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“Ted” é uma divertida comédia na contramão da chatice do politicamente correto

O mundo anda mesmo muito careta. Hoje qualquer palavrão proferido por “ursinhos carinhoso” já é visto como revolucionário. Ainda bem que, nesse caso, a piada e a retórica são insumos de um filme realmente divertido. Se bem que a prerrogativa é considerável. Vindo de comédias televisivas, como American Dad, o diretor e criador de Family GuySeth MacFarlane inaugura com Ted  sua primeira direção de longa metragem. E pelo jeito com o pé direito, já que é considerado o grande sucesso da temporada nos EUA.

A trama é basicamente sobre John Bennett (Mark Wahlberg, um destaque) um garoto de oito anos sem amigos. Em uma noite de natal, ele recebe um ursinho de pelúcia de presente. Sonhando em ter um grande amigo, John deseja que o seu brinquedo ganhe vida. O que numa mágica (inexplicável) acontece de fato. Aos 35 anos, ele ainda vive com o ursinho e os seus passatempos agora se resumem a usar drogas, beber e falar besteiras. No entanto sua namorada Lori Collins (a sempre hipnótica Mila Kunis) que não gosta nem um pouco do estilo desleixado que o namorado leva a vida. Para ela, ele deveria passar menos tempo com o amigo peludo para dedicar-se a construir algo concreto na vida.

Não há nada de novo na traminha, que vem com a lição de moral, praticamente obrigatória nos estúdios americanos hoje em dia. Mas seus diálogos afiados, principalmente do tal ursinho, vão construindo um universo hilário de piadas sem o menor filtro, versando sobre drogas, 11 de setembro e até gozações com estrelas de Hollywood. O ursinho, dublado pelo próprio diretor, é engraçadinho e a qualidade técnica de sua execução é impressionante, como numa perfeita cena de briga (com muitas porradas) entre o “brinquedo” e John. MacFarlane demonstra domínio ao equilibrar seu humor negro com resquícios da tradicional comédia romântica, inclusive para tirar sarro dessa dualidade com a mesma dinâmica e sendo bem sucedido em todas elas.

Talvez pela grande expectativa gerada pela repercussão, tenha estranhado o fato de não ter gargalhado tanto quanto esperava. Mas como comédia é um filme certeiro, bem dotado de referências Pop (algumas expostas de forma geniais) e mesmo redondinho, agradável de se ver. Esse equilíbrio desequilibrado que o diretor buscou só foi corroborado pela química curiosa do urso e de Mark, que construíram uma relação tão orgânica que até os absurdos proferidos pela dupla perdiam seu possível peso de valor. Mais do que politicamente incorreto, o filme acaba sendo despretensioso e leve… Pelo menos, para aqueles que não têm paciência para caretice.

[xrr rating=4/5]

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