Rom, o Cavaleiro Espacial – Um incrível personagem esquecido pela Marvel

Ambrosia Quadrinhos Rom, o Cavaleiro Espacial – Um incrível personagem esquecido pela Marvel

Acho que poucos lembra deste personagem. Rom – o Cavaleiro Espacial (ROM: Spaceknight), concebido como um brinquedo pela Marvel Comics que imaginava que os quadrinhos seriam uma jogada de marketing descartável. Felizmente o escritor Bill Mantlo desenvolveu uma space opera sobre sacrifício e dever que tornou as aventuras do cavaleiro um marco que superou muito o brinquedo que a Parker Brother criara. 

50.-la-divina-comediaA linha de brinquedos do ROM foi lançado em 1979, e logo foi licenciada para Marvel, na expectativa de aumentar sua popularidade. Ironicamente, o brinquedo em si foi um retumbante fracasso de vendas, a action figure era de péssima qualidade e a produção foi rapidamente interrompida.

Já HQ foi um grande sucesso, sendo publicada de dezembro de 1979 até até o ano de 1986, com 75 números e quatro Anuais – todos escritos por Mantlo.

Ainda assim a saga não teve continuidade pois a licença expirou, deixando órfãos ao redor do mundo. Dentro da expectativa gerada do título, posso dizer que a série está no TOP FIVE dos melhores quadrinhos de ficção científica, como Alien Legion, Dreadstar, Juiz Dredd e Star Wars.

E aqui está uma lista de motivos para o título ser considerado como o tal e explicar, em época de revival, uma adaptação da narrativa do galadorianos.

MOTIVO 1: A narrativa em Space Opera

Segundo o livro de Bráulio Tavares, O que é ficção científica,  Space opera (também referida como ópera espacial) é um sub-gênero da ficção científica que enfatiza a aventura, cenários exóticos e personagens épicos.

ROM é natural do planeta Gálador, uma utópica sociedade de alta tecnologia e de gente perfeita, para não dizer bonita, nos parâmetros ocidentais. Eles entram em conflito com os terríveis espectros, uma raça vil de metamorfos genocidas com poderes mágicos.

Para defender Galador dos espectros, foi arregimentado um exército de mil voluntários que seriam fundidos a espetaculares armaduras capazes de voo, superforça e invulnerabilidade, além de armas que se materializavam do Limbo quando eles desejavam, e assim surgiam os guerreiros cyborgues, que ficariam conhecidos como spaceknights, os cavaleiros espaciais. Passando pelo processo “borg”, cada um dos voluntários deviam deixar alguma parte de suas formas humanas pra trás, que seria guardada em estase até que a guerra acabasse e pudessem restaurar a sua forma humana.

Eles conseguem afastar a ameaça iminente, mas os líderes do planeta decidem que os cavaleiros não poderiam deixar de serem o que se tornaram enquanto os espectros estão livres pelo universo, que deveriam caçar e matar todos as criaturas que conseguiram fugir. Os spaceknights logo percebem que isso era uma missão impossível, e que nunca irão recuperar suas formas humanas. Alguns deles, como ROM, sente o dever de proteger o planeta não importa o custo, e melancolicamente se despedem de seus entes queridos. Outros se entregam a depressão ou a loucura.

O argumento cria um grande conjunto de ganchos, em especial nos pontos da devoção de Rom com o seu dever, o ódio contra os espectros, a existência de cavaleiros que não aceitaram a decisão dos líderes, o encontro com o planeta Terra e o perigo dos espectros em nosso planeta. Com uma narrativa dessas, cenário e personagens envolventes, a máxima da luta contra um mal que poderia se tornar qualquer organismo vivo, tornou a série um sucesso e bem que me lembro que, durante os anos 1980 era assunto corriqueiro entre alguns colegas as histórias dos cavaleiros galadorianos. Para um roteiro de um filme ou de uma série é só querer, não acham?

MOTIVO 2: ROM fez parte do Universo MARVEL

Ao contrário de outras coleções de brinquedos que a Marvel licenciou, como os Comandos em ação (GI Joe) e Os Transformers, que não interagiram com o universo Marvel (exceto em ocasiões muito raras), ROM foi totalmente integrado na continuidade da Marvel. Embora tivesse suas histórias baseadas na Virginia, que foi uma característica da série, saindo do reduto da maioria das histórias da Marvel, que era a cidade de Nova Iorque. ROM lutou contra vilões da Marvel, uniu-se com heróis da Marvel, e teve crossovers com outras séries da Marvel.

Mesmo os terríveis espectros tiveram seu espaço na editora, quando tornou-se público que os vilões se espalharam pelo planeta, vários títulos da Casa das Ideias durante os anos 1980 e seus protagonistas apareceram enfrentando as criaturas na saga Guerra dos Espectros.

MOTIVO 3: O argumento de Bill Mantlo

Mantlo deu às histórias de ROM todas as direções possíveis e em grande maioria eram bizarras ao establishement da Marvel. As aparições terríveis dos espectros, as conspirações assustadoras, onde muitas corporações e agências governamentais tinham sido infiltradas pelos aliens na forma humana.

Rom era visto como um justiceiro, que aos olhos humanos parecia que estava chacinando pessoas, enquanto na verdade estava desmaterializando os espectros, enviando as criaturas para o limbo. Evidentemente, o autor cria um arcabouço de perseguição do personagem pelos humanos, que também são manipulados pelos Espectros, inseridos em vários meios, inclusive no meio científico e no exército.

WOLDEATH_2_1Bill Mantlo é um cara fascinante, seria uma bela homenagem ao cara que sofreu uma tragédia em 1992, quando foi atropelado por um carro enquanto patinava, sem capacete, Mantlo sofreu um traumatismo craniano e passou várias semanas em coma. Desde então recebe assistência médica vinte e quatro horas e não há mais chances de recuperação. Era um artesão em seus argumentos, bastante dedicado, trazendo séries como a do ROM, Manto e Adaga, Rocket Racoon, e a dos Micronautas, um nome memorável, trabalhos que fizeram parte da minha infância.

Aguardo e quem tiver uma notícia a mais, comenta aí! Uma boa pedida para a Netflix, não acham?

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