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Som e Nanquim

Estes dias consegui arrumar um tempinho para ler e ouvir algumas coisas bacanas, comecei pela revista Fierro com Big Star de trilha sonora, o Big é uma banda do final dos anos 70, fundada por Alex Chilton e Chris Bell, seu primeiro disco foi lançado em 72, e foi um fracasso comercial, artisticamente é uma obra prima, sua sonoridade não encontra paralelos naquela década, eles praticamente criaram do nada uma cama sonora suave e áspera, suas faixas entregava um caldeirão de influencias, que viradas do avesso surgia como canções perfeitas que iam do suave ao estridente com uma naturalidade desconcertante, trilha sonora perfeita para acompanhar a leitura da Fierro que a Zarabatana Books corajosamente traz para nosso mercado.

É fato que nossos hermanos fazem um dos melhores comics do mercado global, é para comemorar a publicação em língua portuguesa de autores como Horacio Altuna, com sua incomoda historia Hot La; Oscar Chichoni com uma bela homenagem a Litle Nemo; Juan Gimenez, grande arquiteto futurista dos comics global. Queremos Breccia, Carlos Trillo e muito mais, infelizmente temos de ser realistas em relação a nossos autores tupiniquins, muitos deles escorregam feio, mas vão melhorar com certeza. Não posso esquecer de tecer um comentário elogioso para Claudio Martini da Zarabatana, já venho acompanhando seu trabalho faz tempo e só tenho elogios a dizer, comprem bastante material da Zarabatana, com bala na agulha o Martini trará muitas coisas realmente boas para nosso mercado.

Em seguida peguei o último volume de A Casta dos Metabarões, neste volume 4, Jodorowski prova que é um monstro na arte de escrever, e aqui ele fecha a tortuosa saga da mais niilista família da galáxia. É claro o seu prazer em brincar com a percepção que o leitor tem da figura do herói, escudado pelo pincel cósmico de Juan Gimenez. Ele quebra nosso herói não só em nível físico, mas de maneira mais profunda seu emocional, para mostrar ao leitor que no final das contas o nosso maior medo é a solidão, com este mote criando uma historia clássica de super-herói que os americanos não sabem mais como fazer, Obrigatório.

Ainda ouvindo Big Star, parto para o volume 3 de ZDM. Brian Wood realmente é um autor notável e sabe trabalhar com as características multiculturais e étnicas de uma America que deixou de ser branca há muito tempo. Sua visão acima de tudo amorosa com seus compatriotas, exalta sua tradição guerreira frente ha uma máquina política corrupta, que vê na guerra seu melhor produto, usado principalmente na dominação social. Wood é impiedoso ao expor a ganância de uma nação de rabo preso com grupos corporativos ligados a produção bélica, energia e principalmente de mídia, que na maioria das vezes trabalha contra sua própria população.

Wood é um autor que merece ser descoberto, um dos poucos que prima pela inteligência em sua HQs. Meio revoltado fecho a leitura com Kick Out the Jams do MC5 Five – grande banda de protopunk do começo dos anos 70, que falarei mais pra frente.

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