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Ambrosia Entrevista: Melissa Auf Der Maur

Melissa Auf Der Maur tem em seu currículo nada menos que bandas como Hole e Smashing Pumpkins, tocando baixo e fazendo back vocal para ambas as bandas, bem como participação em diversos tributos a bandas como Black Sabbath. Com o fim destes projetos, no começo deste século a artista partiu para sua carreira solo independente, angariando uma pequena legião de “Caçadores e Curandeiros”, como ela bem gosta de chamar seus fãs.

Agora, depois de lançado seu segundo álbum, intitulado Out Of Our Minds (confira nossa resenha), aclamado por fãs e crítica como um dos mais inovadores albuns independentes dos últimos anos. Chegou a hora de Melissa descansar em férias merecidas após mais uma pequena turnê pela Europa, que encerrou mais este capítulo de sua carreira.

Porém, antes de descansar, este editor que vos escreve conseguiu uma entrevista exclusiva com Melissa, que demonstrou que pauta sua carreira em fugir da mesmisse que a música mundial vem se tornando à anos. Para melhor apreciação do texto, é claro que recomendamos também a todos que ouçam os dois discos de sua carreira solo!

Ambrosia: O Projeto “Out of Our Minds” ou apenas OOOM é totalmente diferente do que se poderia esperar da indústria musical nos dias atuais. Um álbum independente que foi acompanhado por uma história em quadrinhos e um filme, como essa idéia ganhou vida?

Melissa Auf Der Maur: É tudo baseado em um compromisso pessoal e criativo comigo mesma. Liberdade e expansão criativas. Era tempo de se tornar responsável pelo meu trabalho e como eu o faço e divido, assim como expandir como artista ao unir minha paixão por música e artes visuais/conceituais. Foi um projeto que demorou mais de três anos para ser feito e o mais duro que eu jamais trabalhei em qualquer projeto. Eu aprendi taaaanto e como resultado eu sinto que fiz algo que é uma reflexão verdadeira e holística de quem eu sou/era na hora em que o estava fazendo. Desde quando eu fiz o album, filme, quadrinhos e produtora independente do OOOM, muito mudou. A turnê, lançamento e suporte do projeto foi uma lição totalmente nova. Meu próximo projeto vai ser um reflexo disso, mas enraizado no meu novo e permanente compromisso com projetos multimÍdia independentes.

Ambrosia: Como você se sente por receber o prêmio de melhor album de alternativo/heavy rock no Independent Music Awards? Você esperava algo assim quando fazia todo esse projeto com todo o trabalho e dedicação que ele demandou?

Melissa Auf Der Maur: Eu nunca esperava que fosse ganhar um prêmio, esse foi o único prêmio que eu já ganhei tirando o de baixista dos anos de 1999 e 2000 entregues pela Gibson. Eu fico honrada por ser reconhecida pelo trabalho independente que eu coloquei nesse projeto. É claro que eu não pensava em nenhuma premiação quando fazia este projeto, somente pensava na recompensa (N.T.: ela aqui faz um chiste com os termos award e Reward que infelizmente o português não permite traduzir) de me levar a novos locais criativos.

Ambrosia: Aqui no Brasil os álbuns conceituais são algo raro, um que vem a mente é Temple of Shadows do Angra, o qual eu acredito ser um dos melhores deles. Na Inglaterra a idéia se espalhou melhor durante os anos 60 com The Beatles, The Who e Pink Floyd, todos fazendo grandes discos que extrapolavam as barreiras da mídia e se tornaram filmes. Como OOOM pode ser comparado a estes álbuns conceito em termos de experimentação e temática? Eles lhe influenciaram de alguma forma?

Melissa Auf Der Maur: A tradição do album conceito está enraizada no final dos anos 60, começo dos 70. Eu não sou diretamente influenciada por nenhum destes álbuns, mas tenho um ENORME respeito por eles. Eu penso que este tipo de álbum é um reflexo do artista e de momentos históricos de mais retrospecção e introspecção e de extrapolar os limites. Eu prevejo que mais álbuns conceito serão feitos na próxima década. É um momento em que as pessoas querem MAIS. A mídia de massa é muito superficial e romântica, pensando que as pessoas querem mais. Grande parte da minha motivação ao fazer esse album foi de poder oferecer MAIS. Meu primeiro album era composto por músicas mais diretas e eu senti um compromisso comigo e com o ouvinte de me aprofundar em mim mesma do que da primeira vez. Isso é o porque e como a música e o projeto evoluíram desde o primeiro album.

Ambrosia: Como você vê a situação econômica da indústria musical? Você acredita que compartilhar músicas pode a destruir ou, se bem utilizado, pode ser uma maneira do artista ganhar público?

Melissa Auf Der Maur: A música está em uma transição massiva. A situação econômica em geral é complicada, mas a indústria musical está em pior estado. Eu acredito que o declínio do estilo antigo e corporativo da indústria musical seja a melhor coisa que pode acontecer com a música, mas vem com desafios incríveis. Não há nada errado em compartilhar músicas. Isso não vai atrapalhar a música. É interessante como a tecnologia que destruiu as vendas de discos, deu poder aos artistas. Agora, podemos fazer álbuns mais acessíveis e os distribuir diretamente aos nossos ouvintes. Então, eu acredito que chegaremos em um ponto de equilíbrio no caminho. A transição é confusa e as vezes desafiadora, mas eu gosto disso!

Ambrosia: Você prefere tocar em grandes festivais ou em clubes menores, para menos pessoas mas que estão logo ali, onde você pode ver cada um, olho no olho?

