Nesta última sexta feira(02/02), dia de Iemanjá, o palco do Circo Voador recebeu Gilberto Gil e convidados para celebrar os 40 anos de aniversário do disco “Refavela”. Para abrir o show na lona da Lapa carioca, os Filhos de Gandhi trouxeram muito axé com sua banda e seus “dançarinos” no nível do chão, de pés descalços e muito sorriso nos rostos. Depois dessa evocação de alegria, de carnaval e da cultura negra africana, Bem Gil, Maíra Freitas e Moreno Veloso comandaram a festa junto à banda formada por Bruno Di Lullo (baixo), Domenico Lancellotti (bateria) e Thomas Harres (percussão), Thiagô de Oliveira e Mateus Aleluia (sopros), sua irmã Nara Gil e sua mulher, Ana Cláudia Lomelino (vocais).

Antes de começar o show, ouvimos o áudio de uma declaração de Gil, da época do lançamento do álbum, na qual explica um pouco sobre este momento de inspiração, no qual se reaproximou de suas raízes africanas, quando esteve na Nigéria para tocar no Festival de Arte e Cultura Negra e sobre o modo espontâneo como a palavra Refavela surgiu em sua cabeça. O show inteiro, assim como o disco, é uma ode à cultura negra/afrodescendente e à sua herança, que perpetua na música brasileira até hoje.

Maíra Freitas, super grávida, exibia seu filho Zambi na barriga e dançava mais do que qualquer um, irradiando alegria e energia. Fez duetos com Moreno e arrasou no piano, em sua versão de Samba do Avião. Moreno teve sua voz sobreposta pelo público a cantar “Aqui e agora”. Ana Cláudia Lomelino entoou seu vocal de anjo em “Queremos saber”. Mestrinho, pupilo de Luiz Gonzaga, incorporou a banda do meio pro fim do show e mais uma filha de personagens lendários de nossa música fez sua participação no show. Anelis Assumpção, filha de Itamar Assumpção, surpreendeu ao tomar o lugar de Céu cantando “No norte da saudade”.

Além das canções do disco, os músicos trouxeram também versões de canções que marcaram a época como “Jammin”, de Bob Marley e “Two Naira Fifty Kobo”, de Caetano. O palco parecia uma grande reunião de família. Gil apareceu no finzinho, quase num bis demorado, cantando músicas animadas como “Sitio do PicaPau Amarelo” e “Babá Alapalá”.

No geral, um show bonito, emotivo, afetivo e com um sentimento de resgate daquilo que dá forma à nossa cultura e nossa sociedade, além de um chamado de atenção à segregação e ao preconceito que a camada social negra ainda vive até hoje.