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Resenha: Tired Pony – The Place We Ran From

No último dia 14 de julho saiu o primeiro álbum da banda Tired Pony, formada por Gary Lightbody (o vocalista do Snow Patrol), Peter Buck (Guitarrista do REM), Richard Colburn (baterista do Belle & Sebastian), “Jacknife” Lee (como produtor do disco, que trabalhou em praticamente todos os últimos álbuns do Snow Patrol, REM, U2, Weezer e etc) e que conta com célebres participações especiais, como Ian Archer (que tem uma longa carreira, mas que se popularizou em 2006 com o álbum Magnetic North), Zooey Deschanel (atriz e cantora do She & Him), M. Ward e Tom Smith, da banda britânica Editors.

A ideia do álbum surgiu com Lightbody durante a turnê do Snow Patrol nos Estados Unidos, onde o músico diz ter se apaixonado pelo Country dark e desiludido comum a era Bush, nomes como Wilco, Calexico, Lambchop, Palace, Smog (segundo Lightbody “estadunidenses que cantam a escuridão”). Ironicamente, ele reuniu um super grupo britânico para isso, terra sem muita sintonia com este estilo. Não dá para negar que há alguma coisa de Country no disco, os instrumentos são comuns ao gênero e parece haver uma diluição do gênero por ali, mas o álbum dá passos largos de realmente ser um disco Country, o que poder ser considerado na maioria das vezes um alívio.

Existe claramente a repetição de uma fórmula no disco. Por mais que Lightbody tente fazer algo novo, ele acaba soando como Snow Patrol, com uma voz monotônica, cíclica até atingir um crescendo no final da música. É batido, mas funciona, e Tired Pony é certamente agradável de se ouvir para aqueles que curtem o gênero – e que gênero? Brit Indie Folk? Parece que se seguiu a política do “para que mexer no que está funcionando”?

É importante frisar, no entanto, que mesmo similar ao seu trabalho regular, Tired Pony conta com músicos certamente melhores do que a formação básica do Snow Patrol, e o peso do guitarrista do REM é sentido ao longo do disco inteiro, com muitos slides e aventuras em outros instrumentos, como bandolins, banjos e violinos. Richard Colburn, sempre excelente no Belle & Sebastian, não parece ter uma batida única o suficiente para ser alvo de destaque.

Notoriamente, os momentos mais interessantes do álbum ocorrem durante as participações especiais, que quebram com a monotonia de Gary Lightbody, principalmente na segunda e na sétima faixa do disco. Em Get on the Road temos a belíssima Zooey Deschanel assumindo os vocais principais e provando mais uma vez que ela não entrou no ramo somente por que já havia alcançado o estrelato no cinema. I am a Landslide chama atenção pelo brilhante vocal de Ian Archer, que parece pertencer mais ao gênero do disco do que o próprio Gary Lightbody.

Outro momento de destaque é a abertura com a faixa Northwestern Skies, que soa realmente desolada e solitária, acertando na mosca a ideia original do disco que servia de homenagem àqueles que cantavam para a escuridão, se valendo também de um retrato mais arquetípico do Estados Unidos, onde dois amantes se escondem de um tornado em um cinema abandonado. O primeiro single (que você pode conferir no clipe abaixo), Dead American Writters, é bem distinto do restante do álbum, flertando com o Indie Pop, e sem a alma folk céltica dos cowboys britânicos que compuseram as outras faixas. Ainda sim, é uma música muito boa, mas de longe uma das que mais lembra o Snow Patrol original.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=zxaGJNihf28[/youtube]

The Good Book é a faixa que mais se assemelha ao rótulo de country. É bastante soturna, mas ainda não soa como o tipo de coisa que tocaria em uma rádio do midwest dos Estados Unidos. Contudo, todos os elementos estão ali, com um pouco de sombras e melancolia.

Tired Pony não é o disco mais “digerível” do ano, principalmente se levarmos em conta a proposta original, mas possui excelentes músicas e vai lentamente se tornando melhor ao ouvido quando paramos realmente para escutar o que Lightbody tem a dizer. A reunião do supergrupo poderia ter inovado mais, o que não foi o caso, mas pelo menos eles produziram coisas genuinamente boas, ainda que parecidas com o que já ouvimos antes.

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