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Humor e remorso dão o tom do espetáculo no Teatro Gonzaguinha

Em cartaz no aconchegante teatro batizado em homenagem ao grande intérprete e compositor brasileiro, no Centro de Artes Calouste Gulbenkian, bem ali na Praça Onze, o espetáculo “Antologia do Remorso”, com textos de Flavia Prosdocimi, direção de Daniel Belmonte, e Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d’Ávila no elenco é uma aula de interpretação que valoriza aquilo de mais essencial no teatro: o ator.

No espaço cênico minimalista, cujo cenário é composto por três cadeiras, os ótimos Gustavo Barros, Tiago d´Ávila e Elisabeth Monteiro trabalham na medida com humor e fina ironia a transposição das alegorias cotidianas dos contos de Flavia Prosdocimi, todos escritos em 2013, como exercícios críticos e àquela época despretensiosos. A direção de Daniel Belmonte é precisa e a direção de movimento de Milene Pimentel destaca a preparação corporal do trio, que, a pesar das três cadeiras, se movimenta e interage bastante durante os 60 minutos de espetáculo que passam voando.

As referências à estética Rodrigueana estão pontuadas em todas as partes do jogo cênico, seja na caracterização dos atores, maneirismos, e até mesmo no mindset dos personagens, o modo como enxergam o mundo e seus dramas. É nessa hora que o espectador se identifica com o texto de “Antologia do Remorso”, ao estilo “A vida como ela é”.

Grotowski, o diretor de teatro polonês, defendia que a especificidade do teatro está na relação ator-público, pois seria ela que distinguiria em essência a arte teatral do cinema e da televisão. Por essa razão, a criação cênica deveria, na visão do polonês, voltar-se para a exploração da psicofisiologia do ator, e não para os efeitos visuais e sonoros produzidos pelos recursos materiais da encenação, ou seja, pela iluminação, cenário, trilha sonora, figurino e etc. Não obstante, “Antologia do Remorso” possui todos estes elementos técnicos na medida e mais um pouco: atores que acreditam no seu oficio, na sua missão e que dão às palavras o peso e dramaticidade que elas realmente têm.

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