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Show de Daniel Spitalnik expõe veias abertas com Uruguai

O nome correto do clássico livro de Eduardo Galeano que tenta explicar o nosso continente e que está fazendo 43 anos desde que foi lançado, em 1971, é: “As Veias Abertas da América Latina”. Mas faz tempo que o Uruguai tem aberto suas veias e oxigenado a Política, a Cultura e pautado outras discussões mundo afora. Com cerca de 3 milhões de habitantes, muitos imigrantes e muitos ateus, a começar por seu atual presidente, Jose Pepe Mujica, de 79 anos, que aliás entrega seu cargo no final de 2014, o Uruguai, por meio de seu porta-voz maior, tem dado o que falar, a começar pela proposta de legalização da maconha. Sobre o assunto, o presidente uruguaio afirmou recentemente que a legalização da maconha no país é “um experimento” e que “os retrógrados que não querem mudar nada, certamente vão se surpreender”. Aqui no Brasil, os ventos uruguaios chegaram com força, vindos do Uruguai. Recentemente, o deputado Jean Wyllys protocolou projeto de lei que pretende descriminalizar a maconha no Brasil.
Além da política, a cultura entre os dois países também tem forte intercâmbio. O artista uruguaio Jorge Drexler tem se tornado figurinha fácil aqui no país. É amigo de vários artistas brasileiros, como Milton Nascimento, e no início do ano teve que fazer show extra na casa de shows Miranda, na Lagoa, pra atender ao público que não tinha conseguido comprar ingressos para as duas apresentações inicialmente agendadas.
Outro músico, “uruguaio pero no mucho”, mas radicado no Brasil, e também nacionalizado brasileiro, Daniel Spitalnik, que divide sua carreira com o trabalho no IBGE, canta música brasileira e também um pouco de música uruguaia em seus shows, percorrendo o Candombe, ritmo de seu país de origem. O próximo show de Spitalnik, que terá as participações de Daniel Rodrigues (violão), Diego Fonseca (percussão), Renato Siveira (sax) será no dia 7 de setembro, no Solar de Botafogo. Daniel está em temporada de lançamento de seu mais recente CD, “Lampejo”, que tem um repertório autoral. “Para mim é uma honra poder tocar no repertório um candombe (ritmo afro-uruguaio), a música Nuevos Bandeirantes, baseada numa carta que recebi de um grande amigo uruguaio. Temos bons músicos uruguaios tocando e eventualmente cultuando a música uruguaia no Rio de Janeiro, tais como Maria Haro, (violão clássico), Daniel Santos (sax), Lu Stezano (violino), Fabrício Reis (percussão), Natália Sarante (cantora) e Nando Nicolau (tambores de Candombe) que inclusive fará uma participação especial no show. “Eu vim ao Brasil com nove de idade, mas procuro todo ano ir ao Uruguai, de preferência entre outubro e maio, pois o inverno lá é muito frio. Sempre volto bem de lá”, diz Daniel.
Com todos estes apelos, os viajantes brasileiros têm sido os maiores consumidores no Uruguai. O valor desembolsado, de 148,9 dólares por dia, equivale a cerca de duas vezes a média do nosso turista no exterior. Só em 2011, os brasileiros deixaram US$ 318,3 milhões no Uruguai, ou 14,2% do total do setor por lá. Ponto para Mujica, que trabalha agora pela eleição do ex-presidente Tabaré Vasquez. No final das contas, as urnas dirão, após as eleições, se o estilo do ateu Mujica de ser agradou ou não ao povo uruguaio. Se Deus quiser.

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