O Rock In Rio 2015, ou Rock In Rio 30 como alguns preferem chamar, terminou na madrugada desta segunda feira com o show da estrela Katy Perry, que, convenhamos, está para rock assim como Charles Mingus está para Axé Music. Mas não vamos nos ater ao questionamento batido de “cadê o rock do Rock In Rio” recorrente em todas as edições do festival (houve até na primeira, sabiam?) e nos direcionar para o cerne da questão a ser abordada nesta matéria.

Nesta edição do festival criado por Roberto Medina, justamente a primeira comemorativa de uma data redonda, já que todas as outras caíram em aniversários quebrados, foi a que acabou sem “o” grande show no saldo. Que essa era a escalação mais fraca de toda a História do RIR, isso já vinha sendo debatido, mas como já se podia prever, não houve o show memorável. Falar de 85 é covardia, foram vários: Queen, Iron Maiden, Yes, AC/DC, Ozzy; em 91, Prince e Faith No More; em 2001 Cássia Eller e Neil Young. No primeiro ano da nova configuração do RIR, em 2011, o grande momento pode ter sido considerado o show(zaço) de Stevie Wonder. Em 2013, a consolidação do palco Sunset trouxe o Vintage Trouble com Jesuton e o Gogol Bordello. Já no palco mundo, o grande destaque foi para o show épico do “the boss” Bruce Springsteen e seu rock de raíz. E nesse ano?

Claro que houve shows empolgantes, interessantes como o da all star band Hollywood Vampires, do Ministry, Steve Vai, Faith No More, mas aquele show que vai ficar na lembrança para os próximos anos, talvez só o do Queen,e mesmo assim muito mais pela polêmica do novo vocalista do que pela excelência. Shows históricos? Talvez só na opinião excessivamente entusiasmada dos apresentadores daquele canal de TV por assinatura que exibiu com exclusividade todo o festival. Cada artista que subia e descia do palco para eles era um grande acontecimento.

rirA verdade é que faltou ousadia aos organizadores na hora de montar o line up. O Rock In Rio sempre foi um festival do mainstream, ao contrário do Lollapalooza que envereda pela vanguarda, mas ainda assim, a criatividade passou longe da cidade do rock. Todos os nomes que fecharam cada noite já tinham estado no RIR, desses sete artistas, cinco participaram de edições recentes e talvez a maioria do total seria coadjuvante em edições como a de 2001, por exemplo (a de 85, repetindo, é covardia).

Por ser a edição comemorativa aí é que mais do que nunca quiseram apostar no que já havia dado certo anteriormente e garantiria público expressivo. Esse público também é responsável por essa míngua de grandes shows no festival. A chamada “experiência Rock In Rio” está fazendo com que os shows sejam cada vez mais relegados a um papel secundário na festa. Boa parte das pessoas vai para tirar selfies, passear pela rock street, andar nos brinquedos, sobretudo na tirolesa, comprar souvenirs e no meio dessas atividades dar uma olhadinha no que está acontecendo no palco.

A dica para 2017 é que a cidade do rock diminua ou pelo menos não aumente suas atrações extra palco e foque naquilo que foi onde tudo começou: a música. Quanto ao line-up, poderia se aproximar mais das edições lisboetas. Tudo bem que o público europeu é bem menos conservador em relação a música do que o brasileiro, sobretudo o carioca, mas a função de um festival de música também é acrescentar, apresentar elementos novos. E já que as pessoas compram seus ingressos sem ter nenhum nome divulgado, ou seja, parecem não se importar com quem vai tocar, e sim dizer “eu fui”, os organizadores poderiam aproveitar essa brecha para ousar. Faltam dois anos, ainda dá tempo para uma bem vinda reformulação que pode até se inspirar na letra do tema do festival “se a vida começasse agora…”