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Tomorrowland transforma o sonho em burocracia

A Disney sempre trabalhou a fantasia como principal propriedade do gigante e poderoso conglomerado que se tornou. Há nisso uma legitimidade cultural importante até para os Estados Unidos como ressonância mundial.

Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível é talvez o filme mais pessoal da empresa como filosofia corporativa, mas, e até por isso, seu resultado é tão grandiloquente equivocado e sentimentalista. É tudo tão um problema de discurso que chega a surpreender que o diretor Brad Bird, o mesmo que constituiu uma dinâmica fílmica tão eficaz com os ótimos Os Incríveis e Missão Impossível: Protocolo Fantasma, tenha derrapado na junção de ingenuidade lúdica com irregularidade de ritmo de sua superprodução.

Tomorrowland já começa esquisito dada a excessiva engenhosidade – mais pra frente descobrimos ser uma opção estrutural gratuita – da trama, fragmentando uma a história de Casey Newton (Britt Robertson), uma adolescente otimista, que com a ajuda de Frank Walker (George Clooney), um cientista desiludido, embarca em uma missão repleta de perigos para desvendar os segredos de um local enigmático em algum lugar no tempo e no espaço.

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O roteiro é do controverso Damon Lindelof e isso na explica muito dos problemas do longa, uma vez que o roteirista (que fez fama com o seriado Lost), tem se especializado em entregar roteiros entre o enigmático e o picareta. Aqui, nota-se uma pretensão quase messiânica por parte da Disney, em expressar seu filme como uma grande mensagem institucional. O que é bem esquizofrênico em tempos atuais.

Para completar, da metade para o final, o filme perde completamente sua dinâmica, tornando-se cada vez mais piegas, com um clímax final beirando o constrangedor. Talvez o filme tenha sido feito para celebrar o lema de Walt Disney, mas mais até do que o mundo ter mudado, o próprio cinema lúdico está mais lúcido para tratar dos bons sentimentos. E o que era para encantar, acaba por levantar o seguinte questionamento: Walt Disney construiu o que construiu pelo que era ou pelo que acreditava ser? Tomorrowland, por enquanto, não responde a pergunta. Nem diverte como o trailer prometia… Apenas aponta que até para corroborar uma fantasia é preciso mais do que criar enigmas em torno de si mesmo.

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