O terceiro e último dia de Super Bock Super Rock foi marcado pelo hip-hop, R&B e música eletrônica | Música | Revista Ambrosia
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O terceiro e último dia de Super Bock Super Rock foi marcado pelo hip-hop, R&B e música eletrônica

O Palco do festival português Super Bock Super Rock foi aberto pelo rapper de sucesso nacional, Mário Cotrim, conhecido como ProfJam. Dono de hits como “Malibu” e “Água de Côco”, o artista, único português a atuar naquele que é considerado o palco principal, se apresentou com um corte de cabelo e um bigode, no mínimo, originais e corajosos e vestido todo de branco, e conseguiu atrair a maior enchente da tarde durante o festival, preenchendo a arena com um público fiel, ansioso pra cantar junto com ele.

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Acompanhado pelo baterista Gui e pelo DJ Mike El Nite, ProfJam é um performer de experiência, que sabe cativar e puxar o público e guiá-lo através de suas canções.

Seu último álbum, #FFFFFF, cheio de alterações de voz e batidas viciantes, é mais um passo em sua carreira que mostra que sabe o que esta nova geração nacional de fãs de rap e hip-hop gosta e a sua ascensão de um palco secundário ao palco principal sublinha essa inscrição como um dos novos grandes nomes da música nacional portuguesa. A atuação, que comoveu todo o público com a participação de convidados, chegou ao auge quando o cantor convidou sua mãe a subir no palco para lhe agradecer “face-to-face” a vida e perante todos os fãs cantar “À vontade”, tema dedicado especialmente a ela.

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Logo depois, a tempo de pegar a transição para noite, veio a apresentação do carismático Masego. Nascido na Jamaica, o jovem artista de 26 anos chegou munido de capuz, óculos escuros e seu sax. Acompanhado por uma backing vocal, um tecladista, um baterista e um guitarrista/baixista, o artista levou as mulheres à loucura com sua voz suave e sua presença de palco cheia de estilo, elegância e swing.

Interpelando o público em quase cada pausa, o artista introduzia os temas de suas músicas de maneira bastante intimista, quase como se aquilo ali fosse um encontro informal, uma festa particular ao ar livre, com direito a lançamento de rosas ao público.

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O público, que lotou o palco EDP com boa energia e muitos sorrisos, se dividia entre aqueles que sabiam as letras de cor e cantavam fervorosamente e aqueles que  acompanhavam colocando os corpos pra dançar na batida.

Lá pela metade do show, Masego propôs que o acompanhássemos cantando junto algumas frases de côro rítmico. Depois da entusiasmada resposta do público, ele disse “É, vocês sabem mesmo cantar”. Além de sucessos como “Tudow” e outras canções de seu recente álbum “Lady, Lady” (2018), fomos arrebatados com uma versão de “Sexual Seduction”, originalmente de Snoop Dogg.

Ainda antes de terminar o show de Masego, o palco SBSR estava recebendo a impetuosa Janelle Monáe.

O show teve direito a uma tela enorme que emitia projeções coloridas, jogos de luzes, trocas de figurino no palco, coreografias com outras dançarinas e discursos político-sociais. Dentre suas mensagens esteve defesa a causas feministas, a dedicatória àqueles que são considerados weirdos ou outsiders, e um apelo por um mundo não mais governado por representantes do ódio. De modo geral, falou sobre abraçarmos as diferenças, aceitarmos aquilo que nos torna únicos e respeitarmos e acolhermos as minorias.

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Para além da importância de sua fala, sua performance não ficou nada pra trás. Cheia de energia e uma voz impecável, Janelle provocou a agitação corporal geral com suas batidas que mesclam soul e hip-hop.

O show foi o último na agenda da turnê de seu último álbum “Dirty Computer”, que teve forte influência do cantor Prince, falecido em 2016, sobretudo na sencual canção “Make me feel”.

Ainda nos palcos menores, o rap e hip-hop nacional concentraram platéias menores, porém empolgadas, para os shows de Pedro Mafama, TNT e Mike El Nite, este último unindo participações de todos os outros, incluindo ProfJam.

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A música eletrônica foi representada pelos ingleses Gorgon City, Disclosure e Booka Shade.

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Migos foi, de longe, a apresentação que mais lotou o palco principal e o Festival, de modo geral. O trio, formado por Quavo, Offset e Takeoff, pôs o publico todo a pular em seu primeiro concerto em Portugal, fazendo o chão “tremer”.

Tão aguardados pelos fãs, os representantes do novo hip-hop, mais conhecido como trap, emitem suas letras erráticas como se fossem batidas, embaladas por um ritmo dramático com direito a sintetizadores e pirotecnias. O público, em delírio, cantou junto sucessos como “Stripper Bowl”, “Open It Up”, “Kelly Price”, “Bad and Boujee”, “T-Shirt” e “Walk It Talk It”.

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Escondidos no Palco Somersby, com uma modesta e tímida platéia, por volta de meia noite, foi a vez dos brasileiros do BaianaSystem se apresentarem. Aos pouquinhos, a batida pesada dos nossos talentosos baianos foi transformando a área em um local de troca comunitária, dança quase ritualística e estados de transe hipnótico. 

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As raízes de nossa cultura, forte componente do último disco da banda, “O Futuro Não Demora”, se fazem presente através das letras entoadas por Russo Passapusso, que contém forte apelo político ao movimento de resistência contra injustiças e ao estado atual das coisas, além de usar como personagens, temas de nossa cultura, como o mitológico Saci-Pererê, mas também através do ritmo africano, latino e nordestino pautado pela maestria da guitarra baiana, típica dos trio elétricos, mas usada aqui por Roberto Barreto para formar frases agudas em consonância e complemento ao ritmo de reaggae, hip-hop e eletrônico.

A mensagem política não se encontrava apenas no palco. O público também entoou de tempos em tempos o necessário “Fora Bolsonaro”, com direito à retomada do símbolos de nossa bela bandeira do Brasil, e de um “Lula Livre” estampado numa bandeira do Flamengo.

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O show, enérgico e dançante, apesar de pequeno, cresceu nos corpos agitados, entre portugueses e brasileiros saudosos de sua cultura, e provou mais uma vez que qualidade é mais importante que quantidade. 

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Publicado por Raquel Gandra

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