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Action Comics 01 Reboot 02/52

Todos sabemos que a Action Comics #1 de 1938 introduziu um personagem que mudou o curso da história dos quadrinhos e criou um impacto popular a um nível jamais sentido. Após 73 anos sem nenhuma modificação, a revista é zerada e reiniciada. Desde o primeiro número após diferentes crises, reboots e relançamentos a comic veterana se esquivava de qualquer concessão comercial orquestrada nas últimas décadas. Já eram mais de 900 edições, entretanto o tempo cobrou mudanças e como o denominado Novo Universo DC não abria exceções para nenhuma das continuidades e edições de seus personagens a revista que apresentou o homem de aço também recebeu o tal relaunch.

A responsabilidade de desenvolver uma nova perspectiva para o icônico personagem ficou nas mãos do escocês Grant Morrison (1960), um dos mais debatidos autores de HQs da atualidade, alvo de debates calorosos entre fãs e críticos e de Ralph ‘Rags’ Morales (1966) o desenhista de Crise de Identidade. Os dois nomes foram recebidos com uma aparente idoneidade, ressaltando a dúvida que o escocês teve ao receber a proposta, na época escrevia o Batman, e o desafio o deixava inseguro, mas algumas idéias sobre os primeiros anos do Superman foram cruciais para ele assinar a história. Morales, não titubeou ao admitir que não aceitava a maior parte das versões surgidas deste Schuster & Siegel e que a principal razão de aceitar o desafio foi dar uma nova etapa ao personagem sem a necessidade de levar em conta os 70 anos de fundo. E mãos a obra…

Na edição lançada no dia 07 de setembro, temos o resultado desta parceria, as páginas nos apresentam um Superman jovem, menos moralista e arrogante numa Metropólis dominada pela corrupção, onde os ricos escrevem suas próprias leis e a população sofre o impacto dessas mazelas, sem ninguém para defendê-los. Com um uniforme, se podemos chamá-lo assim – uma calça jeans, botas, uma toalha vermelha como capa e uma camiseta baby-look com um “S” no peito – ele inicia sua cruzada particular contra as injustiças da cidade. Nessa primeira edição, encontramos o super arremessando um cara do alto de um prédio… Visto como uma lenda urbana, batizado como “Super-Homem” pela imprensa, perseguido pela polícia, o ‘new-super’ deixou de lado aquele bom-mocismo conhecido por todos, sem aquele idealismo norte-americano repugnante. Seu alter ego, Clark Kent, agora repórter do Daily Star (jornal rival, do Daily Planet, onde trabalham Jimmy Olsen e Lois Lane, dois jovens jornalistas) Clark Kent, mora num modesto apartamento alugado, pago a duras penas com o que recebe de pagamento como freelance.

Morrison fixa sua atenção na Action Comics #1 de 1938, respeitando a essência de seus criadores para compor um ‘novo-velho’ Superman. Assim temos um super-homem com alguns poderes conhecidos – superforça, velocidade sobre-humana, visão de calor – mas que ainda está desenvolvendo suas outras habilidades, desconhecidas para ele. Um aspecto que contribui na humanização do personagem: da versão toda-poderosa que estávamos acostumados, quase uma deidade para um personagem que estar a aprender sobre seus poderes, um super-herói que erra, que se machuca, sangra e se cansa. O autor busca nas primeiras concepções para compor um combatente do fazer justiça a todo preço, mesmo que tenha que desafiar os representantes da lei. Um super que discerne sobre as diferenças de classe social é ao meu ver um pontos positivos deste reinicio. Uma mudança bastante acertada no modus operandi do homem de aço, pois abre inúmeras possibilidades para estórias futuras.

Metropólis sai daquela idílica cidade que conhecíamos para uma quase Gotham City menos gótica amalgamada com uma Nova Iorque dos anos 1970. Uma cidade que necessita de esperança e rebeldia frente a inatividade e a corrupção dos poderes institucionais que a governam. Morrison viu a necessidade de trazer a miséria, a corrupção e a violência para dentro da cidade, para a vida do super-herói, expondo a mágoa, a ruína, a futilidade e a fragilidade da sociedade. Como ele próprio já disse devemos deixar essa paradoxal conceituação infantil da vida adulta e retornar a um senso mais crítico das coisas.

Vale lembrar que o título juntamente com a Justice League de Johns e Lee, entre os 52 lançamentos, abordará o passado deste renascido universo ficcional. Morrison dedica um arco de seis edições para re-imaginar os primeiros anos do personagem, sendo fiel ao mito construído, preservado e enriquecido nas últimas sete décadas, ao mesmo tempo em que estabelece alterações significativas no personagem.

Em relação a arte, enfim, após Crise de Identidade, Rags Morales deixa a sombra que a DC Comics o encarregava com trabalhos distantes dos focos principais da editora, como foi em Batman Confidential, JSA: classifield ou Blackest Night: Tales of the Corps para um projeto a altura de seu trabalho. Não entendia porque deixavam Morales só com trabalhos menores, mas enfim temos a prova de sua arte nas páginas de Action Comics#1. Em um estilo um pouco diferente de seu trabalho mais popular, combinando traços realistas e caricaturais a Morales nos remete a uma série animada antiga, que Max Fleischer idealizou na década de 1940, influência óbvia se notarmos o título da história e sutil na maneira entusiasta de desenhá-lo poderoso e rebelde. O layout das páginas usa uma variedade de perspectivas, sem abuso de splash-pages, onde o ritmo da ação é vigoroso em menos de 35 páginas temos o super leva um riquinho à justiça, escapa da polícia, salva sem-tetos de uma demolição, combate o Exército norte-americano, salva centenas de pessoas de um desastre orquestrado por Lex Luthor e ainda é capturado. Em um fôlego só temos muito mais ação e história que muitos lançamentos por aí.

Um início excelente para Action Comics #1, que parece vai revitalizar o homem de aço, recuperando-o e tornando-o muito mais interessante do que já foi. A qualidade superou minhas expectativas e se as demais 52’s precisarem de referência contem com o que Morrison/Morales desenvolveram.

[xrr rating=5/5]

  • Título:Action Comics #1
  • Grant Morrison(argumento), Ragg Morales (arte), Rick Bryant (arte-final) Brad Anderson.(cores)
  • DC Comics, 2011
  • 40 paginas, US$ 3,99

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  1. bom cadorno costumo dizer para todo mundo que sou fã do superman pelo que ele poderia ser ,não pelo que é ,talvez um bruxo eletronico igual ao morrison mostre para a galera descrente que o super continua mais atual que qualquer personagen criado na mesma época ou posterior a ele ,nessa era de conquistas tecnologicas que a cada dia muda radicalmente o nosso modo de ser e pensar ,nos faz esquecer que por tras de tudo isso existe uma cola chamada ética ,diferente do bom mocismo arcaico que sempre insistiram nas historias do super ,o carecão escoces entende que isso muda de cultura para cultura e o super é um patrimonio global,uma marca tão poderosa quanto a coca cola,e qual o caminho para agradar este imenso publico,bom mocismo ? salvar gatinhos da arvore? ficar reciclando era de prata? não ,o caminho é o impeto juvenil aliado a vontade ética de fazer diferença em uma sociedade apatica ,cara isso é global
    artigo classe o seu cadorno parabens

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