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Bitscópio: Toe Jam & Earl

Dois alienígenas rappers caem na Terra e é sua obrigação controlar um ou ambos para que possam encontrar as 10 peças perdidas de sua nave para que possam voltar ao planeta Funkotron sãos e salvos. Porém, para complicar a vida destes dois visitantes, um grupelho de humanos chatos está em seu caminho.

A sinopse não faz jus ao jogo. Temos basicamente um sidescroller em plataformas 2D com gráficos que forçam uma perspectiva 3D com profundidade. Sidescroller em plataformas? Sim. Cada uma das “fases” do jogo é um andar em uma série de 25 plataformas que podem ser alcançadas através de um elevador que vai para a plataforma de cima ou caindo para a debaixo. O video abaixo com algumas das fases iniciais mostra bem isso.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=vloYvK2sK1g[/youtube]

Andando nestas plataformas temos três coisas: o terreno, os itens e os inimigos. O terreno é variável em textura, podendo conter estradas, gramados, lagos, armadilhas de areia, etc. Os ítens vem na forma de presentes que devem ser abertos para saber o que tem dentro. Tomates que podem ser usados como armas, patins foguetes, tênis estilosos para correr, tênis pula pulas, asas para voar, comidas boas e ruins. Já os inimigos são as classes mais baixas de seres que a humanidade já produziu: a mãe chata de supermercado com bebê no carrinho, dançarinas havaianas, nerds, dentistas sádicos, demônios, hamsters gigantes dentro de bolas, caixas de correio assassinas e mais.

Toe Jam é o magrelo vermelho com três pernas. Earl é o grandalhão bobão. Basicamente não há diferença de jogabilidade entre os dois, talvez mais na velocidade de movimento de Toe Jam, mas nada muito explícito. Jogar com qualquer um era divertido porque as armas nem sempre estavam disponíveis e conseguir se desvencilhar dos inimigos as vezes era uma tarefa de campeão. Para entender como eles cairam aqui, a abertura do jogo.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=0eJK8Lflkvc[/youtube]

A grande sacada do jogo foi, através do humor, fazer uma crítica à humanidade e suas “formas de vida inferiores“, mostrando caricaturas de pessoas que qualquer um de nós já encontrou em nossas vidas. Os próprios alienígenas são caricaturas dos rappers californianos do começo dos anos 90, tão bem revistos em GTA San Andreas muitos anos depois. Ambos usam gírias de rappers, com Toe Jam usando boné virado para trás e um medalhão dourado em seu pescoço e Earl com seus óculos e tênis de cano alto no melhor estilo All Star.

O jogo contava ainda com uma das primeiras trilhas sonoras com estilo rapper americano, com direito a scratch e tudo mais. O grande problema da trilha é o fator repetição, especialmente quando dentro do elevador passando de uma fase a outra. Tirando isso, os efeitos sonoros se amparam no clássico como o som dos tênis de corrida que lembram os desenhos do Papa-léguas.

Para se ter uma idéia, a Sega chegou a dizer que o jogo foi um fracasso de vendas logo após seu lançamento, porém, o game ganhou status algumas depois e explodiu as vendas logo que Sonic chegou as lojas no natal de 1991. Porém, ainda assim, as vendas não foram fantasticamente boas e a crítica o classificou como um clássico cult, sendo um dos preferidos em locadoras de jogos espalhados pelo mundo devido a sua jogabilidade simples e fator jogo cooperativo em telas que poderiam se separar, dependendo da distância entre os personagens.

Hoje em dia, Greg Johnson, criador dos personagens e do jogo, voltou a trabalhar para a EA (antiga Eletronic Arts), porém, ainda é detentor dos direitos sobre os personagens, sendo esta talvez uma das razões pelas quais nunca mais ouvimos falar de qualquer novo jogo da dupla de aliens.

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