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Em “Os Deuses de Marte”, Edgar Rice Burroughs expande a saga de John Carter

Vinte anos se passaram para John Carter desde as aventuras narradas no livro Uma Princesa de Marte e agora, mesmo após dez anos preso de volta à Terra, nosso destemido herói reluta em perder as esperanças de reencontrar sua amada Dejah Thoris.

Por trabalho do destino ou talvez força maior, novamente sua história muda quando, enfeitiçado pela beleza do planeta vermelho em uma noite estrelada, John Carter vê sua consciência se esvaindo para acordar novamente no fantástico planeta selvagem que conhecemos como Marte. E eis que John Carter retorna justamente num momento de grande necessidade para Tars Tarkas, o Jeddak de Thark.

Combatendo estranhas criaturas plantas e os temíveis macacos albinos, John Carter descobre se encontrar no mítico Vale Dor, local da peregrinação final dos povos de Marte que deveria ser um verdadeiro paraíso, mas que acaba se mostrando uma triste armadilha mortal criada “pela raça sagrada” dos Therns para escravizar os povos verdes e vermelhos de Marte. Indignado e resoluto em desfazer tal farsa, John e Tars contam com a ajuda da bela escrava Thúvia para escapar da terra dos Therns quando algo ainda mais surpreendente acontece…

Vindos dos céus, um ataque de Piratas Negros interrompe os planos de fuga do grupo de Carter e durante o caos surge uma oportunidade única de escape. Em meio à fuga, John Carter mais uma vez demonstra sua natureza cavalheirista ao sacrificar sua fuga para salvar seus amigos, e deixado só junto aos piratas, acaba conseguindo uma tentativa de fuga ao derrotar o capitão Xodar, mas acaba sendo posteriormente capturado.

E é justamente neste ponto que realmente começa a aventura de Os Deuses de Marte. Por uma segunda vez John Carter descobre que existe outra conspiração ainda maior sobre Barsoom, pois dentro das terras subterrâneas dos negros a “deusa” Issus se mostra uma idosa que manipula todas as crenças do planeta por incontáveis gerações através de misticismo e medo.

Sobre Carter pesa então a responsabilidade de salvar todos os habitantes do planeta de seu terrível destino e ainda reencontrar Dejah Thoris e seu filho, que para não fugir da regra, se encontrarão cativos no decorrer da épica aventura.

 

 

Publicado originalmente em 1913 na revista All-Story magazine e posteriormente em 1918 em romance único, com Os Deuses de Marte, o escritor Edgar Rice Burroughs ampliou o escopo possibilitando através de novos povos embutir ainda mais heroísmo ao personagem.

Uma grande questão que permeia este livro, e possivelmente tantos outros romances antigos, são certas idéias e posicionamentos do escritor. Como exemplo é impossível não citar as distinções raciais, o posicionamento em relação às mulheres, a escravidão e a relação do homem com o meio; mesmo sendo preciso contextualizar dentro da época em que fora escrito. Também por vezes cansativa é a personalidade unidimensional do personagem e a inocência de certos princípios da história, mas isto é facilmente digerível pela narrativa aventuresca que o autor apresenta.

De modo geral, Os Deuses de Marte é uma excelente adição para qualquer pessoa que goste do gênero ficção científica ou mesmo romances capa e espada, com o bônus de se viajar para outro planeta de beleza e maravilhas. Mais um ponto para a editora Aleph.

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