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Crítica: “Wilder Mind” e a nova sonoridade do Mumford and Sons

A primeira audição de Wilder Mind (Island/2015) surpreende a todos que estavam acostumados com o folk hipster da banda inglesa Mumford & Sons. O quarteto formado na capital do país em 2007 por Marcus Mumford (voz, guitarra e percussão), Winston Marshall (Banjo), Ben Lovett (teclado) e Ted Dwane (baixo) destoava da maioria das bandas contemporâneas, fazendo um misto de folk rock, bluegrass e country, chamando a atenção até de nomes como o ex-vocalista do Led Zeppelin Robert Plant, que em 2008 chegou a dizer que o Mumford era a única banda da nova geração que merecia ser ouvida. Logo em seguida veio a reboque toda uma leva de bandas também fazendo um som com influência do folk, como o The Lumineers.

mumford sons live wilder mind

Porém, neste novo trabalho, o Mumford deu uma guinada rumo ao pop rock contemporâneo bastante similar ao feito por bandas como The Killers e Muse, que têm como referência sonora os anos 80, numa trajetória semelhante a dos Kings of Leon, que também despontaram fazendo uma música americana de raiz e enveredaram para uma sonoridade pop oitentista. A mudança é sentida logo nos primeiros acordes da primeira faixa, ‘Tomkins Square Park’. Guitarras, bateria acelerada, parece até outra banda. Até o vocal de Marcus Mumford chama atenção pela mudança de estilo. A faixa seguinte é a primeira música de trabalho do álbum, ‘Believe’, que já se tornou um hit radiofônico. Apesar de uma (bem) leve conexão com o que a banda fazia anteriormente, a faixa mantém-se inserida da nova proposta sonora. E é logo seguida de ‘The Wolf’, que se inicia com um vigoroso e rasgado riff de guitarra. Seria uma tentativa de chocar os puristas do folk e causar a mesma polêmica de Bob Dylan quando introduziu guitarras em sua música nos aos sessenta?

A faixa título do álbum traz uma sonoridade mais leve, é o momento de desaceleração. Uma composição pop que segue a receita do gênero e se sai bem em sua proposta. Fácil de cantarolar e com intervenções de guitarra à La The Edge do U2. A quinta faixa, ‘Just Smoke’, acena sutilmente para passado da banda na estrutura de composição (há até marcação de palmas no refrão), mas revestida da nova roupagem. É um dos momentos mais inspirados do disco. ‘Monster’ e ‘Snake Eyes’ são a parte ordinária do álbum, poderiam até ficar de fora o que deixaria o trabalho mais redondo; já ‘Broad Shouldered Beasts’ se diferencia das demais evocando os anos setenta em outro bom momento do disco. ‘Cold Arms’ é outra remissão sutil aos trabalhos anteriores, seguida da interessante ‘Ditmas’. ‘Only Love’ e ‘Hot Gates’ fecham o disco sem muito brilho, mas mantendo a coesão.

mumfordNo todo, “Wilder Mind” é um disco correto, mas é também uma faca de dois gumes para o Mumford & Sons: por um lado é positiva a decisão de variar o estilo propondo um desafio, como Led Zeppelin fez em Houses of the Holy, os Beatles fizeram no Álbum Branco e o U2 em Achtung Baby e Zooropa; por outro lado, a mudança se deu na direção do confortável pop rock mainstream que não mostra nenhuma inovação há pelo menos dez anos. Valeu à pena? Só as vendas dirão, mas se era para mudar, seria muito mais interessante vê-los apostar em algo experimental, ou quem sabe, uma incursão ainda mais profunda no folk e no bluegrass.

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