Literatura

Entre sereias e tritões, escritor mineiro Davi Dallariva lança fantasia queer

Publicado pela Editora Fantástica, autor de “Nas Ondas Verdes do Mar” transforma o oceano em cenário de amor, liberdade e fantasia

“[…] Davi Dallariva nos apresenta uma obra representativa e única, embalada por canções e tendo o mar como figura central. Prepare-se para se encantar com as sereias, os tritões e a magia da Cidade Cristalina, onde o amor e a diversidade são celebrados em todas as suas formas, e também com a vila de pescadores, palco de sentimentos e sonhos de personagens tão cativantes.”

— Lucas Samuel, autor de Apollo e Miguel: um legado de traição e magia, no texto de blurb do livro “Nas Ondas Verdes do Mar”

Sedução, beleza e mistério se encontram nas águas profundas que banham o imaginário do escritor Davi Dallariva. Em Nas Ondas Verdes do Mar (Editora Fantástica, 268 págs.), o autor mineiro leva o leitor por uma travessia poética entre o real e o fantástico, onde um jovem pescador descobre que o amor pode assumir tantas formas quanto as criaturas que habitam o oceano. A obra rendeu ao autor indicações como Melhor Fantasia (Prêmio Litera 2023) e Autor Revelação (Prêmio Libélula – Cadê LGBT). O texto de prefácio é assinado pela escritora e oceanógrafa Coral Daia e os blurbs pelos escritores Lucas Samuel e Francis Christ. 

O evento de lançamento está marcado para dia 22 de novembro, sábado, das 16h às 20h, na cafeteria Casa Jardins (R. Uberaba, 132 – Aurélio Caixeta), em Patos de Minas.

O protagonista, Daniel, herda de seus antepassados o ofício e o encantamento pelo mar. Para ele, o oceano é sustento e sonho, um lugar de mistério e de desejo. Em seu saveiro — barco que parece ter alma própria —, parte em busca de um peixe raro e acaba chegando a uma ilha deslumbrante, onde o canto das sereias muda seu destino.

Lá, é conduzido por Corália e Nori à Cidade Cristalina, reino submerso onde sereias e tritões convivem com outras criaturas aquáticas em uma rotina de encantamento, sensualidade e celebração. Entre os novos companheiros — Delfina, Pérola, Delta e Ciano — Daniel descobre que a liberdade amorosa é a lei do fundo do mar.

“Não há distinção entre os gêneros dos sereianos, principalmente no que se refere a toda essa sedução, afinal, um beijo de uma sereia deve ser tão incrível quanto o de um tritão. Sexualidade não é um tabu entre os sereianos, é algo visto com muita naturalidade. Ler uma história onde a sexualidade é tratada de forma tão leve foi revigorante, para dizer o mínimo”, comenta Coral Daia, no prefácio.

Mas a entrega total aos prazeres do oceano é interrompida por um incômodo constante: Daniel não consegue lembrar de quem foi, de onde veio ou o que deixou para trás. À medida que o tempo passa, o pescador se vê dividido entre a doçura do esquecimento e a necessidade de reencontrar sua própria história.

O amor da terra e o amor do mar

Enquanto o mar o seduz, vozes da superfície o chamam de volta. Por meio de cartas e lembranças, o leitor conhece Roberto, Marina e Madalena, amigos que compartilham com Daniel um passado de afetos e descobertas.

Mesclando entre cartas de Marina e páginas de diários dela e de Roberto, a obra revela um trio unido por amor, desejo e cumplicidade. Roberto é o construtor do saveiro e, de certa forma, da ligação mais profunda com Daniel; Marina sonha com o mar e vê no amigo o reflexo de seus próprios anseios; e Madalena, primeiro amor do pescador, parte em busca de um mundo novo, levando consigo um mistério que o protagonista tenta decifrar até o fim.

A alternância entre a vida da terra e a do fundo do mar cria o fio da narrativa — uma história sobre memória, identidade e a coragem de se deixar levar pelas correntes do desejo.

Da canção de Caymmi à fantasia queer

Inspirado no imaginário do litoral baiano, Dallariva homenageia os mestres Dorival Caymmi e Jorge Amado, de cuja canção “É doce morrer no mar” surge o título do livro. As ilustrações de Lincon Alencar reforçam esse clima de fantasia tropical, onde cada página parece brilhar como reflexo do sol na água. Para conhecer as canções que inspiraram a obra, procure “Nas Ondas Verdes do Mar” no Spotify.

Mineiro de Patos de Minas, o autor é professor e estudante de Letras. Escreve desde a infância e tem na fantasia o território natural de sua imaginação. “Comecei escrevendo contos, depois passei a fazer quadrinhos e roteiros, tanto para HQs quanto para teatro. Mesmo nas histórias mais realistas, sempre há algo de mágico”, afirma.

Dallariva também assina as HQs “O Sonho de Nick” e “LADY BLUE”, disponíveis na plataforma Tapas. Nas Ondas Verdes do Mar é seu primeiro romance.

Trecho do livro:

“O pescador cresce ouvindo essas histórias, ele sabe com o que está lidando quando lida com o mar. O mar é um mistério. Ou melhor, são vários mistérios em um só lugar. […]
Suas ondas verdes são carregadas de vida, perigo, traição, beleza e morte.
Mas, por mais carrasco que possa ser, o mar é, acima de tudo, amor.
E, naquela ilha, eu senti todo o amor do mar.”

FICHA TÉCNICA

Livro: Nas Ondas Verdes do Mar
Autor: Davi Dallariva
Editora: Fantástica
Ano: 2025 
Páginas: 268
Ilustrações: Lincon Alencar
ISBN: 9786585743716

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