Melissa Auf Der Maur: Eu tive o prazer de tocar em shows de diferentes estilos e tamanhos. Eu amo todos. De verdade. A intimidade é linda e o estranho oceano da massa humana é surreal. Os menores também são perfeitos. Cada um cria sua própria conexão especial entre a audiência e o artista. Ela trás a tona diferentes partes de cada um.

Você tem seu próprio website, página do facebook e conta do twitter para entrar em contato com os fãs e dividir informações e novidades com eles. Você acha que isso é um diferencial que você tem? Um grupo de fãs que tem a possibilidade de falar diretamente com você, fazer perguntas, retuitar algo que você diz e até mesmo conhecer seu ídolo pessoalmente durante os concertos?

Melissa Auf Der Maur: Eu penso que é muito comum de ter um contato direto com um músico de rock alternativo neste ponto. Eu vejo que é muito natural. Foi minha conexão pessoal como fã, com Billy Corgan do Smashing Pumpkins que abriu o mundo da música para mim. Naquela época era por telefone e cartões postais, agora temos computadores, pouca coisa mudou.

MADM por Lee Moyer

Ambrosia: Deixando a indústria da música de lado por um instante, eu acabei descobrindo que você ama ser fotógrafa no seu raro tempo livre. Você tem ou planeja lançar um livro com algumas das fotos que você tem tirado através dos anos, já que sua exibição Channels nunca se tornou um livro como você planejava em 2001?

Melissa Auf Der Maur: Sim, sim, sim, sim, sim. Eu estou finalmente conseguindo trabalhar em digitalizar meus arquivos fotográficos inspirada por uma apresentação que eu fiz na National Geographic na última primavera. Eles me convidaram para fazer uma apresentação da minha vida na música através da minha fotografia. Eu não havia vasculhado minhas fotos desde 2001 e agora com a tecnologia digital melhorada é mais possível do que nunca que eu possa organizar as minhas milhares de fotografias. Eu tenho mais de 20 anos de fotografias para editar. Eu espero que quando eu terminar com todas elas tenha surgido um novo formato de mídia para livros visuais e de áudio. Um que eu possa incluir sons, histórias e fotos junto. Eu não tenho pressa pois, com cada ano que passa, o contexto das fotos muda. Na verdade, a história das fotos pode melhorar com os anos… sem pressa, mas sim, eu vou lançá-las um dia.

Ambrosia: É possível que possamos vê-la no Brasil em um futuro próximo?

Melissa Auf Der Maur: EU QUERO IR AO BRASIL. Eu pedi aos agentes de concertos para os quais eu trabalho me ajudarem a chegar aí, muitas vezes. Não há pistas de como fazer acontecer. Eu sei que há fãs apaixonados no Brasil, Argentina, Chile e Mexico que eu vejo que me visitam online. Eu quero chegar a todos eles, eu vou continuar tentando. Se você tem alguma idéia, por favor, me informe.

Ambrosia: O que vem a seguir com o final desta turnê? Um novo album? Férias??

Melissa Auf Der Maur: Agora estou saindo para 4 dias de férias na Islândia depois de 2 semanas de uma turnê intimista pela Europa. Em março passado eu fui convidada para criar um show na minha cidade natal de Montreal, para um festival de artes chamado “Voices of the Americas”. Foi uma oportunidade de revisitar alguns dos meus próprios materiais bem como músicas de outros, com nova instrumentação e despido para um show mais ambiente e atmosférico. Usando sintetizadores e loops ao invés de baterias de rock, isso é uma exploração de outras direções musicais a se seguir. Então, essa turnê foi uma extensão deste experimento sônico e uma maneira de abrir novas portas e meus ouvidos para coisas novas. É quase como uma limpeza de paleta entre OOOM e o próximo capítulo. Estes próximos 12 a 18 meses serão dedicados a ir para dentro de mim. A ler, amar, sonhar, ficando em casa, caçando pelos próximos temas que eu irei explorar no próximo projeto. Eu sempre preciso de tempo para fazer algo novo. Como os últimos 3 anos foram totalmente dedicados ao OOOM, eu preciso de um tempo para achar algo novo. Esta curta turnê de primavera me levou a várias cidades na Itália e Suiça, bem como Viena e Londres, era isto que eu precisava para fechar o capítulo de OOOM e começar o desconhecido… fiquem ligados.

Fica aqui os agradecimentos pela atenção dada tanto pela Melissa, que se mostrou ser uma pessoa totalmente acessível, quanto por sua assessoria de imprensa que sempre foi prestativa através dos e-mails de contato. Para quem quiser se manter conectado com Melissa para saber o que ela anda aprontando, segue abaixo os links.

Quem sabe um dia aparece lá a confirmação de alguns shows aqui no Brasil.

Site oficial: xMADMx
Conta do Twitter: @xMAdMx
Link da página do Facebook

Crédito das imagens desta entrevista ao seu site oficial.

4 opinaram!

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  1. Sou fa dela desde o seculo passado e os 2 dusxos dela nunca sairam do meu mp3.

    Detalhe que ela fora dos palcos parece ser tao doce e ao mesmo tempo dividindo palco com malucos como Hole e Smashing Pumpkins.

    Destaque para partcipaçao no disco da banda Indochina(baixo e vocais) e do Ryan Adams Rock n Roll (baixo)

    Coloco ela entreno mesmo nivel dos grandes baixistas compositores como Sting, McCartney.
    E sua voz quase no mesmo nivel da Linda Perry
    Só falta a midia enxergar.

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Publicado por J.R. Dib

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