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Resultado e Comentários sobre o Concurso “Eu, Criatura”

Neste fim de semana, durante a RPGCon (que receberá uma matéria própria com nossos comentários, fotos e impressões sobre o evento), foram apresentados os vencedores do “Concurso Cultural: Eu, Criatura”, no qual tive a chance de participar como jurado.

Como já foi mencionado pelos demais jurados, o concurso foi bastante surpreendente em termos de forma. Poucos contos apresentavam erros de português, sejam de gramática ou estruturais (ainda que eu acredite que alguns deles foram revisados pela editora MC Zanini antes de nos enviar), e os maiores problemas se davam em termos de narrativa e história.

Correndo o risco de repetir aqui o discurso alheio devo dizer que fiquei um tanto quanto cansado dos contos sobre Vampiros (que certamente somavam 70% do todo), não apenas pela quantidade mas pela falta de variedade de temas e climas. Boa parte deles era sobre o abraço e as dores ou anseios da maldição vampirica, geralmente escritos de forma pouco interessante. Os melhores contos de vampiros foram aqueles que fugiram desse estereótipo, como uma carta de despertar para si mesmo (depois de retornar do sono das eras), entre outros. É engraçado que nenhum dos contos envolvendo os mortos vivos ficou entre os finalistas, mesmo com sua proporção tão grande.

Em geral a maioria esmagadora dos contos envolveu histórias de transformação, ou seja, os primeiros momentos da agora nova “criatura”. Os contos que fugiram um pouco disso me soaram mais interessantes. A verdade é que me surpreendeu muito o fato de que os três vencedores (“Aberração na coleira” de Bernardo Ferreira Stamato, “A vergonha de Jonas” de Fabio Lopes Ribeiro, “Lembranças” de Samila Cavalcante Lages), estiveram entre os cinco melhores contos que tive de apontar na primeira fase do processo de seleção dos textos. O vencedor escreveu um conto baseado na linha Promethean: The Created (a melhor linha gerou o melhor conto??? RS), o segundo é sobre um Desperto de Mago: O Despertar (que vai ser lançado em breve em português) e por fim, a última história tem como protagonista um fantasma.

Foi um concurso excelente de se participar, ainda que tenha tido um tempo escasso para ler os 100 contos que participaram graças a minha agenda conturbada deste primeiro semestre. Dentro de pouco tempo, todos poderão ler os contos premiados no hotsite do concurso.

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17 Comentários

  1. Interessante também que nenhum dos premiados tenha abordado o Lobisomem. Será que histórias de lobisomens também se esgotaram em seus clichés? Qual o percentual de “contos com Lobisomens” que participaram?

    • Tinham um certo clichê sim, de fúria e predador que se repetiam em quase todos, mas em média, eles eram melhor escritos/narrados/originais do que os contos de vampiros, e olha que eu não sou tão fã de lobisomem…

      Não sei se pela diferença de tema e clima, mas quase tudo que não era sobre as angústias de um vampiro recém-abraçado soou aliviante para mim…

  2. Oi, participei do concurso, e gostaria de saber, em base no que você comentou, de um texto que eu escrevi e mandei para o concurso, que chamavasse “Dia de Sorte”.
    Não sei se você vai se recordar do texto, eu torço que você lembre, porque quem sabe vc tenha gostado. É um que se passava entre os resultados de um jogo de poquêr, entre Billy, the kid, e um mago trapaceiro.
    Como eu fugi dos dois temas repetitivos, citados por vc, isso me criou esperanças, que talvez vc tenha se agradado do meu conto.
    Caso vc se lembre, e aceitar comentar algo dele, eu ia ficar muito feliz, até pq estou começando a escrever agora, senão puder responder aki, pode ser no meu e-mail?
    desculpa o incômodo, e estou louco para ler os vencedores o/

    • Lembro bem dele sim, e de fato ele entrou na minha pasta com os dez melhores. O conto foi bem original, e ainda que tivesse um cenário que eu particularmente não sou muito fã, o velho oeste, consegui aproveitar bastante a narrativa.

