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Quando o Cover fica mais famoso que o Original

Muitas vezes ouvimos uma música muito legal de uma banda ou cantor que gostamos e logo nos identificamos com ela. Depois de muito tempo, descobrimos que o artista regravou aquela música, que era originalmente de outro. Muitas vezes a música fica fantásticamente melhor com o artista que fez o cover, porém, nem sempre isso acontece e a fama fica por conta da versão capenga que nossos ouvidos tem de escutar.

Talvez um dos covers mais famosos de todos os tempos, que está na mente das pessoas com mais de 25 anos é o cover de “With a Little Help From My Friends” dos Beatles, cantada primorosamente por Ringo Starr no original, que Joe Cocker cantou durante o Woodstock de 1969 e muitos anos depois, foi parar na abertura do seriado “Anos Incríveis” e que diariamente muitos de nós ouvíamos.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=uQYDvQ1HH-E[/youtube]

“Whiskey in the Jar” da banda The Dubliners foi regravado com primasia pelo Metallica e de uma batidinha country, ganhou ares de heavy metal que só o Metallica em seu melhor momento poderia impor. Falando no Metallica, o respeito que os caras tem por algumas bandas é tanto que gravaram um disco duplo só com covers de bandas como Bob Seger, Lynyrd Skynyrd, Queen, Mercyfull Faith e Motorhead.

The Zutons ganhou um cover de sua música “Valerie” por Amy “Breaca” Winehouse. A versão de Winehouse tem vocais melhores, mas a banda que acompanha ela não é tão boa quanto a do original, porém, para todos os efeitos, Valerie é de Winehouse, tanto que diversos vídeos de pessoas tocando ela no Youtube mostram como sendo um cover dela.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=qPnQrNF0-zk[/youtube]

Bob Dylan é um pusta compositor, ninguém discute, mas quando se trata de cantar suas músicas, fica claro que elas ficam melhores nas mãos de outros artistas. “All Along The Watchtower” nas mãos de Jimmy Hendrix, “Maggie’s Farm” com o Rage Against The Machine, “Mr. Tambourine Man” e “My Back Pages” pelo The Byrds e “Knocking on Heaven’s Door” do Guns’n Roses são extremamente superiores ao original e fizeram muito mais sucesso, porém, sempre prestando o devido respeito a Dylan.

Hendrix tem em seu catálogo de sucessos uma música que todos pensam que é dele, mas se enganam. “All Along The Watchtower”, como eu disse antes é uma dessas, mas o maior erro que incorremos é o de crer que “Hey Joe” é dele. Não é! O compositor original e quem gravou essa música primeiro foi Billy Roberts que a registrou e, segundo consta a lenda, ofereceu os direitos dela a Dino Valenti, que, estava preso, e precisava do dinheiro. Desde então Valenti é ordinariamente citado como compositor dela.

Antigamente, durante os anos dourados dos musicais da Broadway e de Hollywood, as principais músicas da época eram escritas para estas mídias. Grandes compositores como Cole Porter, Bart Howard, Arthur Hamilton e muitos outros, criaram clássicos como “Begin The Bueguine”, “Cry me a River”, “Fly Me To The Moon” e tantas outras que Frank Sinatra e seu Rat Pack gravaram e regravaram durante os anos e ainda o são até hoje. Cada um dessas tem uma versão mais famosa, desde as antigas até atualmente Susan Boyle.

Falando em covers, dois artistas nacionais me causam asco por se aproveitarem da fama de algumas músicas famosas e regravá-las para ganhar dinheiro, no caso, Emerson Nogueira e Dani Carlos. Ambos fazem versões piores e o povo adora e até mesmo vai nos shows dos dois.

Uma outra banda que tem muitas músicas regravadas são os Beatles, como já disse no começo do artigo. Talvez em razão da carreira da banda ter sido fantástica, tendo durado poucos anos e sua influência persistir até os dias atuais, nada mais justo que ver suas músicas regravadas dezenas, centenas de vezes. Porém, poucas são as versões que ultrapassam a original em qualidade.

