AcervoCríticasFilmes

Uma Noite de 12 Anos é um filme que nos faz refletir sobre a democracia

Nos últimos anos o cinema argentino tem mostrado uma força inovadora, com filmes dos mais diversos estilos e de alta qualidade tanto em produção, execução e roteiro. O vizinho Uruguai também tem trago películas um tanto quanto interessantes e de boas temáticas. Nesse Uma Noite de 12 Anos, a co-produção entre os dois países trouxeram um dos filmes mais bonitos do ano, mostrando as passagem de 12 anos na prisão da ditadura militar Uruguai de três personagens que participaram do movimento Tupamaros, Mauricio Rosencof, Eleuterio Fernández Huidobro e José Mujica, que viria a se tornar o Presidente do país anos mais tarde.
Baseado nas no livro escrito pelo próprio Rosencof, mostra as auguras passadas pelos três durante toda essa passagem de tempo, no qual em muitos momentos eram proibidos de se comunicar com qualquer pessoa, inclusive os próprios guardas e entre eles mesmo. Passavam pelas mais diversas privações possíveis. As diversas transferências de quartéis pelo quais foram acometidos, muitas vezes sem saber aonde ficaram e mesmo se os companheiros estavam ou não nos mesmos locais que estavam.

Por ser baseado nas memórias de Rosencof, boa parte das peculiaridades das histórias são as que acontecem com ele. Uma das mais geniais foi quando mobilizaram toda a linha de comando do exército para que ele pudesse usar o banheiro. Ou mesmo, nas visitas das famílias que começaram a ocorrer quando a ditadura estava mais para o fim e ele vê a filha que nasceu quando ele tinha sido aprisionado. Um outra bela cena é quando ele desenvolve um grau de respeito e admiração de um dos comandantes de um dos quartéis em que estava encarcerado.
O filme mostra nessa passagem de longo tempo, como eles foram tratados nesse período, sendo chamados de apenas “sujos” de início, passando por momentos de torturas, que aqui usasse mais a tortura perpétua do isolamento total do prisioneiro, sem noção das coisas que estão acontecendo no mundo, sem poder se comunicar com os amigos ou mesmo com qualquer indivíduo. A tortura da alma desses três personagens durante mais de uma década, que depois se tornaram grandes espelhos para a sociedade uruguaia se tornar a uma democracia real justa dos últimos anos. Vemos hoje a figura tranquila, serena e inspiradora de José Mujica e no filme vendo o que ele passou, podendo ser tornar um homem amargo, revanchista, apenas segui seus ideais, se tornando o homem humilde e figura conciliadora que uma democracia que precisa de pessoas assim para se espelharem.

Deixe um comentário

Sugeridos
FilmesGamesTrailersVideos

‘Street Fighter’ Inova ao Lançar Trailer Jogável em Clima de Arcade Anos 90

Prévia interativa no YouTube Playable permite que fãs executem combos e golpes...

AstrosFilmes

Tim Curry (1946–2026): O Sorriso Sombrio que Iluminou a Cultura Pop

De cientista louco de salto alto em Rocky Horror a palhaço demoníaco...

CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

AstrosFilmesListasMúsica

Dolly Parton e Suas Parcerias Mais Inusitadas

De duetos com os Beatles e Sylvester Stallone a participações em comédias...

CríticasTeatro

Excelente montagem de A Gaivota, de Tchekhóv

O Armazém Companhia de Teatro está de volta com uma nova montagem...

CríticasMúsicaShows

Após longo hiato, Flávio Venturini festeja 50 anos de carreira no Rio com show inspirado

Assistir a um show do cantor, compositor e tecladista Flávio Venturini sempre...

CríticasSéries

Segunda temporada de “Treta” fica aquém do brilhantismo da primeira

Você sabe o que é uma série de antologia? É aquela série...

CríticasFilmesLançamentos

Champagne (2026): uma inesquecível viagem de pai e filho

Ali pela metade do filme holandês “Champagne”, Hans está conversando com um...