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Sobrenatural repete fórmula batida

A mesmice das fórmulas de thrillers de horror que se espalharam pelo mundo nos últimos anos parece ter chegado a seu ponto limite em Sobrenatural (Insidious, 2010) do diretor James Wan, famoso por ter realizado o primeiro Jogos Mortais.

 

A receita de um filme de suspense/terror hoje em dia é bem simples:

  • Uma família aparentemente normal;
  • Uma criança possuída pelo capeta/espírito;
  • Uma casa com muita madeira para que possa ranger e fazer barulhinhos à vontade;
  • Uma velha esquisita que conhece os segredos do outro lado;
  • Uma trilha sonora horrível, mas que vai lhe causar tensão;
  • E por fim, momentos de susto pré programados que todos sabem que vão rolar, mas mesmo assim tomam o susto.

A fórmula já está gasta e é cansativo ficar sentado em um cinema esperando basicamente que venham uma série de sustos prontos para, ao final do filme tudo virar um horror ao pior estilo Freddie Krueger – que quase gera risos de tão malfeito.

Para começar o filme, os créditos iniciais apontam todos os sustos que o espectador vai tomar no decorrer do filme. Mãos fantasmas, rostos no espelho e na janela, etc. E para piorar, na hora em que o nome do filme aparece, toca uma música tão alta, no estilo dos filmes de suspense de Alfred Hitchcock, mas sem qualquer razão de ser e somente naquele momento, o que faz qualquer espectador ficar olhando tonto para a tela.

O roteiro frágil narra a história de uma família da qual um dos filhos sofre um acidente e entra em coma. Enquanto isso, fatos estranhos começam a acontecer a sua volta e logo é descoberto que não é a casa em que eles se encontram que é mal assombrada, mas sim a criança.

Patrick Wilson consegue interpretar um dos piores papéis da sua carreira, como o pai do garoto em cenas que beiram a comédia de tão mal escritas e interpretadas. O exagero na atuação de Rose Byrne como sua esposa só perde para a quantidade de cenas de susto que aprontaram para sua personagem. Nem vou comentar nada sobre a coitada da Barbara Hershey, que depois de interpretar explendorosamente em Cisne Negro, tem que se contentar com o mesmo papel da mãe preocupada, mas sem um roteiro à altura para fazer valer sua participação.

 

A famosa cena da criança fantasmagórica correndo pela casa? Tem. A cena do rosto no vidro? Tem também. Tem até as gêmeas do mal no fim do corredor, mas não da forma como Kubrick as usou e sim nos famosos flashs em que não havia nada e de repente, lá estavam as duas na sua cara, dando um susto na platéia.

Não sei por quanto tempo mais os filmes de susto irão durar no mundo do entretenimento. Filmes como Sobrenatural só servem para um susto momentâneo e não ficam marcados na vida de quem os assistiu. E não estou buscando respaldo em clássicos como “O Iluminado”, “Exorcista” ou “Psicose”. Basta voltar alguns anos e ver “O Chamado” ou “Os Outros”, filmes que souberam se apropriar de uma fórmula de sustos para marcar uma geração, coisa que “Sobrenatural” passa longe de fazer.

[xrr rating=0.5/5]

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Publicado por J.R. Dib

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