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Entrevista Almanaque com Moon e Bá e a Cor nos Quadrinhos

Ganhar um Eisner e publicidade são duas coisas que se completam e com o prêmio recebido pelo 5, apareceu uma chuva de matérias acerca dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá. Recentemente foi postada no blog dos meninos uma entrevista que o programa Almanaque da GloboNews realizou com eles.

Nela, os gêmeos conversam sobre aspectos da produção deles e do caminho que lhes proporcionou o gosto e carreira ligados aos quadrinhos. O vídeo é bastante interessante, e vale lembrar que no blog deles está postada a segunda parte do “Por que quadrinhos?”, na qual o próprio Gabriel Bá dá a sua opinião e é legal dar uma olhada nele também e comparar as duas informações. Segue abaixo a entrevista:

Ao assistir a entrevista, diversos pontos chamaram a minha atenção, o primeiro deles foi a questão da cor. Logo quando eles começaram a falar deste ponto muito controverso e pessoal que a briga entre o preto e branco e a cor, lembrei de que em um outro post deles em que o mesmo tema era discutido. Acredito que era o Moon que defendia sua preferência pelo preto e branco, comentando que mesmo quando tinha que colorir os quadros, preferia se dedicar a um trabalho que mexesse com uma única cor e com suas diversas tonalidades.

Dark Knight
Dark Knight

Eu particularmente sou apaixonada pela cor. Em primeiro lugar pois o tema do fantástico e a sua estética me atraem imensamente, o que eu acredito estar intrinsecamente relacionado a cores fortes. Segundo por acreditar que uma boa estruturação de cores consegue ser capaz de excitar pelos olhos. O preto e branco têm um papel igualmente forte, mas sob uma ótica completamente diferente, dando muitas vezes um tom mais pesado ao quadrinho, apesar de concordar com o Bá, que afirma que o trabalho sem cores ajuda a direcionar melhor o olhar do leitor e possibilita um maior detalhamento do desenho pela sua menor quantidade de informação. Mas, ainda sim, a maior quantidade de informações pode ser um utensílio a mais para ajudar a exploração do meio de arte que é a história em quadrinhos.

Claro que nada disso pode ser possível sem uma boa utilização das cores. Como a repórter disse, as cores podem ajudar a cobrir um desenho ruim; mas elas não interferem apenas aí, elas também são capazes de destruir um trabalho ótimo, e com isso eu consigo ser muito chata. Já vi muitos trabalhos bons que me incomodavam profundamente pois o colorista não sabia colocar uma boa interação entre as cores e destruía as profundidades e os traços que o desenhista colocou originalmente (apesar do arte-finalista também realizar erros muito similares). Os melhores exemplos dessa interferência são os dois volumes do Cavaleiro das Trevas. No primeiro, a obra é valorizada e em parte baseada nas cores (elementos como, por exemplo, o raio que corta o Superman foram criados apenas com a utilização da cor); enquanto no segundo volume a cor rouba o cenário com exageros, combinações chamativas demais e texturas desconexas.

Ramadan do Craig Russell

Outro aspecto que interfere nessa disputa são as escolhas da editora para as diferentes edições de um mesmo trabalho. Essa é a minha maior crítica à versão de Sandman lançada pela Conrad; eu li tudo no original e logo em seguida comecei minha coleção brasileira. Desde o princípio a cor me incomodava, chegando ao ápice na revista nº 50, o Ramadan, uma temática completamente fantasiosa, cujo trabalho de cores é essencial para o trabalho da revista, bastante depreciado pela versão opaca da Conrad. Conclusão: depois de procurar encontrei a mesma história pela Globo, respeitando a vivacidade do Ramadan original. Acredito que nesse aspecto o trabalho da Pixel para seu Absolute Sandman será magnífico, tanto pelo costume da editora de utilizar bons materiais, quanto pela recoloração da edição Absolute original.

Enfim, mas em suma acredito que a questão da cor é algo pessoal e está intimamente ligada ao estilo de cada um. Enquanto o clássico trabalho de um Craig Russell ou Alex Ross necessita das cores, outros como o Frank Miller a dispensariam tranqüilamente dependendo de seu objetivo. No caso dos próprios gêmeos, tanto seu trabalho em preto e branco quanto em tonalidades de uma única cor resultam em produtos de alta qualidade e característica particulares, sendo para mim o melhor exemplo o trabalho em O Alienista. A escolha pelo preto e branco em muitas revistas parece ser escolhido por escolha da editora e o curto de custos, mas nesse não; observa-se um desenrolar da história em tons que variam de marrom a amarelo claro que ao mesmo tempo traz clareza ao desenho e busca sutilmente em nossa mente o perfil das folhas remanescentes do século XIX (apesar desta segunda parte ser pura impressão minha). Tudo depende do efeito que se deseja obter.

O Alienista

Gostaria de aproveitar a entrevista para abordar outros temas, mas acabei me alongando neste a acredito ser melhor abordar os outros em outros posts que tenho em mente. Mas fica a pergunta do que vocês preferem: Preto e Branco ou a cores?

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2 Comments

  1. O estilo do miller em sin city é excelente também, principalmente por se basear em contraste, ao invés de tonalidades de cinza. Na obra tudo é preto ou branco (com um eventual detalhe colorido como o assassino amarelo acima) completamente chapado no papel.
    Cor é muito bom quando se sabe usar, por exemplo o próprio Craig Russel, seu trabalho, ainda que legal em p&b me parece extremamente dependente de um bom jogo de cores.
    To atrasado, depois dou mais opiniões a respeito…

  2. Apesar de gostar dos quadrinhos em Preto e Branco, acho a narrativa colorida essencial para os quadrinhos, pois mesmo obras como Sin City – que como bem lembrou o Felipe se baseiam em contrastes – se tornam cansativas para os olhos quando os quadros se tornam mais complexos. Acredito que os melhores trabalhos em preto e branco são os do Eisner, que dominava a técnica de maneira sem precedentes, e em seguida os trabalhos com traço mais simples (Calvin, Bone, Estranhos no Paraiso)…
    :: Vale destacar que não estou considerando as edições a lápiz, já que estas podem envolver milhares de tonalidades diferentes ::
    Já os quadrinhos com cores conseguem ser insuperáveis, principalmente as obras pintadas manualmente (Alex Ross, Simon Bisley, Bill Sienkiewicz, James Jean), pois neste tipo de trabalho é onde os quadrinhos realmente atingem o ápice como arte. Ao meu ver os trabalhos coloridos tiveram o mesmo efeito nos quadrinhos que a utilização das cores no cinema, porém foi um processo bem mais demorado e somente começou a atingir seu potencial a poucos anos com a colorização por computador.

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Publicado por Diana

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