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Resenha: Os devoradores de giz, de Oscar Aibar

Oscar Aibar é um escritor espanhol, começou nos quadrinhos depois entrou na literatura. Não conheço seus trabalhos nos tebeos, mas pesquisei e descobri que um filme sci-fi, meio trash de 1997, foi adaptado de uma HQ dele, o filme tinha Iggy Pop como protagonista. Atualmente trabalha com cinema, já dirigindo cinco longas, um seriado e alguns curtas, premiado no Festival de Cine Fantástico de Burgos pelo trabalho num filme sobre discos voadores. Na literatura, posso dizer que tenho mais familiaridade com o trabalho de Aibar. Seu primeiro livro, Tu mente extiende cheques que tu cuerpo no puede pagar, contos que abusam do que Almodovar abordou em seus filmes, li na internet.
Oscar Aibar
Já o segundo, uma ficção que tenho aqui, Os devoradores de Giz (Los comedores de tiza, tradução de Cristina Cavalcanti, Rocco) narra a surreal história de Ana que deste a infância tem a estranha mania de comer giz. Um vício, que mantém em segredo e vai condicionando sua existência. Para sair do momento em que se encontra aos trinta anos (drogas, sexo, amores, saudade e doses de giz) tenta entrar em contato com outros paranoicos que sofre de estranhas inclinações. Daí, um novo rumo em sua vida se dá, numa jornada ao epicentro de si mesma, um retrato de uma sociedade que sofreu os efeitos da década de 1990, com suas sequelas e manias, para não dizer bizarrices em sua própria definição.
Apesar do possa parecer, Os devoradores de giz é uma sátira sensível, com um narrador omnisciente, cujo papel no livro converte num dos pilares da intriga do livro: quem é ele e qual lugar ocupa na história? Durante a leitura podemos notar indícios leves sobre os quais podemos desvendar quando se articula a trama.
Temos nas páginas uma avalanche de momentos bizarros, situações que transmite o surrealismo contemporâneo, a irracionalidade normalizada através do cotidiano transmutada do surrealismo clássico que se adaptou aos rigores do novo século. Um livro que em alguns momentos mais parece uma sucessão de relatos do que um romance, mas bem delineados e resolutos em sua narrativa.
Em suma, Aibar traz um extremo freakismo, próprio do autor e mais ainda de uma literatura que procura na barbárie uma fórmula para desentranhar um Ocidente faminto de referências e verdades absolutas. Por meio de metáforas e alegorias Aibar traça um debochado retrato de sua geração em referência à disseminação das drogas, à vida solitária e à necessidade de meios contra a monotonia. Vale a leitura, entretanto pode criar  pelos hábitos incomuns apresentados.
 

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