Letícia Ávila imagina em romance uma cidade revolucionária

“Palco dos que sofrem” investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social  “Há livros que nos atravessam pela história que contam; outros, pela forma como escolhem contar. Este, no entanto, vai além: convoca a leitora e o leitor a…


“Palco dos que sofrem” investiga as marcas do patriarcado e propõe uma “ustopia” onde a cura e o apoio mútuo são a base de uma nova estrutura social 

“Há livros que nos atravessam pela história que contam; outros, pela forma como escolhem contar. Este, no entanto, vai além: convoca a leitora e o leitor a sentir, pensar e reconhecer-se nas camadas mais profundas das experiências femininas, nas múltiplas maneiras de existir e resistir.”

Trecho do prefácio assinado pela professora e pesquisadora Priscilla Lima

“Palco dos que sofrem”, romance de estreia da escritora e jornalista Letícia Ávila mergulha nas vivências de duas gerações de mulheres marcadas pelo autoritarismo masculino a partir da trajetória de busca pela verdade e autodescoberta da personagem Maria Beatrice. Guiada pelos escritos íntimos de sua mãe, encontrados muitos anos após seu falecimento, a jovem viaja até Conceição, cidade natal de sua matriarca, a fim de conhecer o passado de sua família. 

Em junho, a autora lança a obra em São Paulo, no Centro Cultural de São Paulo (CCSP), no dia 21, com acessibilidade em libras. Posteriormente, segue para Ilhabela, no Litoral Norte, para um workshop na Biblioteca Municipal da cidade, no dia 26, e evento de lançamento na Livraria Canoa, no dia 27. 

“O feminismo me ensinou que, antes de transformar a realidade, precisamos ser capazes de imaginá-la”, complementa. Escrever ficção permitiu a ela criar de um universo onde foi possível testar novas estruturas de poder e analisar como seriam as relações humanas se, de repente, elas passassem a ser fundamentadas no cuidado.

Ao sugerir a importância da cura e do acolhimento coletivo, a obra dialoga com o conceito de dororidade, criado por Vilma Piedade para nomear a irmandade que nasce especificamente da dor compartilhada entre mulheres negras, uma união forjada na intersecção do racismo e do machismo. “O tema central da trama não é a dor pela dor, mas como o fardo se torna mais leve quando compartilhado em uma rede de apoio”, reflete Letícia. 

O diário da mãe é um elemento central na narrativa. Ele serve para revelar o passado e, principalmente, a verdadeira voz de Nianca, mãe de Maria Beatrice. Dessa forma, mãe e filha deixam de ser “vítimas” de narrativas impostas por homens (como o pai da protagonista) para se tornarem donas de suas próprias histórias.

Segundo ela, o tema central do livro é o rompimento de ciclos. “É preciso investigar o passado para não repetir as mesmas dores no futuro, buscando uma linhagem baseada na verdade e no afeto, e não no silenciamento”, frisa.

FICHA TÉCNICA

Livro: Palco dos que Sofrem

Autora: Letícia Ávila

Número de páginas: 222

ISBN: 978-65-02-09524-9 

Gênero: Romance

Editora: edição da autora (publicação independente)Ano: 2026