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E esse feminismo de Lily Allen?

Saiu o videoclipe da nova música da Lily Allen, “Hard Out Here (for a Bitch)”. Conheci a música pela polêmica do dito cujo. Letra ácida com uma coreografia sexual, embalada pelo tom calmo e atitude objetiva da mulher que cantou “The Fear”. O vídeo foi dirigido por Christopher Sweeney – quem dirigiu “Young and Beautiful”, de Lana del Rey, e propagandas para grifes como Yves Saint Laurent.

Um composição sobre o machismo simples com que a mulher é tratada no show bussiness: como entretenimento sem almejar reclamar desse status. A mulher que rebola, se esfrega e não passa disso, ganha com isso, satisfeita.

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A letra é simples, já se inicia irônica (coisas de Allen) com “I suppose I should tell you what this bitch is thinking”; diz sem rodeios o que está acontecendo: “Don’t’ need to shape my ass for you ‘cause I’ve got a brain”; depois ri das aparências em “Inequality promises that it’s here to stay, always trust the injustie ‘cause it’s not goig away”.

Apesar do vídeo gritar contradições, do tipo liberdade ou libertinagem? A questão dos papeis da mulher negra e da mulher branca na sociedade, todo o circo chama atenção a liberdade da mulher contemporânea de falar e gostar de sexo, quando ao mesmo tempo lida com o fato disso ser o objeto de negócios. Além é claro de muitas cantoras e dançarinas por ai servirem apenas como corpos condescendentes de prazer visual – sem entrar no mérito da voz.

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Houve uma certa falação a respeito de uma crítica de Lily Allen sobre essas cantoras que aparecem quase nuas ao público, dirigidas por seus produtores: Lily já disse um  monte que gosta dessas garotas, sim, da Rihanna e da Miley Cyrus (inclusive declarou essa última como sua heroína). O problema, afinal, está nas palavras de ordens que as mulheres são obrigadas a seguir sobre o que elas querem e gostam. Rihanna, Miley, Lily Allen, talvez; As pequenas, sim.

Por falar em feminismo, Cyrus declarou-se, por ai, que se considera como a maior feminista. Numa geração das Marchas das Vadias, sua lógica está corretíssima. Verdade. E ainda: sua entrevista para a Revista Rolling Stones teve falas interessantíssimas. O corpo como meio de protesto é a pauta dessa voluptuosa pós-modernidade, e ainda figura nas planilhas de lucros das grandes gravadoras e produtoras.

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O sexo e o dinheiro são os territórios marcados mais difíceis e confusos de se erguer bandeiras e espaço. Mas todo movimento, ou braço dele, precisa avançar e ver o que dá. Já está incomodando e é bom ter de volta as canções de Lily Allen – ainda que a Jessie J esteja fazendo um bom trabalho no espaço que a garota de Smile deixou.

Sim, aqueles balões são uma reciclagem da ideia do vídeo sexista Blurred Lines. Por que?

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