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E agora, quem poderá nos ajudar?

Este artigo foi escrito por Ana Carolina como autora convidada.

Moon e Bá

Em época de Comic-con voltamos nossos olhares para San Diego, ansiosos para ver tudo que está acontecendo, todos os lançamentos, os filmes e as promessas para o próximo ano. Mas, dentre todas as notícias que eu li sobre esse evento uma me chamou maior atenção, “Fábio Moon e Gabriel Bá ganham 3 prêmios Eisner”.

A primeira vez que isso acontece com um brasileiro. E é fantástico se formos pensar bem. Eu vi os dois pela primeira vez na saída de uma Fest Comix, dois anos atrás. Eles tinham ido dar uma palestra e comprar quadrinhos, é claro. Ao mesmo tempo, na mesma saída estavam dois rapazes, Leonardo Melo e André Caliman, vendendo sua estreiante Quadrinhópole, que estava na número um. O mais interessante foi que os mesmos rapazes de Curitiba ganharam o prêmio HQ Mix de melhor Produção Independente de Grupo.

O que esses caras todos tem em comum? Quadrinhos Brasileiros. Eu ouço muitas vezes que não existe produção nacional de quadrinhos, que o que temos são aqueles lançados para as livrarias em pouca escala. Mas isso tanto não é verdade que os quadrinistas independentes brasileiros montaram um grupo, o Quarto Mundo. Com vocês as palavras de Leonardo Melo.

É difícil fazer quadrinhos no Brasil?
O difícil não é fazer, o difícil mesmo é publicar, distribuir, ir em eventos, vender, correr atrás do leitor. Claro que tem a parte divertida de todo esse processo, mas o Brasil nunca vai ter um mercado de quadrinhos nacionais enquanto os produtores de HQs não consolidarem estratégias para contornar esses problemas e cativar o leitor. É por isso que surgiu o Quarto Mundo, coletivo de quadrinhos independentes que se destina a justamente tentar procurar soluções para estas questões.

Como foi pra vc ser premiado na HQ Mix?
Esse prêmio veio em boa hora, pois encerra uma fase na Quadrinhópole. Foram 7 edições em pouco mais de 1 ano e meio e conseguimos atingir o objetivo de levar quadrinhos de qualidade aos nossos leitores. Agora vou dar uma parada nas publicações e focar na venda e me dedicar, junto aos companheiros do QM, a justamente tentar resolver aqueles problemas mencionados na questão anterior. Se um dia a Quadrinhópole voltar, acredito que será diferente do que é hoje…

Qual a importancia dos quadrinhos alternativos pra área no Brasil?
Primeiro é preciso distinguir “independente” de “alternativo”. Antigamente eles eram sinônimos, pois os quadrinhos alternativos geralmente eram aquelas histórias que o grande público não lia, não tinha apelo comercial e tendiam mais para o meio artístico. Como as editoras não queriam saber de publicar aquelas coisas, o jeito era publicar de forma independente, fazendo fanzines. Hoje isso mudou. Se você quer publicar quadrinhos no Brasil, o jeito mais fácil que tem de fazê-lo é ser independente. É juntar um grupo de amigos, dividir as despesas com gráfica e sair vendendo na raça. Só que hoje, os “fanzines” deram um upgrade e surgiram as Revistas Independentes propriamente ditas, onde não há, necessariamente, apenas histórias alternativas. Lá você encontra de tudo: super-herói, drama, horror, suspense, aventura, policial. Hoje os independentes têm tanta preocupação com a visão comercial de seu produto quanto as editoras, e daí vêm um melhor cuidado com a parte gráfica e com a qualidade das histórias, tanto no roteiro quanto nos desenhos. Por isso é que hoje, o mercado nacional de quadrinhos É o mercado independente.

Quadrinhópole 7


Vale a pena entrar no site do Quarto Mundo e descobrir que temos produção sim, e muita. Claro que nada é perfeito, mas pelo menos estamos no caminho. Os independentes serão aqueles que virão nos salvar? Não sei. Eles serão o futuro? Também não posso dizer.

Mas as coisas podem ser diferentes, podemos mesmo ver esse mercado crescer em terras brasileiras. E Viva os Quadrinhos Nacionais!!!!

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