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Revolução Digital: Marvel e DC Comics baixam preço de impressos

“Bem vindos ao reino do amanhã”. Assim terminei o artigo sobre a chegada oficial da Marvel Comics na Applestore em 21 de abril deste ano, mas mesmo em tão pouco tempo as mudanças no mercado foram tremendas, passando da chegada oficial da DC Comics ao universo digitail até dos grandes anuncios feitos nesta New York Comic-Con. Decidi assim escrever uma nova série de artigos para debater o futuro dos quadrinhos perante a “revolução digital”.

A primeira a anunciar sua reforma foi a DC Entertainment, que resumidamente vai baixar o preço das revistas que custavam US$ 3,99 para US$ 2,99 a partir de janeiro de 2011. As principais revistas da editora, que possuiam 22 páginas de história em 32 da revista, terão duas páginas a menos de história por mês. Já o formato de 32 páginas de história para 40 impressas vão deixar de existir, com os títulos passando para o formato menor de 32 páginas totais. Somente algumas revistas especiais deverão ser lançadas com preços mais altos, como encadernados e edições que já estavam finalizadas (Batman: Europa, por exemplo).

No anuncio oficial, a DC enfatizou que tomou tal decisão principalmente para manter os leitores que estavam deixando de comprar quadrinhos regulares e ocasionais devido ao aumento de preço ocorrido durante o ano, mas não há dúvidas que os motivos vão além da perda de um número limitado de leitores. Desde que a Marvel Comics foi comprada pelo grupo Disney, o grupo Warner começou a olhar com mais carinho para a DC Comics, alterando ao longo do período o nome da empresa para DC Entertainment e efetuando grandes mudanças estruturais.

Hoje em dia os personagens nascidos das revistas de super-heróis quebraram a barreira da sétima arte e podem gerar bilhões de dólares em bilheteria e venda de DVDs/Blu-rays, com licenciamento de imagem para os mais diversos produtos, que vão de brinquedos à produções na gigante indústria de games. Mesmo assim é praxe do capitalismo manter apenas negócios que dão lucros, obrigando a indústria de produção de HQs se mantendo no azul por sí própria.

Conforme dados divulgados durante a New York Comic-Con, no primeiro semestre de 2010 a venda de quadrinhos mensais e graphic novells caiu 12% na média, chegando a 20% nos mangás publicados na América do Norte. Já o mercado digital de quadrinhos teve seu grande boom inicial, partindo de US$ 500 mil em 2009 para US$ 8 milhões na espectiva para 2010. Essa notícia chegou por David Gabriel, vice-presidente de Vendas na Marvel, que também vai baixar o preço das revistas impressas de US$ 3,99 para US$ 2,99 a partir de janeiro de 2011. A diferença entre os anuncios veio por parte da Marvel, que justificou abertamente que a mudança é possível graças ao mercado digital, que já pode dividir os custos de produção em boa parte das edições.

Independente das alegações, o corte de um dólar no preço funciona também para manter o mercado impresso funcionando, já que as distribuidoras e lojas especializadas trabalham com porcentagem sobre o preço de capa. Uma queda maior no preço poderia levar todo mercado a uma quebra, mesmo com as duas editoras podendo manter um preço menor.

No próximo artigo da série, uma retrospectiva da chegada dos quadrinhos digitais, impulsionados pelos scans ilegais e programas de compartilhamento de arquivos.

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