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Game Tunes: Criado pelos fãs, para os fãs

Nessa edição extraordinariamente diferente do Movie Tunes eu vou focar no mundo dos games e dos vídeos criados pelos fãs para as mais diversas músicas das suas trilhas. Com a internet ficando de fácil acesso aos mais diversos cantos do mundo, e com a criação de trilhas sonoras de jogos de qualidade tão boa, senão melhor que de filmes, os fãs aproveitam para fazer seus próprios vídeos com as trilhas e sinceramente as músicas que já eram boas ficam ainda melhores nas vozes e até orquestras de nossos fãs.

Fã que é fã tenta tirar música de qualquer coisa que goste desde que começa a aprender a tocar qualquer instrumento. Os que mais aparecem em qualquer busca pelo youtube são sempre violão e piano, mas temos de tudo nesse enorme universo de vídeos baseados em jogos.

Em 2005 eu tive o privilégio de ir ao show do Video Games Live, uma iniciativa de levar a diversos cantos do mundo as músicas mais famosas dos nossos games, tocadas ao vivo por uma orquestra completa e com a adição de alguns músicos que saem em turnê e apenas ensaiam com orquestras locais. Tommy Tallarico (Halo) e Jack Wall (Myst, Mass Effect 1 e 2) são os criadores e com certeza além de ter o lado comercial, eles são fãs também. Com os fãs profissionais, eu começo este Game Tunes com uma das trilhas que eu mais adoro ouvir até hoje: Chrono Trigger/Cross.

[youtube]http://youtu.be/lOSk8XbfZDE[/youtube]

Chrono Trigger, para quem não conhece, é um jogo da década de 90, feita pela Square para o SNES e até hoje é reconhecido como um dos melhores, senão o melhor, RPG da história dos games. Em uma história que envolve viagens pelo tempo, escolhas que podem definir uma série de finais, personagens carismáticos e muito bem desenvolvidos e uma trilha sonora maravilhosa. Em todos os sites sérios, o jogo recebe nota 10 em todos os quesitos, inclusive replay value, ou seja, o quanto ele te faz querer voltar a jogar depois de zerado. A trilha é de Nobuo Uematsu, um velho conhecido dos fãs de Final Fantasy.

Com isso em mente, escute este trio tocando “Corridors of Time” da trilha deste mesmo jogo. Perfeição é pouco para esses caras.

[youtube]http://youtu.be/p636Rw_L3XU[/youtube]

Seguindo-se ainda as trilhas de Nobuo Uematsu para a Square Sof/Enix, descobri um trio de japonesas chamado Vanilla Mood que tem vídeos tocando medleys de todos os Final Fantasys. Como eu sou um imbecil que ama Final Fantasy X, fiquem abaixo com essas belas instrumentistas tocando uma trilha que praticamente foi a última trilha da série digna de nota.

[youtube]http://youtu.be/mWEOvJotgFI[/youtube]

Ela tem 3 EPs lançados lá no oriente e tem diversos vídeos na página oficial delas no youtube. Vale a pena conferir o vídeo que a pianista usa um keytar, no mínimo é inusitado.

Saindo um pouco do oriente e chegando nos EUA, em 2005 uma moça ficou famosa em um desses programas de caça a novos talentos, tocando apenas um violino. Seu nome é Lindsey Sterling e ela resolveu ficar famosa na internet com vídeos em parcerias, tocando as trilhas de diversos jogos como Skyrim, Assassin’s Creed e Zelda. Claro que alguns dos vídeos foram feitos com autorização das produtoras em razão da publicidade que trariam, mas só de ver ela tocando a trilha de Zelda usando uma roupinha igual ao do Link, já é divertido demais.

[youtube]http://youtu.be/b3KUyPKbR7Q[/youtube]

Falando em Skyrim, a trilha sonora do jogo tem 4 cds, sendo que um deles é apenas das músicas que ouvimos ao fundo, enquanto nada de importante está acontecendo, como por exemplo o caminhar pela floresta ou uma dungeon vazia. O restante tem uma quantidade absurda de músicas para todas as situações de jogo, sejam batalhas contra dragões (a música ajuda nessas horas porque tem vez que simplesmente o bicho já desce dando porrada e quando a música muda há tempo de se preparar).

Ainda assim, por se tratar de um mundo medieval, temos nossos bardos, que cantam as diversas histórias que aconteceram naquela mitologia. Uma dessas músicas se chama “The Dragonborn Comes” e tem diversas versões feitas pelos fãs. A mais bela de todas é a desta espanhola com o nome de internet singelo de Malukah.

[youtube]http://youtu.be/wr-buV4tYOA[/youtube]

Ainda há diversos covers feito por bandas de metal de garagem das músicas de Skyrim. Eu ainda estou para entender porque tem tanto jogador de RPG que gosta de metal e fica se constrangendo cantando em falsete uma trilha que obviamente precisa de alguém que tenha voz boa e não alta.

Mas talvez, o maior exemplo de uma música que literalmente foi feita por fãs para os fãs está na trilha sonora de Assassin’s Creed: Revelations. O tema principal do jogo é cantado por uma moça de 18 anos chamada Madeline Bell, que participou de um concurso feito pelos produtores para selecionar uma nova cantora. A página do concurso, com a submissão que ela fez ao juri formado por Hans Zimmer, Lorne Balfe e Simon Landry pode ser vista aqui.

Já a música, para quem jogou Revelations, é bem conhecida:

[youtube]http://youtu.be/sxDaOzsfSF0[/youtube]

A voz desta moça ficou na minha cabeça durante semanas enquanto eu zerava o jogo. Logo no final, créditos rolando e depois de tudo o que aconteceu, parecia que essa voz não saia da minha mente de forma alguma. Esta moça conseguiu o que muitas não conseguiram, unir sua paixão pelo canto com a possibilidade de cantar e ficar famosa para uma franquia de jogos e quem sabe seguir carreira fazendo isso.

Talvez isso sirva de inspiração para que os tantos outros fãs que fazem seu vídeos e participam dos concursos continuem seguindo em frente e tentando e fazendo seus vídeos amadores, alguns de qualidade duvidosa. Se quiserem mais Game Tunes, recomendo pedir já que os comentários nos últimos Movie Tunes foram inexistentes. Na semana que vem eu volto com mais trilhas e informações legais.

  • Muito legal o artigo, Dib. Serei o primeiro a pedir mais Game Tunes, porque sou outro gamer que aprendeu a amar as trilhas sonoras de jogos. É muito bom saber que nosso passatempo preferido passou do submundo para os holofotes, com cifras milionárias pra produzir jogos de qualidade e boa parte do orçamento vai para a música que nos embala enquanto o jogo se desenrola.

    Gostaria de sugerir pras próximas edições da coluna uma espécie de análise evolutiva das trilhas sonoras — de Yuzo Koshiro a Hans Zimmer — e também saber se o trabalho dos arranjadores é muito diferente de como se fazia trilhas antigamente na jurássica era de 8/16 bits. Uma dia assisti ao compositor da trilha de God of War explicando na tv como ele pegou as palavras “vingança” e “cólera”, traduziu para o grego com ajuda de alguém e utilizou a sonoridade dos termos gregos para dar o tom da trilha sonora. Desde então fiquei muito interessado e curioso de saber como esses profissionais criam seu trabalho, se utilizam alguma fórmula básica ou se cada projeto vira um devaneio à parte.

    Forte abraço!

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