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Guns N’ Roses disco a disco

Nesta terça-feira (08 de novembro) o Guns N’ Roses inaugura no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, a etapa brasileira da turnê Not In This Lifetime. Essa turnê está chamando as atenções por ser a primeira em 23 que conta com os membros da formação original Slash e Duff McKagan. Tudo começou na Califórnia, em 1985, da fusão do L.A. Guns (ex-banda de Axl Rose) com o Hollywood Rose de Axl e do guitarrista Izzy Stradlin. Junto com o guitarrista Slash, o baixista Duff McKagan e o baterista Steven Adler estava formado o Guns n’ Roses. Aproveitando o gancho da passagem da banda pelo Brasil com a comentada turnê, vamos analisar disco a disco da carreira do Guns N’ Roses.

Appetite For Destruction (1987)

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O debut do Guns pode ser considerado um dos melhores do hard rock. Nele vemos a essência de uma banda no início querendo mostrar serviço, dando o seu melhor. As variadas influências da banda, do Rock n’ Roll bluesy à la Rolling Stones e Faces, passando pelo punk, até o metal, estão bastante nítidas nas 12 faixas. O álbum abre com a pesadona ‘Welcome to the Jungle’, que viria a ser um hino da banda, seguida de ‘It’s So Easy’, que também se tornou um clássico. As escolhidas para as rádios foram ‘Sweet Child Of Mine’ e ‘Paradise City’, mas ‘Mr. Brownstone’ (uma epopeia sobre dependência de heroína), ‘Nightrain’ e ‘Rocket Queen’ também merecem destaque. Há ainda três faixas muito interessantes que não chegaram a estourar: ‘Think About You’, ‘Out Ta Get Me’ e ‘Anything Goes’. A capa original foi censurada em alguns países porque mostrava um ciborgue que acabara de estuprar uma mulher, mostrada inconsciente, com um seio à mostra e a calcinha abaixada na altura do joelho enquanto um monstro mecha está prestes a puni-lo (ou estuprá-la também, dependendo da interpretação). Era uma ilustração do desenhista Robert Williams de 1978. A capa que substituiu traz a icônica cruz com a caricatura de caveira dos cinco integrantes, desenho de uma tatuagem de Axl. Mas a polêmica ajudou na construção da imagem de bad boys, além de ajudar nas vendas. Aqui no Brasil, a original não encontrou problemas. Além da sonoridade, a banda trazia consigo uma imagem de rebeldia e perigo que faltava ao rock americano pasteurizado dos anos 80. A proposta do Guns era mesmo trazer de volta a pompa e a atitude do rock n’ roll dos tempos dos Stones, Led Zeppelin e Queen, com a anarquia dos punks. E era apenas o começo.

G N’ R Lies (1988)

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Sobre os louros do sucesso, o Guns lançou um EP que trazia no lado A apresentações ao vivo do início da carreira, com as quatro músicas do EP “Live Like a Suicide”, lançado um ano antes de “Appetite For Destruction”, em 1986. Tratava-se de duas faixas de composição própria – ‘Reckless Life’ e ‘Move To The City’ – e dois covers – ‘Nice Boys’ do Rose Tattoo e ‘Mama Kin’ do Aerosmith. Já o lado b vinha com quatro faixas acústicas entre elas os hits ‘Patience’ e ‘I Used To Love Her’. É desse disco a polêmica ‘One In A Million’ que rendeu a Axl acusações de racista e homofóbico. “Lies” não chega ao nível do álbum anterior, mas funcionou para manter os fãs entretidos até o ambicioso projeto que estava por vir.

