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Estevão Lobo estreia com disco “Latino Nativo”

O cantautor, violonista e compositor Estevão Lobo estreia solo com o denso “Latino Nativo”, disco onde brinca com as raízes da música popular numa busca pelos elos comuns rítmicos e sociais do continente.

“O disco é um chamamento; uma convocação para nos atentarmos mais às nossas raízes em comum dentro do universo latino-americano. Essas origens perpassam desde os povos originários que aqui habitavam quando chegaram os colonizadores europeus, até os remanescentes indígenas ainda espalhados pelo Brasil e todos demais países hermanos vizinhos. Esse trabalho vem tentar exaltar aquilo que de comum nos constitui mais próximos e conectados entre nós e entre as coisas essenciais da vida; da terra, do ar, do fogo e da água que torna toda a vida possível”, reflete Lobo.

Mineiro de Entre Rios de Minas, Estevão se interessa por música desde a infância, passando pelos mais diversos estilos; do rock nacional e internacional ao samba de Cartola e choro. No entanto, duas influências se mostraram como grandes divisores de água no seu percurso: a bossa nova e o violão de João Bosco. No começo da vida adulta, começou a lidar profissionalmente com a música com a banda Cifras no Varal. Com eles, lançou o álbum “Roda dos Orixás”. Foi o primeiro passo do artista rumo a uma música que buscava a ancestralidade.

Isso se aprofunda no seu debut, fruto de uma campanha de financiamento coletivo, que traz a necessidade de enxergarmos a todos como descendentes dos povos originários cheios de sabedoria e diversidade. “Latino Nativo” foi produzido conjuntamente com Alexandre Andrés e conta com participações especiais das cantoras Iraty e Ilessi e de músicos renomados, como Cristiano Caldas e Natália Mitre, além de uma parceria com  Luiz Gabriel Lopes (Graveola, Rosa Neon).

“Esse lançamento representa o despertar para um caminho solo tentando expressar pela música e pela composição minha razão e ser/estar no mundo; observando as coisas ao meu redor, aquilo que me aflige ou acalma, tudo que é importante, significativo, ou até mesmo aquilo que é desprovido de sentido e é banal. Enfim, significa materializar eternamente um tempo fugaz através da arte que perpassa nossa cultura”, conta Estevão.

Ficha técnica:

Produção Executiva: Estevão Lobo

Produção Musical: Alexandre Andrés e Estevão Lobo

Gravação e mixagem: Alexandre Andrés

Masterização: Rafael Dutra

Arranjos: Conjuntamente construídos

Fotografias de capa e contra-capa: Natália Chagas

Ilustrações do encarte: Claudia Duarte

Arte gráfica: Duo Annyl

 

Faixa-a-faixa:

 

Ares da Terrinha: Essa canção foi como um renascimento no ofício de se compor e cantar. Há muito que não compunha e após respirar os ares da minha terrinha natal, Entre Rios de Minas, eu “tirei meu afago puro e voltei a cantar”.

 

Baobá: A experiência de compor junto é sempre um caminho desconhecido, e graças à modernidade, um caminho de muitas formas. Essa canção foi composta à distância com meu

amigo de infância Luiz Gabriel Lopes.

 

Casa de Pedra: Ainda sobre a diversidade de possibilidades da composição, essa canção é o resultado de um reduto familiar; não só fala da família mas foi igualmente composta por ela, construindo e costurando sua próprias vivências dentro do âmbito de fraternidade e amor. Composta com os amigos Luiz Gabriel Lopes e Chicó do Céu.

 

Canção do Sal: Ressignificada e percebida como parte do disco, é uma homenagem a dois grandes compositores brasileiros: Milton Nascimento e Dorival Caymmi. Fala essencialmente sobre a vida no mar, nossas relações entre os poderes e mistérios dos contos de Caymmi, costurados com as melodias de Milton.

 

Ana Terra: Momento reflexivo auto-pensativo para imaginar. Quando compus essa música estava relendo Ana Terra, de Érico Verissimo, e a ideia do vento foi muito forte para criar o movimento da melodia.

 

Sertão de Minha Mãe: Assim como alguns trabalhos requerem muitas alterações no percurso de sua feitura, às vezes também na canção isso acontece. Composta há alguns anos, me peguei trocando uns versos, acrescentando outros e quando vi, a canção estava tomando seus caminhos próprios, assim como a colheita que se cultiva.

 

Piracema: Desde quando comecei a delinear a necessidade de exprimir e exaltar nossas raízes latino-americanas, sabia que essa canção deveria estar presente. Fala do período piracema, que fazem os peixes subir correnteza acima para desovar e morrer. Poesia extremamente fina e sensível do meu irmão Marcelo Alfaro e melodia absolutamente sublime de Edu Lara.

 

Volver: Essa é daquelas canções que contam uma história que falar sobre “Voltar”, daí o título. Conta a história da perspectiva de um pai de família cansado da seca e das dificuldades de sua terra, tenta construir algo para seus filhos e muda-se para uma cidade grande. Tudo para encontrar um lugar muito mais árido, e que percebe que sua felicidade está na volta à sua terra.

 

Latino Nativo: Síntese do manifesto construído pelo disco, essa canção chama atenção para que todos nós, somos “hermanos”, e que estamos juntos, para construir, reconstruir, nos erguermos na força e na coragem de dias melhores, tirando força da poeira e das nossas tradições mais valiosas e mais longínquas. Exaltação de todos povos ameríndios e toda sábia ancestralidade. Composta em conjunta com Marcelo Alfaro.

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