Falando em Beatles, eles são responsáveis por um dos covers mais famosos da história e que ninguém sabe. “Twist and Shout” não é deles e sim dos The Isley Brothers, uma banda americana que influiu demais nas primeiras gravações do Fab Four, porém, que ficou sufocado pelo sucesso da banda e nunca ficou famoso por uma música que representa os Beatles para diversos fãs. Junte a ela “Please Mr. Postman” das The Marvelettes que pouquíssimas pessoas conhecem. John Lennon, quando saiu dos Beatles, gravou “Stand By Me” e fez muito sucesso com a bela balada de Ben E. King.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=AA9maAERDAs[/youtube]

Outra música que fez imenso sucesso nas mãos de uma banda que todos pensam que fez a original é “Last Kiss” do Pearl Jam, que tocou infinitamente nas rádios do mundo, mas sua autoria é de Wayne Cochran e eles viram a versão que os inspirou a gravar ela no disco de J. Frank Wilson & The Cavaliers e concordo, fica melhor na voz de Eddie Vedder do que no original. O Pearl Jam fez com que ela fosse marcada na vida de diversas pessoas e isso talvez seja o ponto mais importante da força que essa versão teve nos fãs.

Continuando com o Pearl Jam, eles regravaram “Rocking In The Free World” de Neil Young de forma fantástica e suas versões ao vivo deste belo hino político são especiais. Só quem ouviu ao vivo sabe do que eu falo.

Ike e Tina Turner regravaram um clássico do Credence Clearwater Revival, “Proud Mary”, mas ao invés de usar o mesmo ritmo, colocaram uma batida mais dançante, metais no acompanhamento e pronto, de um rock clássico, se torna um treme terra que faz qualquer um disposto, a dançar a noite toda. Aí depois o Ike vinha e descia a lenha na Tina.

Roy Orbison é um daqueles cantores que poucos conhecem, mas os que conhecem adoram mortalmente pelas suas letras fantásticas e tom de voz inconfundível. Dave Lee Roth e o Van Halen regravaram sua “Oh, Pretty Woman” no disco Diver Down e eu digo que, tendo em vista que ambas as versões são praticamente iguais, eu prefiro os vocais originais, nada contra Dave, mas Orbison era foda demais. Ainda no Van Halen, sua fantástica versão mais pauleira de “You Really Got Me” do The Kinks faz a original passar vergonha.

Dave Lee Roth, depois que saiu do Van Halen na década de 80 seguiu em carreira solo e uma de suas músicas mais famosas foi “California Girls”, que era dos Beach Boys e fez muito mais sucesso que o original. Ainda nos anos 80, Billy Idol regravou “Mony Mony” do totalmente desconhecido Tommy James and the Shondells.

Marilyn Manson regravou “Tainted Love” que fez muito sucesso nos anos 80 com a banda Soft Cell, mas que tem a versão original gravada por Gloria Jones nos anos 60. “Sweet Dreams” do Eurythmics é outra que Manson regravou e eu sinceramente não sei dizer se fez mais sucesso, mas com certeza é mais perturbadora do que a original.

Uma bela menção honrosa vai para a versão de “Hurt” do Nine Inch Nails que Johnny Cash regravou e ficou felladaputamente melhor que a original, tanto que Trent Reznor disse que a versão de Cash ficou tão melhor que ele deu a música a ele. Ou seja, é o primeiro caso de cover que vira original?!

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=o22eIJDtKho[/youtube]

Chegando ao fim dessa lista que não tem fim, eu digo que adoro a banda Cake. Eles tem uma batida que foi única na história da música e quando regravaram “I Will Survive” de Gloria Gaynor, eles simplesmente criaram uma boa desculpa para que heterosexuais do mundo pudessem cantar a música sem se sentir pressionados pelo estereótipo do então hino GLS. Eles ainda regravaram “The Guitar Man” do Bread, “War Pigs” do Black Sabbath, “Never, Never Gonna Give You Up” de Barry White, “Strangers in the Night” que fez sucesso com Frank Sinatra e “Mahna Mahna” de Piero Umiliani.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=596qaxm-u4o[/youtube]

Eu sei que ficou muita coisa de fora, mas convenhemos, não tem como cobrir tudo, mas fiquem a vontade para acrescentar qualquer música legal nos comentários que sempre rola fazer uma segunda parte.

