em

“Ted” faz rir (e muito) com um ursinho nada carinhoso

Na comédia americana de uns tempos para cá, um tipo de filme tem se tornado bastante frequente entre os lançamentos: o chamado Bromance, em que a trama gira em torno de dois protagonistas masculinos que passam por diversas situações “de macho” para que, no fim, comprovem a sua amizade. Os exemplos mais claros disso são Eu te amo, cara e a série de super sucesso Se Beber, Não Case. Mas nenhum deles foi tão inusitado (ou divertido) quanto “Ted”.

No filme, o garoto John Bennett, que é desprezado pelos outros meninos (inclusive um que é vítima de bullying), ganha de Natal um simpático ursinho de pelúcia, que ele batiza de Ted. Numa noite, como o Gepeto do Pinóquio, ele deseja a uma estrela cadente que seu novo companheiro possa interagir com ele. No dia seguinte, para a surpresa de todos, o brinquedo começa a andar e falar e se torna uma celebridade (aliás, as cenas que mostram Ted sendo entrevistado pelo Johnny Carson e a divulgação do “milagre” em vários canais de TV, são hilárias).

O problema é que o tempo vai passando e, tanto o urso quanto o seu dono só querem saber de ver TV, consumir drogas e viver sem muita responsabilidade, o que começa a incomodar a namorada de John, Lori (vivida pela bela e carismática Mila Kunis), que quer que o amado se torne um homem de verdade e cresça para valer. Para piorar a situação, a dupla precisa lidar com um fã maluco de Ted (Giovanni Ribisi), que junto com o seu filho, planeja sequestrá-lo.

O mais impressionante em “Ted”, é que o filme consegue equilibrar a doçura da figura de seu protagonista com a grosseria que ele é capaz de fazer, tornando-o um personagem agradável, mesmo nas cenas mais escatológicas, que podem até constranger os espectadores mais sensíveis. Apesar de ser desbocado e gostar de drogas e sexo, Ted é um bom companheiro que sempre quer o melhor para John. Aliás, Mark Walhberg surpreende ao fazer um trabalho muito bom vivendo o dono do ursinho que não tem perspectivas para sua vida, aos 35 anos. Ele prefere curtir uma farra ao lado de seu companheiro e ver pela milésima vez “Flash Gordon” do que tomar uma postura adulta. Quem diria que o Marky Mark se tornaria um bom ator!

O diretor Seth MacFarlane, que se destacou na TV com suas séries de animação “Uma Família da Pesada”, “American Dad” e “The Cleveland Show”, acerta no alvo em seu primeiro projeto com atores de carne e osso, mostrando que sabe como fazer humor no cinema. Além disso, ele se mostrou um excelente dublador ao fazer a voz e os movimentos de Ted, usando a mesma tecnologia que deu vida ao Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis”. A cena em que John e o urso brigam num quarto de hotel é primorosa, além de muito engraçada.

Uma coisa que pode levar o público às gargalhadas é a grande quantidade de referências pop que são apresentadas na produção. Mas o que ganha mesmo destaque é mesmo o “Flash Gordon”, especialmente para quem curtiu o filme, que é visto hoje como uma pérola “trash” (como este que vos escreve). Outro elemento muito bem sacado é a narração de Patrick Stewart (o Professor Xavier da série “X-Men”), que surpreende por usar sua voz elegante para dizer coisas inusitadas.

Como comédia, “Ted” é extremamente bem-sucedido e diverte pelas situações absurdas que são mostradas na telona. Mas ao mesmo tempo, mostra que, em algum momento das nossas vidas, as pessoas precisam mudar algumas de suas atitudes para seguir em frente. Especialmente para quem gosta de viver uma eterna infância.

[xrr rating=4/5]

Deixe sua opinião