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Kiss, Monster e o poder do rock’n’roll

O Kiss se tornou ao longo desses quase quarenta anos uma das instituições mais poderosas do rock. Ao mesmo tempo viraram motivo de chacota pela forma com a qual exploram merchandising indiscriminadamente. O merchandising no rock, porém, não é exclusividade do quarteto nova iorquino, haja visto o número de badulaques que se vende com a marca dos Beatles, por exemplo. Mas como Gene Simmons e Paul Stanley o fazem de forma quase acintosa, levam a fama. Musicalmente o Kiss entrou em um período de altos e baixos depois que se desfizeram das máscaras. Enveredaram por um metal farofa genérico na fase cara limpa, fizeram as pazes com o sucesso em 1994 com o acústico MTV que trouxe de volta os dois membros originais que haviam saído, o guitarrista Ace Frehley e o baterista Peter Criss. Ganharam também um disco tributo (tributos eram uma febre naquela época), o bom Kiss My Ass, tudo isso colaborando para uma volta triunfal do quarteto, que ocorreu em 1996 com a formação original e as máscaras de volta.

A volta ao estúdio rendeu um disco medíocre, o Psycho Circus, mas sua turnê de divulgação faturou alto, com os efeitos 3D do telão (os óculos eram distribuídos na entrada) e toda a pirotecnia característica dos shows da banda.

Depois de dez anos fazendo shows sem disco de inédita para divulgar, e da demissão dos dois integrantes que haviam retornado, o Kiss retornou ao estúdio e entregou o bom Sonic Boom em 2010. Prestes a voltar à terra brasilis, os mascarados lançam seu 20º álbum e o resultado é satisfatório. Como toda banda de rock com todo esse tempo de estrada, o Kiss já não tem muito que acrescentar à história do gênero, uma vez que seu papel nela já fora escrito com petardos como Rock n’ Roll All Night, Shout it Out Loud, Deuce, I Love It Loud e Detroit the Rock City. Então o que sobrou para o século XXI?

Um rock honesto que, ao mesmo tempo em que serve de pretexto para uma turnê, também não decepciona os fãs. Não espere clássicos; talvez o que mais se aproximaria de um seria a faixa que abre os trabalhos, Hell or Hallelluijah. Um rock pesado, acelerado e vigoroso, para mostrar que os sessentões ainda têm muito combustível para gastar. Freak e Back to the Stone Age são duas faixas que poderiam estar em qualquer disco de qualquer fase da banda. Assim como Eat Your Heart Out, um reconhecível hino ao estilo Kiss, com marcação da bateria e força concentrada no refrão. É curioso ouvir a faixa 10, All For The Love Of Rock N Roll, uma prima irmã de God Gave Rock n Roll To You, que parece mais uma resposta a todos aqueles que afirmam que a banda é mercenária, colocando o marketing e o merchandising à frente da música. Nela, Paul Stanley canta “I didn’t care about the fame or the money /Show me a place to play and I wanna go” (eu não ligava para fama ou dinheiro/Mostre-me um lugar para tocar e eu quero ir). Vale ressaltar que por mais que os fãs venerem a formação original, Tommy Thayer e Eric Singer são músicos tecnicamente superiores a Ace e Peter. Apesar de tocarem seguindo a linha dos anteriores, sempre encontram uma brecha para exibirem suas habilidades com as respectivas guitarra e bateria.

No geral, Monster é o velho Kiss, com seu rock básico, músicas falando sobre festas, garotas e rock and roll, sem espaço para reflexões, divagações ou questões políticas. Isso definitivamente não é a praia deles. Passadas quatro décadas o lema da banda ainda é Rock and roll a noite inteira e festa todo dia.

[xrr rating=3.5/5]

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