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Uma Noite em 67

Uma Noite em 67 | Filmes | Revista AmbrosiaUma Noite em 67 se inicia com Edu Lobo e Marilha Medalha no palco do teatro Paramount, cantando para um entusiasmado público e para as câmeras da TV Record, que produzia o Festival da Música Popular Brasileira. O evento, transmitido ao vivo pela televisão e rádio, parava o Brasil e tinha torcidas organizadas tão ou mais barulhentas que as de futebol. A data era 21 de outubro de 1967, e aquele foi o mais memorável dos festivais. Conhecido como o Festival da Virada, pela grande polêmica das guitarras elétricas – instrumentos acústicos eram um dogma até então-, foi também o dia em que a Tropicália se instalou definitivamente e mudou de vez a cara da MPB.


O documentário tem estrutura bastante simples, mas eficiente. As músicas são apresentadas sem cortes e, entre cada tape de apresentação, os concorrentes, organizadores e jurados do festival dão os seus depoimentos. Feijão com arroz. Alguns depoimentos são maravilhosos, como os de Chico Buarque, Sérgio Cabral (jurado) e Nelson Motta (concorrente como compositor). Outros, como o de Gilberto Gil, poderiam ser cortados pela metade – ele e Caetano Veloso tem maior destaque entre todos, o que empobrece um pouco os depoimentos em geral. É interessante notar que, apesar da importância histórica daquele dia, a maioria dos artistas envolvidos parecem não lhe dar tanta importância. Caetano até afirma que nunca foi muito fã de  Alegria, Alegria. Por ser um grande fã, fiquei esperando por um depoimento de integrantes d’Os Mutantes, que acompanharam Gil em sua Domingo no Parque,  mas entendo que eles não tiveram papel tão importante neste festival.

Um caso à parte no filme são as imagens da TV Record. Mas não só as bem preservadas imagens do palco e do backstage, mas a da platéia reagindo ferozmente – tanto aplaudindo quanto vaiando – a cada música e resultado, e também as entrevistas/bate-papos dos apresentadores do canal com os cantores. Numa mistura de excentricidade, ingenuidade e euforia, o casal de apresentadores são responsáveis por algumas pérolas do humor voluntário e involuntário enquanto comandam os microfones.

Uma Noite em 67 | Filmes | Revista AmbrosiaPara o público que presenciou ou acompanhou pela rádio/televisão na época, fica o gosto de uma doce lembrança expandida, com belas notas de rodapé. Para o público mais novo, que  conhece histórias e alguns poucos videos do festival que eventualmente passam na televisão – como Sérgio Ricardo quebrando seu violão num banco, irritado com as vaias -, é uma experiência elucidativa. Pequenos detalhes, como os trajes vestidos por cada um dos participantes e seus instrumentos musicais, tem pouca importância fora de contexto, mas ganham novos significados políticos e culturais. São enormes detalhes.

Uma Noite em 67 chega aos cinemas com o jogo ganho. Não é uma goleada, mas o time jogou suficientemente bem para garantir o resultado. Se não há ousadias ou uma tentativa maior de se construir uma narrativa envolvente em volta dos acontecimentos daquela noite, o filme cumpre o mínimo que os expectadores esperam: 90 minutos de nostalgia embaladas por Chico, Gil, Caetano, Edu, Roberto Carlos, Sérgio Ricardo, Os Mutantes e os MPB-4.

Trailer

Site Oficial

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