Use Your Illusion I e II (1991)

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Depois de um hiato de 3 anos sem um álbum inteiro de inéditas, o Guns N’ Roses lançou esse álbum duplo, mas que qualquer um dos dois podia ser comprado individualmente. Na apresentação do Rock In Rio II, a primeira da banda no Brasil, já foram executadas algumas das músicas que estariam no disco como ‘Pretty Tied Up’, ‘Double Talking Jive’ e ‘You Could Be Mine’, que foi escolhida para ser tema do filme “O Exterminador do Futuro 2”. O lançamento causou furor, gerando enormes filas nas lojas dos EUA que abririam à meia noite do dia 17 de setembro de 1991 (na época em que as pessoas dormiam na fila para comprar disco e não aparelho de celular). Os dois discos possuíam uma estrutura similar: baladas (‘Don’t Cry’ I e II), covers (‘Live and Let Die’ de Paul McCartney no I e ‘Knocking On Heaven’s Door’ de Bob Dylan no II) e épicos quilométricos (‘November Rain’ e ‘Coma’ no I; ‘Breakdown’ e ‘Estranged’ no II). As opiniões da crítica na época não chegaram a ser unânimes. Uns elogiaram a ambição do projeto e outros achavam que o Guns ainda não tinha cancha para um disco duplo, citando Beatles, Stones, The Who e Pink Floyd como exemplos que levaram mais tempo de carreira para se aventurarem pelo duplo. Foi durante a concepção do álbum que começaram a surgir os primeiros tremores dentro da banda. O baterista Steven Adler foi expulso por abuso de drogas e não conseguir sequer chegar ao estúdio. Foi substituído pelo ex-The Cult Matt Sorum. Pouco antes do lançamento do álbum, o guitarrista e fundador Izzy Stradlin deixou o grupo por divergências com o resto dos integrantes, sobretudo com Axl, e sequer participou do clip de ‘You Could Be Mine’. Nesse período, foi incorporado ao conjunto o tecladista Dizzy Reed. A turnê de divulgação, a Use Your Illusion Tour, foi lucrativa e também desgastante, durando dois anos ininterruptos.

The Spaghetti Incident? (1993)

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Composto por covers, era um típico disco de cumprimento de contrato com a gravadora, a Geffen. Era uma compilação de tudo o que os influenciou, e dali saíram coisas interessantes como a versão de ‘Hair of the Dog’ do Nazareth, ‘Attitude’ do Misfits, com Duff Mckagan nos vocais, e ‘Raw Power’ dos Stooges. A música escolhida para as rádios, e que ganhou clipe foi a baladona ‘Since I Don’t Have You’, dos Skyliners. Foi o primeiro álbum gravado sem Izzy Stradlin, que havia sido substituído por Gilby Clarke durante a turnê Use Your Illusion, e o último a ter Slash, Duff Mckagan e Matt Sorum. A despeito de os companheiros de banda serem contrários, Axl incluiu um cover de ‘Look At Your Game, Girl’, de Charles Manson. O vocalista afirmou na época que achava que se tratava de uma versão de Manson para uma música de Dennis Wilson, dos Beach Boys. Mas como Axl usava nos shows uma camisa com a cara do assassino estampada… Os problemas internos ficavam cada vez mais sérios e os componentes já estavam se comunicando praticamente apenas por meio de assessores. A última vez que Axl, Slash, Duff e Matt entrariam em estúdio seria para a gravação do cover de “Sympathy For The Devil” dos Rolling Stones, para a trilha sonora de “Entrevista Com o Vampiro”.

Chinese Democracy (2008)

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O derradeiro e controverso disco do Guns N’ Roses gerou expectativa por ter levado incríveis 14 anos para ser concluído. As gravações se iniciaram enquanto uma intensa troca de integrantes ia se sucedendo até sobrar apenas Axl da formação original. E mesmo alguns que haviam entrado, como os guitarristas Bucket Head e o ex-Nine Inch Nails Robin Finck, já não estavam mais na banda quando o álbum foi lançado. O resultado é um disco datado, com músicas pontuadas por efeitos de rock industrial, que estava em voga quando o disco estava em processo de criação. Além disso há um excesso de paredes sonoras formadas pelas guitarras. Mas há alguns bons momentos como ‘If The World’ e ‘The Catcher In The Rye’. A turnê do disco se prolongou até 2014 e passou pelo Brasil três vezes (em 2010, no Rock In Rio de 2011 e em 2014). Mesmo com a volta de Slash e Duff McKagan, algumas músicas de “Chinese Democracy” ainda são executadas ao vivo.

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