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Seriam trailers os grandes vilões do cinema atual?

Há tempos que os trailers têm sido puramente máquinas de venda de ansiedade em massa. Impossível assistir a um trailer e não ficar curioso, ansioso, nervoso e empolgado, ou tudo isso ao mesmo tempo. Afinal, é essa a serventia deles. Mas e quando o filme não tem nada daquilo mostrado no trailer? E quando a expectativa gerada é tão grande e o filme acaba decepcionando? Seria culpa do filme? Do diretor, roteirista, produtor, atores? Não. Mil vezes não.
Fato é que são os trailers os responsáveis por ditar o tom em determinado filme. Se for um filme de ação, quanto mais cenas de explosão, tiros, bombas, melhor. Um filme de romance deve ter cenas de amor, tragédia, beijos, casamentos, divórcios, o que for para ilustrar a dramática história do mocinho ou mocinha em busca da felicidade eterna. A fórmula tem sido a mesma por muito tempo, porém, a frustração só parece aumentar.
De acordo com uma pesquisa feita no ano passado, quase 50% dos americanos que são frequentadores de cinema acreditam que os trailers têm entregado muito do filme, mostrando as melhores cenas. Ainda assim, de forma contraditória, 24% deles afirmam que é a revelação do enredo que os faz querer assistir a determinado filme. A pesquisa foi feita pela YouGov Omnibus de 26 a 28 de Abril de 2013 e de lá para cá, pouca coisa parece ter mudado.
O problema reside em duas vertentes: o que é apresentado pelo trailer e em nós, espectadores. Isso mesmo, temos grande parte da culpa.
Ao assistirmos um trailer criamos uma expectativa além do normal. E aí, quando finalmente assistimos ao filme e ele não corresponde ao que esperávamos, é o suficiente para o taxarmos de ruim. Sendo que na verdade, ele não tem culpa nenhuma, nós temos. Fomos nós que nutrimos essa expectativa absurda em cima do filme, baseando-nos apenas no trailer e fugindo da realidade.

Por parte do trailer, mais e mais os estúdios tem saturado o público com trailers longos, alguns chegando até quatro minutos de duração, quando deveriam ter no máximo dois minutos. Sem contar na forma como ele é montado, contendo muitas vezes as cenas cruciais de um determinado filme. Em “O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro”, por exemplo, foram lançados tantos trailers, que mesmo sem ir ao cinema era possível saber tudo o que aconteceria no longa, inclusive as ditas partes secretas (o que inclui a última cena do filme), surrupiando assim, mesmo sem querer, parte da experiência que o espectador teria ao assistir filme na telona.
Pensando unicamente no marketing, alguns estúdios não parecem estar preocupados com quem os consome. Felizmente, há boas exceções, como é o caso da Lionsgate, que ao lançar o trailer de “Jogos Vorazes”, optaram por focar de forma superficial na história, mas, ainda deixando-a interessante, vendável. Não mostrou em momento algum a essência da trama que é a divisão dos distritos, a razão dos jogos existirem, os problemas enfrentados pelos tributos e assim por diante. Ponto para eles.

Como nem sempre isso acontece, proponho aqui um experimento, algo que venho fazendo há pelo menos dois anos. Não mais assistir a trailers (teasers são liberados), principalmente se for de algum filme que lhe interesse muito. Notará que a experiência e o prazer de assistir aos filmes no cinema, praticamente no escuro (com perdão da piada infame) será mais proveitoso.
Não chega a ser nenhum sacrifício, pois é uma simples lógica: não ver o trailer, faz que não exista uma expectativa absurda e assim, gera bem menos frustração caso o filme seja mesmo ruim, ou, renda agradáveis surpresas se ele for melhor do que o esperado.
No final, será satisfação garantida. Vai tentar?

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