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Grant Morrison fala de “Joe The Barbarian”

Quando esteve no Brasil, Neil Gaiman declarou para o jornalista Delfin que Grant Morrison era o maior escritor de quadrinhos da atualidade. Verdadeiramente polêmica, a afirmação de Gaiman sem dúvida possui diversos oposicionistas, porém eu me junto ao coro que concorda com Gaiman.

Grant Morrison é no mínimo tão genial quanto Mark Millar e Warren Ellis, produz diálogos tão bons quanto Bryan Bendis e é tão inventivo quanto Bryan K. Vaughn, possuindo ainda a habilidade de redefinir completamente os personagens dentro do eclesiástico universo Marvel e DC. Grant Morrison puxou as rédeas para os X-Men do novo milênio, produziu a melhor série publicada do Superman, criou os anarquistas mais interessantes dos quadrinhos, levou o Homem-Animal a um patamar impensável, destruiu psicológicamente o maior detetive da Terra para depois causar-lhe a pior das mil mortes… Quem não quer uma revolução vinda de Grant Morrison?

“Existe algo que eu ainda não tenha desenvolvido?” Morrison declarou ter feito esta pergunta para sí mesmo. Da resposta surgiu “Joe The Barbarian” (João, O Bárbaro numa tradução abrasileirada), a primeira investida, segundo o próprio autor, no gênero puro da fantasia.  Aproveitando o lançamento neste mês nos Estados Unidos, Grant Morrison explica Joe The Barbarian.

“Tudo começou com a simples idéia de fazer uma clássica história de fantasia. E era obcecado por histórias de fantasia quando adolescente – Tolkien, Alan Garner, Susan Cooper, Robert E.Howard, Michael Moorcock, Stephen Donaldson…. qualquer coisa que eu pudesse colocar minhas mãos. Até escrevi dois grandes romances de capa-e-espada naquela época, mas eu nunca fiz uma HQ de fantasia antes e me pareceu um desafio interessante fazer uma história para todas idades, algo como “O Senhor dos Anéis” e “Alice no País das Maravilhas” para o público de hoje.

Me animou muito foi a idéia de re-imaginar o básico da narrativa do gênero fantástico – o familiar mundo-dentro-do-guarda-roupas – do mesmo modo que vimos os super-heróis re-imaginados nos últimos 20 anos. Vocês sabem, levar de volta às origens e depois reconstruir para a audiência do século 21. Eu estava procurando por algo parecido com os livros de “Nárnia”, as aventuras de “Alice”, do “Mágico de Oz”, “The Phantom Tollbooth” (sem tradução em português), “Elidor” de Aln Garner e a questão comum de levar jovens personagens, recém inseridos na puberdade, para mundos fantásticos onde eles pudessem receber iluminação para as responsabilidades e absurdos do mundo adulto, que estão prestes a entrar.

Gosto que as coisas que crio tenham algo de real e tenham base no cotidiano, assim, não queria criar um mundo de puro faz de conta por trás de um espelho ou depois do arco-íris. Uma boa história de fantasia precisa ter algo genuíno e de relevância imediata para o mundo que vivemos, então esperei até ter uma idéia que me parecesse um avanço, algo plausível e novo. Como seria uma fantasia heróica posterior a 11 de setembro?

No fim das contas, a história se tornou algo incrivelmente simples: Joe começa no topo de sua casa e ele precisa descer para a parte de baixo, mas no caminho algo acontece. Um novo mundo maior, desconhecido e ainda estranhamente familiar começa a tomar lugar.

“Joe the Barbarian” fala sobre um garoto e sua casa. É sobre a viagem de um garoto contemporâneo para a Porta de Morte (Death’s Door) e o que ele encontra nela. Joe é o filho de um soldado, como todos nós na sociedade bélico-industrial do espetáculo e negação, e uma criança, literalmente enfrentando a Morte.

Eu realmente peguei a idéia que todas nossas casas, para qualquer um que vive numa casa, possui uma relação mitológica com a mesma. Quando você é um garoto seu pai é um rei, sua mãe uma rainha. Pode ser para melhor ou pior ou tanto faz, mas estas relações possuem uma importância narrativa que nos informa como veremos o mundo quando crescermos. O cachorro do vizinho é o cão mais importante do mundo, a garota que vive ao lado é a princesa. Quando se é criança, você possui em casa o material para qualquer tipo de aventura e a origem para qualquer mitologia. Assim, a grande sacada foi quando pensei “O que seria se toda história, esta fantasia épica, acontecesse nos vinte minutos cruciais quando um garoto desce as escadas para basicamente salvar sua vida?”. Disto surgiu “Joe the Barbarian.” Na casa de Joe, os degraus se tornam montanhas, o banheiro se torna-se a brilhante Fjord, repleta de anões-piratas-subaquáticos e a despesa seria Hypogea, o reino da morte.

A partir daí, eu me perguntei que tipo de doença do mundo real seria capaz de ativar um gatilho no meu herói que o colocasse em perigo físico ao mesmo tempo que o delírio lhe permitisse experenciar sua casa como outro tipo de universo.  [..]”

Na entrevista original, Grant Morrison revela mais detalhes sobre o personagem e a primeira edição, porém, tais detalhes acabam consumindo um pouco do prazer de ler uma aventura que promete muito. Resta agora esperar que a Panini lance esse material no Brasil.

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6 Comentários

  1. Morrison e um escritor que eu tenho mais simpatia por ele realmente gostar de quadrinhos,por manter a boa forma e não ter virado uma superstar como Miller e Gaiman ou uma diva cheia de frescuras como Moore.

    Afinal uma coisa e voce conseguir prestigio e manter a qualidade do trabalho,outra e voce mijar no que fez,cuspir no prato que comeu e menosprezar os colegas como certo narigudo e outro barbudão fizeram.

    • Moore, menosprezar os colegas? Que eu saiba, o Barbudão tem dado a maior força para caras do nível de Mike Anglo, e Gaiman é um grande amigo do sujeito. Talvez ele tenha rusgas com o que os cineastas de Hollywood tenham feito com seu trabalho, mas eu não tiro a razão dele. Agora o Careca Escocês fica falando em reescrever Watchmen, de um modo um tanto arrogante…

    • Se voce fala isso então acho que não sabe as abobrinhas que o Moore falou sobre Blackest Night.

      Quanto ao careca tudo que sei e que ele vai pegar os personagens da Charlton e dar sua visão sobre aquele universo,ou seja o mesmo que Moore fez,e ate ai nada “reescrever” Watchmen.De qualquer forma a gente so vai ter opinião se a coisa sair.

      Se bem que com toda a pichação que o filme de Watchmen levou e todas as besteiras que o Moore anda cuspindo utimamente e que os fanboys se ajoelham e dizem amem,vai ser ate ironico se o careca fizer o que voce falou.

  2. Com certeza Grant Morrison figura entre os melhores escritores de quadrinhos, junto com Millar, Ellis, Brian K.Vaughn, Moore e Neil Gaiman. Tenho em mãos todos o material publicado no Brasil do Morrison, e em scans do que não foi publicado ainda (Espero que um dia seja).

    Grant sabe mesmo como entreter de forma inteligente quem lê suas histórias, sem pena de quem tem preguiça de pensar… vide Invisíveis…

    Aguardo ansioso por Joe The Barbarian…

    Excentricidades à parte, acho que as mesmas não entram no mérito da questão.