J.R. Dib

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25 Comentários

  1. Sò um detalhe, a versão de "Whyskey in the jar" que o Metallica gravou não foi em homenagem ao "The Dubliners" (seria até estranho ver uma banda de thrash da bay area sendo influenciada por eles…) mas sim ao grande Thin Lizzy que regravou "Whyskey in the jar" no disco "Vagabonds of the Western World", sendo ela, inclusive, o single do disco, chegando no sexto lugar dos charts do UK e dando a eles uma apresentação no Top of the Pops ( http://www.youtube.com/watch?v=HIdQFuLbh8k ).

    E 1998, os anos de Load, Re-Load e logo depois St. Anger foram a pior fase do Metallica, ainda bem que eles já passaram disso 🙂

  2. Tem o caso da música Love Hurts, o grande sucesso do grupo Nazareth. Só que a música foi composta pelos Everly Brothers. Mas a melhor interpretação de todas, e talvez pouquíssima conhecida no Brasil, é a de Gram Parsons (integrante da fase country do The Byrds) junto com Emmylou Harris.

    “Whyskey in the Jar”: acho a versão do Thin Lizzy melhor que a do Metallica, por ser mais crua.

    “You Really Got Me”: a versão do Van Hallen é muito foda, mas tem umas farofadas típicas dos anos 80 que dão uma avacalhada na música. Prefiro a versão do The Kinks.

  3. Whitney Houston que regravou i will always love you que fez sucesso na década de 70 com a cantora country Dolly Parton.

    E em relação a You really got me,até o Ray Davies falou que a versão do Van Halen é infinitamente melhor do que a dele,hoje em dia ele inclusive adotaram a versão mais pauleira do Van Halen nos shows, pra verem a diferença é só pega um vídeo da década de 60 e um recente, como a mudança melhorou a música e se o Ray Davies q é o kra q escreveu e canta a música diz que a do Van Halen é melhor, quem sou eu pra falar que não é…só pra variar!!!

  4. Discordo com relação ás musicas do Dylan.. (exceto a versão do Hendrix)..Ta de SACANAGEM se vc acha que the Byrds e Guns and Roses fizeram alguma versão melhor que a dele! Mr Tambourine man deles foi uma versão popznha. Guns? A versão original é cheia de lirismo..Se vc prefere essas ao do Dylan, sorry, vc nao deve apreciar muito bem um bom folk ..

    Outra , apesar do peso maior do o Van Halen, nao da para comparar a voz falseto do Ray Davis com o espalhafatoso do Lee Roth. E a batera do Kinks..Vc eh a primeira pessoa que conheço que prefere esta versão à original..Primeira cara..MAs opinião é que nem cú ne? Cada um tem a sua. rs

    Ouve só, na boa, todo mundo tem direito a expressar sua opinião. Eu sei que o Ambrosia tem montes de críticos e colunistas wannabes, mas acho q vc poderia empregar termos mais humildes as suas resenhas e cronicas cara. “infinitamente superior”, “versão mais pauleira (…) faz a original passar vergonha.(!?).. Fala serio ..Tem muita gente que entende e ouve muita musica por ai.. Seria mais instrutivo vc falar sobre historia da musica, curiosidades , mostrar novas bandas do que ficar dando muita enfase nos seus seus pitacos pessoais. Porque pessoalmente eu li esta resenha para saber dos covers em si, nao de sua opinião (que discordo e muito). Eu pessoalmente até acredito que vc ouça e esteja bem informado, mas acho por outro lado , diante de seus pitacos, que vc tem uma sensibilidade péssima para música.

    Enfim, resumindo, tente não soar muito arrogante em seus artigos jornalísticos , até pq ninguém esta interessado na sua opinião pessoal sobre “tal musica X”..EXPLIQUE a música X. È mais interessante e deixa aberto ao leitor decidir por ele. Nao impor ao leitor que X é superior a Y (ate pq nao é necessariamente seja). Opinião cada um já tem a sua e evita essas controvérsias idiotas. Just my two cents. Excelente coluna apesar dos pitacos. Abs.