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The Strokes soam acomodados em Comedown Machine

Em 1991 uma banda de garagem, no melhor sentido da palavra deu um novo fôlego ao rock, que já estava sendo considerado por muitos como morto. Tratava-se do Nirvana, banda da fria Seattle, cidade do estado de Washington, noroeste estadunidense. O Nirvana tinha influência no punk dos anos setenta e no rock alternativo de meados dos anos oitenta. Seu segundo álbum, Nevermind, não apenas teve grande sucesso mundial (naquele ano desbancou o Dangerous de Michael Jackson e o Use Your Illusion do Guns n’ Roses), como também colocou a cidade no mapa do rock, além de puxar consigo todo o movimento chamado grunge, que serve de influência para bandas de todo o mundo até hoje. O disco seguinte ainda manteve a qualidade, e , em 1994, apenas três anos após o estouro do trio, Kurt Cobain se suicidou e o Nirvana virou lenda.

Avançamos dez anos. Em 2001, uma banda de garagem, no melhor sentido da palavra, deu um novo fôlego ao rock, que de fato estava moribundo. Era o The Strokes, banda de Nova York, cidade que já estava há anos sem um representante de peso na cena roqueira. Is This It? foi o disco e maior sucesso do grupo, carregado de  influências do pós punk e da turma do CBGB’S, o clube novaiorquino que no final dos anos setenta abrigava gente como Blondie, Television e Talking Heads.

O som cru, garageiro e ao mesmo tempo, elegante e extremamente cool, catapultou a banda ao sucesso. Trazendo a reboque toda uma leva de grupos seguindo a mesma cartilha nos mais diversos cantos do mundo:  da Suécia vinha o The Hives, da Austrália o The VInes, da Inglaterra, o Libertines e da Escócia, o Franz Ferdinand. Era a era do Indie Rock.

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Assim como o Nirvana, o The Strokes passaram com louvor no teste do segundo álbum, o vigoroso Room of Fire, que, embora inferior, mantinha o punch do antecessor. Porém, ao contrário do Nirvana, a banda não perdeu ninguém, não houve separação, e o quinteto continua em plena atividade… Chegando ao quinto disco, Comedown Machine (RCA, 2013) e dez anos depois, o frescor do primeiro álbum desapareceu, mas, infelizmente, não deu lugar a uma maturidade artística.

O que se vê nas onze faixas distribuídas em 39 minutos e 49 segundos é uma banda acomodada e pouco inspirada. As influências continuam lá; a faixa que abre o álbum, Tap Out, inclusive lembra muito a base de Heart of Glass do Blondie. A segunda faixa, All the Time, é um genérico do que a banda fez em seus dois primeiros e essenciais discos, assim como a seguinte, One Wy Trigger.

Claro que há momentos inspirados que nos lembram que se trata aqui da maior sensação do rock deste inicio de século XXI, como por exemplo Comedown e Chances. De resto é tudo que se ouviu nos álbuns anteriores sem o mesmo vigor, e com aquele incômodo cheiro de café requentado.

Tecnicamente não houve grandes avanços, que costumam existir quando uma banda chega a uma década de atividade, com seus membros na casa dos trinta. E Julian Casablancas continua com seu vocal afetado e blasé. O que Comedown Machine passa é a impressão de a banda ter dormido sobre os louros da fama e do prestigio e acreditado que um disco preguiçoso seria laureado como obra prima. Muito pouco para quem um dia foi a salvação do rock.

[xrr rating=2.5/5]

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