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“Ressurreição” reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora

Considerada por muitos A Maior História de Todos os Tempos, a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo é adorada e reverenciada em, praticamente, todas as partes do mundo. O cinema já a contou de diversas formas, algumas de maneira bastante polêmica, como os marcantes “A Última Tentação de Cristo”, que Martin Scorsese lançou em 1988, e “A Paixão de Cristo” (2004), onde Mel Gibson não poupou o público do desconforto de ver o Filho de Deus ser torturado e massacrado antes de ser crucificado (e depois também). Na tentativa de ser mais original, o diretor Kevin Reynolds resolveu contar a história através dos olhos de alguém que não acreditasse no Messias ou seus milagres. O resultado é o filme “Ressurreição” (“Risen”, 2016), que mesmo com uma premissa um pouco mais original que outras produções sobre o tema, acaba como mais do mesmo em alguns momentos. Mas mesmo assim, não compromete o resultado final.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaAmbientada semanas após a crucificação e morte de Jesus (aqui chamado pelo seu nome hebreu, Yeshua, e interpretado por Cliff Curtis), o tribuno romano Clavius (Joseph Fiennes) recebe uma missão de Pôncio Pilatos (Peter Firth) para descobrir o que aconteceu com o corpo do proclamado Rei dos Judeus, para acabar com os rumores de que ele teria voltado dos mortos, o que poderia causar uma rebelião em Jerusalém. Auxiliado pelo jovem e ambicioso Lucius (Tom Felton), Clavius começa a sua investigação e chega a interrogar pessoas que passaram pela vida de Yeshua, como Maria Madalena (María Botto). Só que, quanto mais se aprofunda no caso, mais o militar começa a questionar sobre suas próprias crenças, especialmente quando passa a ter contato com os apóstolos, como Simão (ou Pedro, vivido por Joe Mánjon), e sente que alguma coisa nesta história pode ser mais verdadeira, e ao mesmo tempo inexplicável, do que ele gostaria de imaginar.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaO diretor Kevin Reynolds, mais conhecido por suas parcerias com Kevin Costner em “Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões” e “Waterworld – O Segredo das Águas”, realiza um trabalho que, se não é espetacular, também não é abaixo da média em “Ressurreição”. O único problema, porém, está no ritmo irregular que ele impõe ao filme, que começa um pouco arrastado e cansativo, mesmo com partes instigantes, como as investigações e os interrogatórios feitos pelo protagonista, dando um ar de trama policial. Do meio para o final, o cineasta consegue empolgar um pouco mais, deixando um pouco de lado seu tratamento até então formal de suas imagens, para ousar um pouco mais com movimentos de câmera mais inusitados, que aproveitam melhor as belas locações da Espanha e de Malta, onde o filme foi realizado. Mas algumas cenas, como a pescaria dos apóstolos, chamam a atenção negativamente porque deixam claro que foram feitas em estúdio.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaQuanto ao roteiro, escrito por Reynolds e Paul Aiello, não há grandes inovações em relação à sua história, que passa pelos principais momentos ocorridos durante a morte e ressurreição de Cristo. Quem já a conhece bem, especialmente da Bíblia, não se surpreenderá ou se sentirá ultrajado, como alguns se sentiram com a versão de Scorsese, por exemplo. O texto se preocupa mais em mostrar os conflitos que Clavius sofre durante a trama e o faz razoavelmente bem, de uma maneira que não é ruim, mas não chega a ser espetacular, até o desfecho bastante óbvio.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaÀ frente do elenco, Joseph Fiennes quase complica a sua atuação por causa de suas expressões faciais quase imutáveis. O ator, irmão de Ralph Fiennes e mais conhecido pelos seus trabalhos em “Shakespeare Apaixonado” e “Elizabeth”, não tem obtido grandes performances nos últimos anos e, infelizmente, não se sai bem aqui, especialmente quando deveria despertar mais emoção com seus sentimentos conflituosos. Tom Felton realiza aqui mais uma variação de seu papel mais famoso, o do malvado Draco Malfoy da franquia “Harry Potter”, e é pouco aproveitado, assim como Peter Finch.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaMas o grande e principal destaque é mesmo Cliff Curtis, que tem uma de suas melhores atuações no cinema. Além de ser um Jesus (ou Yeshua) mais crível, fisicamente falando, Curtis esbanja carisma como o Messias, fazendo não só os apóstolos, mas também o público, terem fé em suas palavras e seus ensinamentos. É uma pena, no entanto, que, embora tenham acertado na escolha de seu cristo, a produção tenha errado na escalação dos atores que fazem os apóstolos, pois alguns deles não se parecem em nada com habitantes da região de Jerusalém, com seus cabelos loiros e olhos claros. Um descuido que poderia ter sido evitado.

"Ressurreição" reconta a volta de Cristo à Terra de forma respeitosa e pouco inovadora | Críticas | Revista AmbrosiaNuma época em que a versão da Rede Record de “Os Dez Mandamentos” faz sucesso tanto na TV quanto no cinema (embora haja controvérsias em relação a isso), “Ressurreição” pode encontrar o seu público no Brasil, que está ávido por mais histórias religiosas. O filme pode não “converter” o espectador, mas também não deve ser desprezado e pode ser conferido por todos, sem maiores problemas. Seja qual for a religião que você acredita.

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Publicação Célio Silva