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Preacher e a América Midiática

Preacher e a América Midiática | Quadrinhos | Revista Ambrosia

Preacher foi lançado pela DC/Vertigo em novembro de 1997, era talvez a ultima etapa da tal invasão inglesa aos comics americanos.

Escrito por Garth Ennis, que vinha de uma bem sucedida passagem pelo titulo Hellblazer, casa de John Constantine, e desenhado por Steve Dillon, chapa de longa data do escritor, a série caiu como um bomba de efeito moderado, mas significativo no conservador mercado americano, diferente da sensibilidade fantástico, politica de Alan Moore, do barroquismo gótico de Neil Gaiman ou do surrealismo cientifico de Grant Morrison, o irlandês maluco vai direto ao ponto e dos mais virulentos possíveis, religião (com grande conhecimento de causa) politica, convulsão social, escatologia e violência extrema, tudo isso temperado com o que de melhor um escritor capaz tem, senso de humor, erroneamente comparam Ennis dessa fase com Tarantino, é fácil notar as influencias de Ennis, grande conhecimento teológico, e doses cavalares de cinema marginal de autores como Russ Meyer, Fredie Francis, John Waters, produções da Troma e cinema de direita americano dos anos 70.

Ennis tece um herói falho e realista e o situa num ambiente parecido ao nosso, só que permeado de absurdos, nosso herói Jesse Custer empreende sua busca ao nosso criador, que renegou aos céus e a humanidade, num lugar que na visão do autor, que mais precisa dele, a América

Nunca um autor estrangeiro captou com tamanha sutileza, a essência de um pais e sua cultura, não o pais real que só sua população nativa conhece, e sim o midiático que o estrangeiro acha que é o real, a américa mítica, criada, embalada e exportada para todo o planeta, na forma de entretenimento, filmes, gibis, musica, livros, series de TV e todo tipo de tranqueira colecionável.

A série é intencionalmente estapafúrdia, Jesse Custer é um pastor desencantado com seu oficio, que afoga suas frustrações em uma garrafa de wiskei, acidentalmente acaba recebendo uma entidade gerada da união carnal de um ser celestial e um demonio, e recebe o dom da palavra, ele empreende uma aventura on the road, pelas estradas americanas na companhia de um vampiro boca de litro e Tulipa sua doce namorada que conhece todo tipo de arma, na busca de deus que renegou suas obrigações com a humanidade

No decorrer da historia Ennis de maneira seca e genial, monta um mosaico perturbador das virtudes humanas, e de quebra um degenerado raio x de um pais a beira do colapso social, tudo em Preacher é extremado, desde o xerife racista que acha que negros são marcianos disfarçados, até um pirado que acha que é a encarnação de Jesus e Marques de Sade em uma só pessoa.

Com diálogos que são uma raridade nos comics mainstrean americanos, e a capacidade de tratar assuntos pesados de forma leve e divertida, Ennis segue demolindo tudo a sua frente, é de se admirar a coragem da DC de assumir os riscos e levar até o fim essa jornada ácida e profana dos nossos vizinhos de boteco Garth Ennis e Steve Dillon .

5 opinaram!

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  1. O primeiro artigo… te desejo boa sorte nesse caminho e espero que fale dos autores europeus que quase ninguém conhece, mas que deveriam ser mais traduzidos e lidos por aqui.

    • obrigado marcelo,a minha missão no ambrosia é extamente essa ,estou preparando uma sobre movimentos politicos e quadrinhos na europa da virada de 70 para 80,aguarde novidades

  2. Preacher (e o Garth Ennis das antigas, pré-Justiceiro) fazem muita falta. Roteiros mirabolantes pra lidar com premissas simples, falta de identidade dos ilustradores e marketing medíocre pra empurrar a terceira remodelação de algum personagem obscuro dominam o mercado e em oposição a isso o quadrinista independente que levou muito a sério a dica de que ele não precisaria aprender a desenhar e que quanto mais pessoal melhor, se as pessoas conseguem acompanhar a brisa dele é secundário.

    Era interessante a capacidade do Garth Ennis de equilibrar esses pólos nessa série – e em escala menos precisa no Hellblazer, mas nesse caso o filho não era dele – e o Steve Dillon também consegue manter o clima da história com seu estilo rústico e preciso, apesar de uma certa dificuldade com traços faciais…

    Parabéns pela estréia e veremos que outras obras interessantes você nos trará.

  3. Realmente um ótimo artigo de uma das maiores séries de quadrinhos que já existiu, espero que os próximos artigos mantenham a mesma qualidade e não caia na mesmice de sempre.

    Geralmente as matérias são muito voltadas para o universo dos Super Heróis, não que seja ruim, mas existe todo um universo de histórias para serem comentadas e espero que os próximos artigos saiam um pouco dos Estados Unidos.

    Parabéns e espero a próxima.

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Publicação aloisio.costa