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Fortuna Crítica: Umbigo Sem Fundo – Dash Shaw

“Umbigo sem fundo” narra o momento em que Maggie e David Loony , depois de 40 anos de casados, decidem se separar e comunicar a decisão para os filhos e netos. Tudo acontece em poucos dias numa velha casa na beira da praia (casa essa que funciona como um personagem da história).

Meio patético essa história de reunir uma família para comunicar essa “decisão” onde o mais jovem tem já idade o suficiente para se masturbar, mas bem, vá entender a família americana e seus esquemas.

Claire, a irmã do meio, não liga, já Dennis, o irmão mais velho fica choramingando o tempo inteiro, e Peter, o mais novo, tem 26 anos, fuma maconha escondido, nunca viu uma mulher sem roupa ao vivo e sente-se permanentemente deslocado.

A narrativa centrada no “adolescente” Peter e sua relação com uma garota que conhece na praia de longe é a parte mais chata do livro. Ultimamente tenho lido muitos quadrinhos independentes americanos onde essa figura do jovem frágil e “sensivelzinho” domina o cenário com suas primeiras namoradas levemente complicadas e distantes. Parece que um garoto só tem o direito de perder a virgindade e conhecer o amor se for com uma aprendiz de vaca (a caracterização de Peter como um sapo antropomorfizado entre humanos só reforça essa ideia de coitadismo).

Mas tirando esse clichê, o roteiro é muito bem construído e os personagens interagem com fluidez e de forma realista. Isso é espantoso, dado que o jovem Shawn escreveu e desenhou o livro com apenas 23 anos, e, como sabemos, hoje em dia 23 anos é igual a 13 anos por conta do fenômeno da eterna adolescência.

Sim, temos alguém com talento genuíno para contar histórias e que aparentemente leu os livros certos e viu os filmes que valem a pena serem vistos.

A arte é bastante honesta, o desenhista/roteirista sabe usar suas limitações a favor da história que está contando e não se mete a rebuscar seus quadrinhos, apesar de dar uns escorregões em lentas passagens onde descreve um striptease e uma espécie de sriptease reverso da namoradinha do personagem Peter.

A impressão em marrom, a sábia utilização dos espaços em branco, junto com o tamanho do álbum, dão uma sensação de deslocamento da obra, como se fosse um livro escrito há muito tempo atrás e não nos terríveis dias em que vivemos. Já é bastante coisa.

[xrr rating=3.5/5]

10 opinaram!

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  1. Apesar de gostar da história do Peter, concordo que esses sensivelzinhos já estão dando no saco. Mas creio que o Shaw soube usar muito bem o personagem, por que ele não está ali apenas para ser chamado de coitadinho, mas para ser chamado de bostinha, também.

  2. Eu gostei de Umbigo Sem Fundo, mas creio que o Retalhos, que tem a mesma fórmula, acabou por me chamar mais a atenção. Talvez por retratar um cara muito diferente de mim, mas não sei…

    excelente texto. Descobri que tenho 14 anos segundo essa lógica da eterna adolescência.

  3. Boa a crítica. Mas qual seria a idade suficiente para se masturbar? Existe isso?
    Retalhos, que usa o mesmo coitadismo, é uma Graphic Novel grande, porém muito fraca. Primeiro pela choramingação da vítima de Jesus e depois pela cabacice do autor com aquela primeira relação loser. No meio do livro dá vontade de que termine logo.

  4. porra, concordo! Esse mania de michael cera que domina, com aquele maldito scott pilgrim cabação! Esse álbum tem uma boa história quando se concentra na parte feminina da familia, que parecem ser mais machos que o Peter. .Porra, cineasta de 26 anos que nunca viu mulé pelada? E devo dizer que retalhos é a mesma coisa, outro cabação.

    • Hahahaha o que me irritou no Retalhos foi depois, quando descobri que o Craig Thompson nunca mais teve coragem de falar com a mulher lá, nem depois de utiliza-lá como personagem da HQ

  5. o grande problema é que boa parte dos quadrinhos americanos que fogem do esquema Marvel/DC estão ligados à "cultura" indie – daí a quase onipresença dos caboclos sensiveizinhos

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