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Bitscópio: Guitar Hero

Mas Dib, essa série ainda existe, por que colocar no Bitscópio? Existia meus amigos, existia. A Activision cancelou todo o desenvolvimento do próximo jogo da série deixando uma interrogação sobre o prosseguimento da série nas mãos de outra desenvolvedora ou se haverá a criação de uma nova série musical nos mesmos moldes, mas com novos ares para ajudar a venda dos jogos a crescer. De qualquer forma, a franquia está atualmente morta e homenagem ao pioneiro dos jogos musicais, vamos relembrar do primeiro Guitar Hero.

Originalmente, a franquia se encontrava nas mãos da Harmonix e RedOcatane que desenvolveram conjuntamente o jogo e o controle periférico em forma de guitarra (no caso, uma Gibson SG). O controle simulava, com cinco botões no braço e uma barra no corpo, uma guitarra em escala levemente inferior e tinha sensores internos para perceber o movimento da mesma especificamente para se soltar os poderes do jogador, mas calma que isso fica mais pra frente. A RedOctane já tinha experiência com este tipo de periféricos quando os desenvolveu para o jogo de fliperama Guitar Freaks da Konami, que fez pouco sucesso nos EUA.

Em novembro de 2005 o jogo foi lançado e alcançou sucesso de crítica e vendas com grandes clássicos do rock reinterpretados por diversos artistas contratados já que até então, por não ser famosa, a franquia não havia conseguido nenhuma das gravações mestre das músicas em questão e nem autorização para uso de originais. Após o sucesso estrondoso dos dois primeiros jogos da franquia, ceder o uso das gravações originais por parte dos artistas era o padrão, com algumas regravações em meio a elas já que ficou claro que todos iriam sair ganhando com a distribuição daquelas músicas em uma nova geração que nunca teria conhecimento de tais músicas em meio a uma enxurrada de porcarias pops dos dias atuais.

O jogo vendeu 1.5 milhões de cópias no mundo todo.

As Músicas

Para se ter uma idéia, a música mais atual colocada no primeiro jogo era Take Me Out do Franz Ferdinand, de 2004. Haviam músicas da década de 60 como Crossroad do Cream de Eric Clapton, dos anos 70 como Ziggy Stardust de David Bowie e 80 como Texas Flood de Stevie Ray Vaughan. Claro que são mais de 30 músicas e a lista completa pode ser encontrada aqui. Porém, um dos maiores prazeres deste jogo não era apenas tocar as músicas, mas também liberar cada uma das novas músicas que iam subindo de grau de dificuldade ao ponto em que “Bark at the Moon” do Ozzy Osbourne tinha um solo final quase impossível na dificuldade média, o que levaria alguns meses de treino até poder ser tocado com uma leve qualidade nas dificuldades mais difíceis.

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Algumas boas surpresas aguardavam os jogadores mais velhos como Heart Full of Black do Burning Brides ou Fire It Up do Black Label Society, bandas mais recentes, mas com uma batida de hard rock clássico, como se vê em poucos lugares hoje em dia.

Na época, jogar com os três primeiros botões no Easy já era complicado, passar para o médio e o botão azul (o quarto) era algo fantástico. A existência do quinto botão (o laranja) era quase uma lenda. Aquilo era muito complicado! Como que eu vou fazer meus dedos apertarem essa sequência de botões? Isso é impossível. Hoje, muito mudou. O grande segredo do jogo é treinamento, como se fosse aprender a tocar o instrumento de verdade. Na verdade, a tendência é que os jogos se aproximem cada vez mais da realidade com o primeiro passo sendo dado pela Harmonix e Fender, que criaram uma guitarra que funciona de verdade e ainda toca no jogo no modo de dificuldade Pro do Rock Band 3.

Gráficos

Guitar Hero saiu inicialmente para o PS2 e usava bem a capacidade gráfica do console. Para quem acha que é só aquele monte de botões passando na parte da frente da tela, tem muita ação rolando no fundo com o seu personagem guitarrista demonstrando suas técnicas, bem como os palcos que eram cheios de animação e a galera que basicamente era um monte de gente repetida pulando ao som da música.

Ainda assim, eram a única diversão para quem não estivesse jogando, afinal, Guitar Hero 1 era para apenas uma pessoa, mas mesmo assim divertia em turma e ajudava a relembrar de uma série de músicas que há muito estavam esquecidas.

O jogo sempre foi clamado pela crítica por ajudar a nova geração a ter acesso a clássicos do rock até então esquecidos ou deixados de lado. A verdade é que, acima disso, a série ajudou àqueles inaptos ou preguiçosos demais para aprender um instrumento a ter seus momentos de rockeiro, ao encarnar diante de uma televisão, o papel de um guitarrista que vai subindo na vida até o estrelato. Além disso, ao conhecer novos artistas, os jogadores acabavam por receber indiretamente uma nova influência cultural em termos musicais, sem ser bombardeado pelo que radios e TV o forçam a ouvir.

Com o advento dos conteúdos baixáveis, essa expansão cultural acabou por ser maior ainda ao permitir não só baixar aquelas músicas preferidas, mas também jogar com pessoas ao redor do planeta, formando bandas e até mesmo conhecendo aqueles com um gosto musical parecido com o seu.

A série com certeza não irá acabar, mas sim dar uma respirada para que a saturação do mercado diminua. Quando isto acontecer, novos jogos virão e muito rock ainda será tocado enquanto isso.

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