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“Kick-Ass 2” empolga com bons personagens e violência extrema

Uma das mais agradáveis surpresas de 2010, “Kick-Ass – Quebrando Tudo” (“Kick-Ass”), fez muita gente se divertir com uma questão simples, mas até então não levantada pelo Cinema: Por que ninguém nunca tentou ser um super-herói no mundo real?
A partir daí, o filme (baseado numa história em quadrinhos criada por Mark Millar e John Romita Jr) conseguiu um resultado satisfatório ao equilibrar sequências de muito bom humor com outras bem violentas, além de contar com uma ótima direção de Matthew Vaughn (que depois foi chamado para realizar “X-Men: Primeira Classe”), e atuações surpreendentes de Nicolas Cage e, principalmente, da menina Chloë Grace Moretz, que dá um show como a assassina mirim Hit-Girl. Agora, três anos depois, o universo de Millar está de volta às telas com a sequência “Kick-Ass 2”, que pode não ser tão surpreendente quanto o original, mas ainda assim diverte.

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Abandonar algo que nos traz um grande prazer não é nada fácil. Dave Lizewski (Aaron Taylor-Johnson) sabe muito bem disso. Após pendurar o seu uniforme verde e amarelo e seus bastões, logo depois da morte do mafioso Frank D’Amico (Mark Strong), ele tenta voltar a ter uma vida normal de adolescente. Só que acaba se sentindo vazio, incompleto. Por isso, o rapaz decide procurar Mindy Macready (Chloë Grace Moretz), que finge ser uma aluna comum para seu tutor Marcus (Morris Chestnut, no lugar de Omari Hardwick, do filme anterior), mas que continua seu treinamento de Hit-Girl, para ajudá-lo.
Ele então descobre (da maneira mais dolorosa possível) que ainda está muito longe de ser um herói bom de briga. Mesmo assim, os dois se tornam bons parceiros até o dia em que Hit-Girl é descoberta por Marcus e decide parar de agir como uma justiceira para se dedicar à escola e se interessar por outro tipo de assunto que não envolva armas e combates mortais: garotos (aliás, a cena em que Mindy se vê envolvida por um clipe de um cantor inspirado em Justin Bieber é engraçadíssima).

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Sem sua parceira, Kick-Ass descobre que há outros heróis, inspirados por seus atos no primeiro filme. Alguns deles se uniram e formaram a Justiça Eterna, grupo comandado pelo Coronel Stars and Stripes (Jim Carrey), um ex-capanga de mafiosos que se tornou religioso e preferiu se tornar um justiceiro. Assim, Kick-Ass volta a combater bandidos e ajudar os necessitados, além de arranjar um novo interesse amoroso, a Night-Bitch (Lindy Booth). Mas o que Dave não contava é que Chris D’Amico (Christopher Mintz-Plasse), querendo vingança pela morte do pai, desistiu de ser o Red Mist para se tornar (como ele mesmo se intitula) o primeiro super-vilão do mundo, o Motherfucker. Auxiliado pelo seu segurança particular Javier (John Leguizamo), ele monta uma equipe de criminosos cujo maior destaque fica para a Mãe Rússia (Olga Kurkulina), uma ex-agente da KGB extremamente forte e capaz de aniquilar qualquer obstáculo de uma forma bastante cruel. Assim, o Motherfucker elabora um plano para acabar de vez com Kick-Ass que precisará contar com seus novos e velhos amigos para derrotar o seu nêmesis.

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O que mais chama a atenção em “Kick-Ass 2” é a busca que todos os personagens do filme fazem para se encontrarem no mundo em que os cerca. Enquanto Dave procura se tornar melhor naquilo que resolveu fazer, Mindy entra em conflito por saber para que lado ir: se continua a seguir o caminho que o pai traçou para ela, como Hit-Girl, ou se deixa tudo para trás e se conforma em viver como uma menina normal. Numa cena, por exemplo, ela verifica que não consegue fazer uma coreografia de líder de torcida na escola se não imaginar que está lutando contra malfeitores, o que gera um resultado inusitado. Em outra, Marcus exige que ela coloque um dólar num pote por cada palavrão que ela diz, o que ela rebate: “Você vai precisar de um pote maior”. Já Chris, obcecado pela vingança, continua a meter os pés pelas mãos e, aqui está uma falha do roteiro, torna o personagem mais infantil do que no filme anterior, dando chiliques quando seus desejos não são realizados, chegando até a provocar o lutador de MMA Chuck Liddell, que aparece numa ponta.

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Além disso, são muitos divertidos os integrantes da Justiça Eterna, a começar pelo Coronel Stars e Stripes, interpretado com gosto por Jim Carrey. Outros destaques são o Doutor Gravidade (Donald Faison), o casal Lembranças de Tommy (Steven Mackintosh e Monica Dolan) e o Batalheiro (Clark Duke), que é, na verdade, um amigo de Dave. Entre os vilões, os refletores se voltam mesmo para a musculosa Olga Kurkulina, que impressiona com a sua Mãe Rússia.
Quanto aos protagonistas, Aaron Taylor-Johnson continua fazendo um bom trabalho como o jovem que vai perdendo a inocência ao perceber que ser um herói não é como nos quadrinhos. Christopher Mintz-Plasse está engraçado como Motherfucker, apesar de problemas com o seu personagem. Mas, do elenco, quem novamente chama a atenção de todos sempre que aparece na tela é Chlöe Grace Moretz. Apesar de já não ser mais uma menininha (afinal, já está com ‘incríveis’ 16 anos!!!), a atriz ainda é o diferencial de “Kick-Ass 2” e se sai muito bem, especialmente nas cenas de ação, embora mostre que mesmo sendo implacável com seus inimigos (que agora incluem também patricinhas), também pode ser uma adolescente sensível.

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O ponto fraco de “Kick-Ass 2”, no entanto, está na direção. Jeff Wadlow, que atualmente está envolvido em um projeto para adaptar os quadrinhos do grupo X-Force, da Marvel, para o Cinema, não é melhor diretor do que Matthew Vaughn e faz um trabalho apenas correto, mas não espetacular, especialmente nas sequências de combate, que não causam grande impacto no espectador, exceto pela luta entre Hit-Girl e a Mãe Rússia.
A trilha sonora também não impressiona, ao contrário do filme anterior. A única surpresa é a inclusão de “A Minha Menina”, de Jorge Benjor, que já foi gravada pelos Mutantes, mas que no filme é interpretada pelo grupo The Bees. Mesmo assim, “Kick-Ass 2” ainda é uma produção divertida e uma boa sequência para as aventuras do herói e dá vontade de ver mais continuações. Mas não seria uma má ideia se, no futuro, criarem um filme só para a Hit-Girl.

Não saiam do cinema até acabarem os créditos. Há uma engraçada cena extra que vale a pena conferir.

Estréia 18 de Outubro nos cinemas.

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