      Mas vale mencionar que um outro conto também usava o velho oeste como fundo, e também era bem legal, está na hora de eu vencer esse preconceito bobo….

    • Pois é Felipe, hehehe! Posso recomendar uns filmes? Por um punhado de dólares e Era uma vez no Oeste, de Sérgio Leone. E um RPG, o clássico Deadlands (um” weird western” muito bom!).

    • Ê! Felipe! Então fala dos meus também! Foram direto pro lixo? E se foram, o que mais doeu nos contos? Eram sobre vampiros, porém não eram sobre o abraço, ao menos. Agradeceria se respondesse, sem receio de me esculhambar.
      Os contos:
      Bifurcação – sobre dupla personalidade (é, clichê)
      Saída pelo Sol – sobre torpor

  3. Vou tentar dar uma olhada.. O problema é que em uma pasta de mais de 100 contos, todos com o nome conto001.doc, conto002.doc e etc, fica difícil de olhar novamente.

    Lembro-me sim de um conto sobre uma partida de de xadrez, jogo que amo e pratico desde a mais tenra infância.

    Quando estiver em casa, com acesso aos contos volto a comentar aqui.

    • Se não der, tudo bem. Longe de mim querer atrapalhar seus afazeres. Mas sabe como é, quando é a gente que faz o parto do escrito, não dá pra não ter curiosidade sobre o que acharam dele, mesmo que a opinião sobre o mesmo seja hostil, contanto que sincera. Redigi esses contos na última hora, estava decidido a não participar e mudei de idéia nos últimos momentos. Espero que possa encontrá-los somente pelos títulos, já que a ruindade da história não deixou sequer uma leve lembrança na memória.

    • Bem, finalmente os li.

      Bifurcação, está na minha pasta separada entre os melhores. Achei realmente bem legal a forma como você escreveu sobre algo como dupla personalidade, tão fácil de se cair em clichê. Gostei também do fato de você estra bem antenado com o novo cenário, fazendo com que o devaneio de seu personagem tivesse tido origem em um teste falhado de moralidade. Parabéns. Chegou bem perto aqui. Certamente entre os dez.

      O Segundo conto, Saída pelo Sol, tem coisas positivas e negativas. Como positivo vejo mais uma vez a compreensão e conhecimento do cenário de Réquiem, ouso dizer que é inclusive o conto mais profundo nesse sentido de imersão nos livros. O problema é que ele é um sumário da vida do protagonista que conta por alto de seus feitos e alianças. Isso corta um pouco a imersão naquele ambiente em si, vemos de forma desfocada e um pouco monótona uma vida que percebemos ser interessante. Me parece um excelente background de personagem, mas como conto literário não fuciona tão bem. De forma algum isso faz dele, ruim, o que me obriga novamente a parabenizá-lo pelas excelentes inserções em nosso concurso.

    • Felipe, muito obrigado mesmo!

      Esses comentários foram muito importantes para mim, espero que saiba.

      Mais uma vez obrigadão, e saiba que embora eu não tenha o hábito de comentar assiduamente em blogues, o Ambrosia é um dos primeiros RSS que checo toda manhã e ao longo do dia.

  4. Ola, sou Bernardo, o vencedor do concurso! Como esse post já é antigo, talvez ninguém leia esse comentário, mas o farei mesmo assim =P

    Você comentou que meu conto foi inspirado em Promethean e bem… Eu nunca li o Promethean (apesar de ter uma curiosidade enorme, só falta tempo)

    Sobre minha protagonista, eu me inspirei no livro “Antagonistas” para criá-la.

    Enfim, só um comentário! Fico lisongeado por ter ficado em primeiro lugar a agradeço a toda a equipe de jurados pela oportunidade!

    Abraço!