstrando uma clara falta de treinamento e profissionalismo. E ainda os donos, gerentes de cinema ou representantes das redes dizem que tem que aumentar os preços devido ao uso excessivo de carteiras de estudante falsas. Somos obrigados a pagar de R$ 14,00 a R$ 24,00 por sessão para sermos mal atendidos, encarar filas, assistir uma projeção de péssima qualidade, com cadeiras ruins, quebradas ou quebrando e ainda, no caso do Cinemark, ter de ouvir a rádio Cinemark/TRAMA antes dos filmes, que é uma das piores coisas que se poderia ouvir. Pelo menos o UCI sempre passou música clássica, que é bem melhor.

Ainda falando do amadorismo dos cinemas brasileiros, a construção apressada de alguns deles, sem a devida atenção ao isolamento acústico, causam diversos transtornos às platéias distintas. Enquanto uma sala escuta um monte de explosões do filme, a outra também escuta, porém nesta temos o personagem principal morrendo e todos chorando ao som de ecos de explosão e robôs se transformando em carros (valeu Cinemark, de novo!!!).
Para piorar, ainda existe a cota de filmes nacionais obrigatória para as redes de cinema, o que implica em obrigar os cinemas a adequarem seus horários, ou em repúdio à essa decisão, manter alguns bons filmes em horários escondidos como por exemplo as 13:45, ótimo para quem trabalha (NOT!!!). Entendam que eu não estou atacando o cinema nacional, porém, estabelecer cotas para os cinemas é dar desculpas para que as redes aumentem o preço com base na pequena quantidade de pessoas que vai querer assistir filmes nacionais desconhecidos. Ainda bem que ainda temos a Xuxa todo fim de ano para diminuir um pouco as perdas das redes.
Será que eu preciso falar do preço absurdo praticado pelas redes na venda de seus produtos na Bomboniere ou refrigerantes e pipoca? Melhor nem entrar neste mérito, mas deixo meu repúdio registrado em sinal de protesto.
Os cinemas do Brasil tem de mudar urgentemente e junto deles o público pagante tem que aprender a assistir um filme com a boca fechada e prestando atenção no que supostamente pagou para assistir, senão, daqui a pouco cinema vai ter que ter cadeira marcada como teatro e lanterninha sentado nas salas de projeção mandando o povo calar a boca.
E não adianta reclamar diretamente nos sites das empresas. Já mandei diversos e-mails para a central de contato do Cinemark e do UCI que nem se deu ao luxo de me responder as solicitações. Talvez eles precisem aumentar novamente os preços para instalar um SAC que preste e que dê o devido respeito aos espectadores que estão pagando uma nota preta por um serviço de baixa qualidade. Assim, fica aqui meu registro sobre a insatisfação de se assistir cinema atualmente e, se você também se sente como eu, deixe abaixo seu registro, assim quem sabe um dia alguém nos dê atenção!








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